E agora, vão pedir desculpa?

Jornal de Negócios 11 Dezembro 2013
Camilo Lourenço 

O leitor lembra-se das prosas de há um ano? Que a economia estava em "free fall", que a espiral recessiva já cá andava (havia até quem previsse uma queda do PIB superior aos 2,3% do governo), que o desemprego ia sair de controlo, que éramos a segunda Grécia, etc e tal.

Ontem, o Banco de Portugal veio dizer que os sinais dos últimos meses, que já desmentiam muita da profecia negra do início do ano, vieram para ficar. E até duplicou a sua previsão de crescimento, aproximando-a da do governo: 0,8% (a queda do PIB, este ano, deve ficar em 1,5%). Apesar de toda a austeridade (e é muita!) prevista para o próximo ano. Ou seja, o banco central diz que a melhoria da confiança e do emprego vão compensar o efeito dos cortes de 3,9 mil milhões na despesa.

É verdade que estamos perante previsões. Mas a recuperação de vários indicadores, entre eles as exportações (com ganhos de quotas de 10%), o indicador avançado da OCDE e o do próprio Banco de Portugal, confirmam que a economia está numa trajectória ascendente. Ainda para mais puxada pela frente externa: exportações e investimento (que deverá subir em 2014).

O que é que isto tudo mostra? Que há muita gente, mesmo entre os "sábios" (aqueles que se põem em bicos de pés para fazer manchetes na Imprensa), que conhece muito mal a economia portuguesa. Esses, apanhados agora em contrapé, não escondem o seu embaraço.

Só é pena que não tenham a hombridade de reconhecer que estavam redondamente enganados e pedir desculpa por tanto disparate dito nos últimos anos. Fica a lição: ver se aprendem a separar aquilo que eles gostavam que acontecesse… daquilo que os portugueses são capazes de fazer.

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