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O fracasso da Europa na Turquia

Rui Ramos Observador 19/7/2016 O golpe de Estado de sexta-feira na Turquia aconteceu num regime que é um golpe de Estado permanente, mas a Europa preferiu condenar o golpe que durou 4 horas, em vez do golpe que dura há 14 anos. O golpe de Estado de sexta-feira na Turquia aconteceu num regime que é um golpe de Estado permanente, há anos denunciado pela sua restrição das liberdades e perseguição das oposições”. Porque é que então tantos governos ocidentais se dispuseram a aceitar a mentira piedosa de que os militares insurrectos são a única ameaça à democracia na Turquia? Porque é que condenaram o golpe que durou 4 horas, em vez do golpe que dura há 14 anos? Não se sabe o que os militares pretendiam. Mas deveria talvez ser óbvio que o maior perigo para a causa democrática no país vem, neste momento, de quem governa, porque é o presidente Recep Tayyip Erdogan quem de facto atropela o Estado de direito e inviabiliza a alternância pacífica no poder. No rescaldo do golpe militar, ...

Uma questiúncula

VASCO PULIDO VALENTE Público 04/03/2016 No meio desta cena de mau gosto não se ficou a saber ao certo o que na essência separava o dr. Lamas do ministro. Como o dr. João Soares muito bem sabe, não tenho por ele qualquer respeito nem como homem, nem como político. Houve pessoas – Teresa Gouveia e José Manuel Fernandes – que, a propósito do “caso Lamas”, descobriram agora a insignificância e a grosseria dessa lamentável personagem. Chegam tarde. Claro que o ministro podia ter chamado discretamente o director do CCB para o demitir, alegando, como está no seu direito, falta de confiança política ou pessoal. Mas João Soares preferiu fazer do incidente um espectáculo público. Ameaçou o dr. Lamas, exibiu os seus poderes (que lhe vêm exclusivamente do cargo) e no fim ainda se foi gabar para a televisão. Não se percebe o motivo de toda esta palhaçada, excepto se pensarmos que ele é no governo um verbo-de-encher e que o PS o atura por simples caridade. Infelizmente, no meio desta cena d...

Um avental e uma esfregona

PEDRO SOUSA CARVALHO Público 04/03/2016 António Lamas, do Centro Cultural de Belém (CCB), é a mais recente vítima da geringonça, que por onde passa vai fazendo tábua rasa de tudo o que foi feito pelo anterior Governo. Para quem está fora da história, António Lamas geria uma empresa pública chamada Parques de Sintra – Monte da Lua, que fazia uma gestão integrada de vários museus, monumentos e jardins na zona de Sintra. O facto de gerir em simultâneo vários equipamentos culturais permitia obter sinergias a nível dos custos (limpeza, pessoal, segurança, manutenção, etc.) e de receitas (sistema de bilhética comum, venda cruzada de bilhetes com descontos, etc.). É um modelo que resultou, foi premiado internacionalmente, deixou de pesar no Orçamento do Estado e o objectivo da contratação de António Lamas pelo anterior Governo era precisamente o de tentar replicar esse plano para a zona de Ajuda-Belém. Mas o novo Governo achou que não e João Soares correu com António Lamas por consid...