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O medo na economia

Helena Garrido Observador 18/8/2016 Medidas simplistas, tipo toma dinheiro e faz a crescer a economia, não funcionam em países endividados. O medo do futuro não desaparece com bolsos cheios. Assim, como crescer com a dívida que temos? 700 mil milhões de euros. Nem temos a noção do que isso é. Mas é a dívida do país. Mais de quatro vezes o que produzimos anualmente. Com uma taxa de 1% significa tirar todos os anos ao rendimento sete mil milhões de euros para pagar juros. Com uma dívida desta dimensão como é que alguém pode considerar que podemos crescer através do consumo quando acabou a era do crédito fácil? Quando todos tomaram consciência que a dívida paga-se, que só se consegue gerir até a um determinado limite. É irónico verificar que a teoria que nos atirou para a montanha de dívida que hoje temos só agora está em parte a aplicar-se. Estávamos nos primórdios do euro. O então governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente do BCE defendia que pertencendo Portu...

Dia dos mortos

Este dia no México é designado com toda a crueza pelo dia dos mortos. A nossa tradição chama-lhe o dia dos Fiéis Defuntos, isto é, daqueles que terminaram a sua função na terra. A morte causa em nós este medo que o Miguel Esteves Cardoso tão bem descreve como o medo que vê nos olhos do cão que se afoga de Goya (para ver os olhos do cão, desobedecendo ao conselho do MEC, carregar duas vezes na imagem e depois no sinal de ampliar). No Ano da Fé, a dimensão do significado deste dia agiganta-se. A morte será sempre um mistério, mas ajuda-nos a penetrar nele esta meditação sobre a Irmã morte como lhe chamou S. Francisco de Assis Novidades 2 de Novembro - Dia dos Fiéis Defuntos William-Adolphe Bouguereau Santidade para todos 1 de Novembro - Todos os Santos Breve apontamento de leitura do livro "Introdução ... Versão sintética da apresentação do livro "Introdução ao Cristianismo de Joseph Ratzinger, pelo Pe. Jacinto de Farias, no passado dia 22 de Outubro 1 de...

O medo de verdade

Público 2012-10-31  Miguel Esteves Cardoso Há uma imagem que me dá pesadelos e que me assusta tanto que me custa olhar para ela: é o Perro Semihundido, de Goya . Evite vê-lo, se puder. O medo é uma coisa fácil de mostrar mas difícil de fixar. O cão semiafogado de Goya, à beira de morrer afogado, tem os olhos abertos a olhar para a massa de água que o vai matar. Os cães têm medo muitas vezes. Mas este sabe que vai morrer. É este o último momento de vida: a vida suficiente para saber ter medo do que lhe vai acontecer. Na noite das bruxas brinca-se com os sustos. Os sustos não dão tempo para ter medo. Para ter medo é preciso tempo. É preciso um momento parado, como aquele durante um acidente violento de automóvel, em que o tempo, por crueldade, se alenta, para que possamos contemplar o horror que aí vem, que já não pode ser evitado, que parece fazer render o já ser tarde de mais para fazer qualquer coisa. Quando se tem mesmo medo, não se consegue fechar os olhos. O cão ...