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A demissão como um acto moral

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http://prishtinainsight.com/resigning-moral-act/ The death of the political activist Astrit Dehari on November 5, 2016 in the detention center in Prizren and the way that this case is being managed shows once again that state officials in Kosovo have not been introduced to the act of resigning as a moral act. Twenty-six year-old Dehari was held in prison for 68 days without being indicted, during which he was not interviewed once, and even that is not a sufficient reason for the prosecutor to offer his resignation. Dehari died in an institution that is managed by the Ministry of Justice, but even after three weeks, Minister Dhurata Hoxha does not think it reasonable to resign. The Kosovo Police misinformed the public with regards to the cause of death, but the Interior Minister Skender Hyseni did not think it was reasonable at all to give even the smallest explanation about the false statement of the police, let alone to resign. In a democratic liberal system of go...

Em defesa de Durão Barroso e do ideal europeu

João Carlos Espada Observador 19/9/2016 Numa velha democracia parlamentar, a tomada de posição de Juncker contra Durão Barroso teria merecido uma gargalhada geral e a sua convocação pelo Parlamento — onde o seu lugar estaria em sério risco. Já muito terá sido dito sobre o surpreendente ataque a José Manuel Durão Barroso pelo seu sucessor, Jean-Claude Juncker, e por outros responsáveis da União Europeia. Mas não creio que neste caso tenha sido dito o essencial. E — após estupefacção inicial — receio ter de concluir que o essencial possa ser bastante grave: bastante grave a respeito da debilidade das tradições e da cultura política de Bruxelas. Não vale a pena perder tempo com os detalhes. Mas vale a pena recordar a evidência empírica fundamental. Durão Barroso cumpriu todas as regras gerais até à data definidas pela União Europeia acerca da reforma dos membros da Comissão Europeia. Isso foi claramente reconhecido pelo sr. Juncker e por todos os que até agora se pronunciar...

A ética republicana

Nuno Melo Jornal de Notícias | 11 Agosto 2016  Não sei, nunca soube, o que é isso da ética republicana. Os socialistas invocam-na amiúde, quando querem chamar a si virtudes públicas, que raramente concretizam no exemplo. Inspiram-se em muito da outra República, a primeira. E encontram nos seus líderes, de Afonso Costa a Brito Camacho, referências que celebram. Explica muita coisa. O regime nascido em 1910 teve tudo de República e pouco de ética. O regicídio foi concretizado em 1908 a partir dos movimentos republicanos, de mão dada com a Carbonária. Não falta quem ainda hoje homenageie à esquerda Manuel Buíça e Alfredo Costa, obreiros do assassinato infame do rei D. Carlos e do príncipe D. Luís Filipe. A estratégia pensada para implantação da Primeira República marcou o essencial do jogo político que se lhe seguiu e lhe traçou o destino até ao estertor. O poder foi sempre o fim em si mesmo. Valeu tudo para o alcançar ou manter. Não por acaso, ficou célebre a fra...

O estertor moral da geringonça e companhia

Maria João Marques Observador 10/8/2016 O BE, que em tempos também rasgou as vestes pelos efeitos dos fogos de verão, agora só despeja afetos sobre a população da Madeira. Está visto: os incêndios socialistas queimam menos do que os outros. Deixem-me contar uma história de aceitar convites. Não é minha, é de Candace Bushnell (a autora do livro que germinou a ideia da série de televisão icónica O Sexo e a Cidade), em 4 Blondes. Uma modelo nova-iorquina gostava de passar os verões nos Hamptons acima das suas possibilidades. Então, a cada primavera, escolhia um namorado endinheirado (sem intenções de durabilidade) que viesse com anexo de uma casa aceitável nos Hamptons. Vindo o verão, restava-lhe aceitar o convite do namorado para passar as férias na sua casa de veraneio. Finda a temporada estival, o namoro terminava. Esta história tem-se passeado na minha memória desde que começou o caso da viagem do secretário de estado Rocha Andrade paga pela Galp. Sobretudo depois de Ascens...

Os amorais

João Gonçalves JN 20160808 Costa move-se sempre no limiar do delito político. Começou por derrubar Seguro depois de este ter dado duas vitórias ao partido. A seguir, recuperou algum pessoal do "socratismo", desprezando ostensivamente Sócrates, quando percebeu que a "teoria do poucochinho" se ia virar contra si. O poucochinho das legislativas levou-o a arranjar comparsas que lhe dessem o que faltava. Começou, aliás, a tratar disso mal leu o destino na opinião pública. Arranjou uma maioria parlamentar, esquadrinhada em três ou quatro papeletas bilaterais, que lhe permitiu um Governo minoritário, um programa, um Orçamento falacioso e outras bizarrias que vão saindo no "Diário da República". Os comparsas do Bloco e do PC não se preocupam excessivamente com detalhes. O que ainda há menos de um ano seria alvo de intensa berraria e "luta", agora faz-se de conta que não existe. Para estes beneméritos, não há aumento directo ou encapotado de impost...

República de eunucos

João Taborda da Gama DN 20160807 Dei por mim, mal, esta semana, quando abordado por jornalistas, a não comentar dois casos por achar que a minha posição ia ser impopular. Um dos casos é o dos juízes que decidiram os contratos de associação, outro o dos secretários de Estado convidados pela Galp para o Euro. Vamos já tratar de resolver isso. Primeiro a Galp, o que teria eu feito, as razões para isso, e uma possível solução. Se tivesse sido convidado pela Galp para ir ver a final a Paris teria recusado por três razões, e nenhuma delas é a ética republicana. A primeira é que, salvo algumas recaídas pelo Sporting, não gosto o suficiente de bola para perder um dia nisso; outra é o meu pânico de aviões. Mas vamos supor que queria ir ver o jogo e não tinha medo de andar de avião. Não teria ido à mesma pela terceira razão, que é não aceitar viajar a convite de uma empresa privada. Mas esta decisão de não ir não teria sido tomada de olhos semicerrados, em conferência telepática com a alm...

“Ética republicana”, versão geringonça

André Azevedo Alves Observador 20160806 A ideia de que os “usos e costumes” e a “adequação social” justificariam o "Galpgate" tem aderência histórica com as pouco edificantes práticas que caracterizam a “ética republicana” em Portugal. A ética “republicana, laica e socialista” tem um longo historial (alguns poderão achar mais adequada a designação “cadastro”) em Portugal. Analisado no âmbito desse enquadramento mais vasto, o recente caso das simpáticas ofertas e gestos de cortesia da Galp para com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Rocha Andrade não será particularmente surpreendente nem inovador. Nesse sentido, a defesa – prontamente apresentada pelo próprio e corroborada por Augusto Santos Silva – assente nos “usos e costumes” e na “adequação social” tem, pelo menos, aderência histórica com as pouco edificantes práticas que caracterizam a “ética republicana” em Portugal. Sempre que surgem este tipo de casos, é importante relembrar que as relações promí...

Rocha Andrade e as prendas da Galp

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 04/08/2016 Descobrimos que uma casa exposta à luz do sol faz subir os impostos. Agora só nos falta descobrir se um secretário de Estado exposto aos favores da Galp os faz descer. O senhor Fernando Rocha Andrade é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e aprecia a selecção nacional. A Galp é a maior empresa portuguesa e patrocina a selecção nacional. Até aqui tudo bem. A partir daqui tudo mal. A Galp endereçou vários convites ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para assistir aos jogos de Portugal no Europeu, com todas as despesas incluídas: avião, alimentação e bilhete. A revista Sábado, que levantou o caso, revelou que Rocha Andrade aceitou o convite para ver o Portugal-Hungria. O jornal Observador descobriu, entretanto, que também aceitou o convite para o jogo da final com a França. Quando questionado acerca desse facto, Rocha Andrade declarou que encara “com naturalidade, e dentro da adequação social, a aceitação deste tipo de convite ...

Os caminhos do Homem

Isilda Pegado Voz da Verdade, 20160612 1 – Saber, conhecer, fazer, modificar, criar, etc., são todos verbos que identificam muito do nobre agir do Homem, ao longo dos séculos. O homem vive nesta vertigem que se gera entre o espanto perante o que existe, e o que deseja fazer e construir a partir da realidade. Hoje, essa vertigem está em larga medida entregue à Ciência e à Técnica. Nunca como hoje se trabalhou tanto na investigação científica em todas as áreas do saber. O que é Bom. A medicina fez aumentar a esperança média de vida e proporciona cada vez mais qualidade de vida aos doentes. As engenharias proporcionam ao homem o uso de bens novos e de acesso fácil. As comunicações e informação transformaram o mundo numa rede universal. Os exemplos podiam continuar. 2 – Porém, este conhecimento moderno tem gerado desde o início do Séc. XX algumas preocupações Éticas. Na verdade, o saber, o agir e o modificar exigem uma reflexão quanto aos seus fins. Nem tudo o que se pode faze...

Ele pode, mas não deve

Helena Matos Observador 8/5/2016 O que foi Sócrates fazer ao Marão? Mostrar que, se quiser, e se a justiça não o importunar muito, pode alterar o xadrez da política nacional. Maio de 2016. O dia ia no jeito do costume. O Presidente da República até parecia ter-se finalmente sentado. Na cadeira do pai mas apesar de tudo sentou-se. Sempre é um começo. Os jornalistas esses fazem umas peças que parecem decalcadas da octagenária viagem triunfal do presidente Carmona a África. Passos Coelho está num acontecimento do PSD ao qual ninguém presta qualquer atenção. Os jornalistas destacam a sua falta de capacidade para comunicar. António Costa, que todos os dias vê mediaticamente acrescentado o seu perfil de hábil negociador, prossegue na sua “tantologia” – hoje para anunciar que nunca houve tanto investimento – e prepara-se para chegar ao Marão. Em resumo, tudo mais ou menos a correr nas balizas deste tempo novo. Pelo meio, é certo, há umas manifestações de uns pais cujos filh...

Há poucos problemas morais

Miguel Tamen | Observador 29/4/2016 Nenhuma teoria sobre justiça nos ensina a distinguir o que é justo, ou muito menos a fazer o que é certo. A ideia de que há muitos problemas morais é indissociável da ideia de que estamos sempre a deliberar sobre o que devemos fazer. Faz parte da noção de que passamos as vidas atarefados com questões éticas. Quer a ideia quer a noção são exageradas. Não quer isso dizer que sejamos hoje piores que os nossos antepassados. Somos muito parecidos: nunca, eles ou nós, precisámos de grandes deliberações para saber o que é uma boa acção. O caso da guerra é um bom exemplo. Somos normalmente contra, menos nalguns casos. Pode parecer que nesses casos precisamos de deliberar. Acontece que as teorias disponíveis (por exemplo aquela que nos diz que uma guerra é justa quando os seus objectivos são justos) não são de grande ajuda. Nenhuma teoria sobre justiça nos ensina a distinguir o que é justo, ou muito menos a fazer o que é certo; as opiniões dos part...

Vender o corpo

Francisco Sarsfield Cabral RR online 12 Abr, 2016 Torna-se cada vez mais difícil sustentar que a prostituição é uma profissão exercida livremente, como tal devendo contribuir com impostos e contribuições sociais. Passou quase desapercebida entre nós a decisão da Assembleia Nacional francesa que suprime a penalização das prostitutas que oferecem os seus serviços e penaliza com multas quem comprar sexo. Esta lei situa-se na linha do sistema sueco (que conta com vários outros países seguidores) e é contrária à equiparação da venda de sexo a qualquer outra profissão (regime em vigor na Holanda e na Alemanha). Divulgar esta importante decisão dos deputados franceses não interessa, naturalmente, a muita gente que se diz anticapitalista mas defende mercantilizar a utilização do corpo - afinal, o império do mercado levado ao seu extremo. Já agora, porque não permitir à pessoa que se venda como escravo? Em editorial, o diário "El País", próximo dos socialistas, diz que a ...

Moral e política

António Barreto | DN 20160320 Sempre fizeram mau casamento. Quando uma, a moral, é invocada a propósito da outra, a política, é quase sempre mau sinal. Pode ser impotência da política, isto é, da justiça e da lei para pôr cobro a certas atitudes e determinados comportamentos. Também acontece ser sinal de despotismo ou de ambição totalitária: por exemplo, políticos que desejam impor um código moral de que carecem para os seus actos de governo. Poderá ainda ser, à falta de argumentos racionais, uma tentativa de impor regras por outras vias que não sejam as dos métodos políticos tradicionais, com o que se transforma a religião e a moral em instrumentos de poder. E já não me surpreende que, tantas vezes, os privilegiados e favorecidos reclamem "ética" e comportamentos "morais" para que os seus dependentes obedeçam e aceitem o estado presente e "natural". Não me canso, finalmente, de ouvir, todos os dias, gente de várias gerações queixar-se da "falta ...

O dono do CCB

Nuno Saraiva DN 2016.03.03 Não há nada mais pleonástico do que a dança de cadeiras de cada vez que os governos mudam. Os ministros entram e saem e, com eles, muda o pessoal político em todos os patamares da administração pública. Daí que a substituição de António Lamas por Elísio Summavielle à frente do Centro Cultural de Belém (CCB) não seja, de todo, uma novidade ou sequer uma aberração. Se olharmos para o cadastro de todos os governos, comprovamos que o que não falta são histórias de deserdados de uns e alcandorados de outros. Quando se aceita lugares de confiança política é preciso ter absoluta consciência de que esta pode extinguir-se a qualquer momento e, com isso, cessam as condições para prosseguir nos lugares. Claro que tudo seria diferente se a escolha das administrações de institutos públicos como é o caso do CCB fosse feita por concurso com óbvios ganhos de transparência e de meritocracia, sacrificando-se - e bem - a tradicional cultura do cartão partidário. Porém, o...

Política e Moral

"Quanto à moral, é melhor não a metermos na política" José Sócrates Pinto de Sousa, TVI, 2015.12.15 ————  x  ————  Não sabemos se haverá ingenuidade em desejar moral na política e se não terá havido em qualquer nação governantes em que o carácter e a dignidade pessoal tenham julgado de seu dever entrar também na vida pública, regrando processos de administração.  Não sabemos.  O que sabemos é que a desordem e imoralidade políticas têm um efeito corrosivo na alma das nações. E o abastardamento do carácter nacional não pode deixar de influir no desenvolvimento e progresso dum povo, sob qualquer aspecto que o queiramos considerar. O Problema da Educação (01) «O Ágio do Ouro», pág. 79 Doutor António de Oliveira Salazar - 1916