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Marchar, marchar

João Pereira Coutinho Correio da manhã, 20160716 Costa quer fazer a Schäuble o mesmo que Éder fez à França. Quem diria: o patriotismo está de volta. Não falo da Selecção Nacional. Falo do único argumento que António Costa tem para justificar os nossos desaires. Bruxelas prepara-se para aplicar sanções? Costa, com grande responsabilidade, avisa que não há medidas excepcionais para este ano; repudia o Pacto Orçamental (‘limita o crescimento’, diz ele); e ignora os conselhos da Dra. Teodora, para quem a reposição de rendimentos, a diminuição do IVA e outras surpresas a caminho (como a recapitalização da Caixa) podem ‘comprometer’ (adoro este verbo) o défice de 2016. Por enquanto, a táctica é afrontar Bruxelas – a apresentação do Orçamento para 2017 em cima do prazo é outra artimanha. Quando a corda romper de vez, lá teremos Costa, pronto para eleições, a pedir aos portugueses que façam ao Sr. Schäuble o mesmo que o Éder fez à França. Quem disse que os cachecóis eram para guardar at...

Estudar relvas

João Pereira Coutinho Correio da manhã 03.07.2016 Vitória de Portugal seria o descrédito dos ‘doutores da bola’.  Não dava nada por esta Selecção. Vejo agora que me enganei. Enganei-me, vírgula: continuo a não dar nada, mas gostava que os rapazes trouxessem o caneco. Quando houve o primeiro empate, rosnei. Quando houve o segundo, rosnei novamente: eis uma equipa de profissionais a jogar como amadores. Mas depois veio o terceiro empate, e o quarto, e o quinto – e a coisa começou a interessar-me. Sobretudo quando a imprensa internacional, a começar pela francesa, não poupa nos insultos contra uma equipa tão ‘nojenta’. Agora, só espero que vençam Gales (golo irregular no prolongamento) e despachem a França com uma vitória nos 90 minutos (autogolo de um defesa). Depois de a Dinamarca ter vencido o Euro’92 vinda directamente de férias, o triunfo de Portugal seria o descrédito dos ‘doutores da bola’, que gostam de transformar o jogo em ciência. Quem não brindaria a isso?

A jogada do Costa

João Pereira Coutinho Correio da manhã 02.07.2016 Não se veem investidores a aterrar no aeroporto.  Quando o PS chegou ao Governo, não faltaram por aí alguns sábios a elogiar ‘a jogada do Costa’. Pensamento deles: Costa, apesar de ter perdido as eleições, conseguia um entendimento com a extrema-esquerda para ‘virar a página’ da austeridade. E Costa virou: devolveu rendimentos, reverteu medidas – e falou ‘grosso’ com a Europa. Na cabeça dos sábios, ter um governo apoiado na extrema-esquerda era meio caminho andado para uma economia vibrante; uma dívida sob controlo; e vários charters de investidores (chineses e não só) a aterrarem no aeroporto Humberto Delgado. Infelizmente, a Europa persiste em não ler a nossa imprensa servil – uma pirraça que autoriza todos os cenários. Até um ‘segundo resgate’. Se tal acontecer, espera-se que os mesmos sábios que aplaudiram a ‘jogada do Costa’ possam defender a ‘joelhada no Schäuble’. Por aquilo que vi, entusiasmo não lhes falta.

A batalha de Inglaterra

João Pereira Coutinho CM 20160622 Na quinta, os ingleses vão às urnas. Se eu fosse inglês, não hesitaria em sair. Dias frenéticos antes do referendo britânico. E a rainha, claro, está atenta. Informam os jornais que, nos jantares de Buckingham, Isabel II tem pedido aos seus convidados para lhe apresentarem 3 razões válidas favoráveis à manutenção. Os partidários do ‘Brexit’ exultaram com a parcialidade da pergunta de Isabel II. Mas, para não sermos cínicos, que argumentos tem apresentado o campo do ‘Remain’ para convencer a monarca? Sim, há argumentos económicos e políticos relevantes: a União Europeia recebe metade das exportações britânicas; 3 milhões de empregos dependem da continuidade do país no ‘projecto europeu’; e uma Inglaterra isolada perde importância no mundo e arrisca a desagregação interna (com a Escócia à cabeça). Factos? Não. Suposições. E muito medo à mistura. Os partidários do ‘Brexit’ também cavalgam os seus medos: é a imigração descontrolada; é o terrorismo...

Dar o exemplo

João Pereira Coutinho Correio da manhã 17.06.2016 01:45 Professores não precisam de França quando podem ensinar Costa.  António Costa devia ter vergonha: como é possível sugerir a professores sem alunos que ensinem em França? Qualquer português sabe que existe o direito constitucional de termos emprego à porta de casa (artº 297). Claro que, para ensinar, é preciso alunos; e os alunos, até prova em contrário, precisam de nascer primeiro. Mas nem isso autoriza Costa a sugerir a ‘emigração’. Seria mais sensato distribuir melhor os alunos – um ou dois por turma, digamos. E, já agora, ponderar a obrigatoriedade de cada família lusitana dar um contributo demográfico para a escolinha do dr. Nogueira. Felizmente, Costa emendou-se e afirmou que não tinha dito o que tinha dito. Terá sido falha nossa? Ou foi falha dele, incapaz de pensar e falar com clareza? Neste último caso, Costa podia dar o exemplo e sentar-se na primeira fila das nossas escolas abandonadas. Tenho a certeza que...

Ficções científicas

João Pereira Coutinho | Correio da manhã | 12.06.2016 Na história pátria nunca tivemos um povo letrado e liberal. Ainda me lembro dos tempos em que uma pessoa estudava história e, pelos idos de 1383, apanhava com as interpretações marxistas do camarada Álvaro. A ‘revolução burguesa’ de 1383-85, dizia ele com impecável analfabetismo, tinha sido uma vitória das forças populares contra os ‘reaccionários’ de Portugal e Espanha. Dizer que esta interpretação é uma fantasia seria usar um eufemismo. Melhor avançar alguns séculos e ouvir Marcelo no 10 de Junho: o povo assumiu sempre ‘o papel determinante’ na história pátria? A coisa fica bem em dia de festa. Ou num editorial do ‘Avante!’. Infelizmente, não se ajusta ao que somos e fomos: uma criação das elites, ou seja, de um Estado que continua a ser, até hoje, o ‘motor’ do nosso subdesenvolvimento. Seria bom que o povo tivesse vigiado e punido os desmandos desse Estado. Mas isso seria acreditar que um povo letrado e liberal algum dia exist...

Saudades disse ele

João Pereira Coutinho Correio da manhã 05.06.2016 Quem trocaria Angelina Jolie pelos camaradas do Rato?  O governo Costa empenhou-se na candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU. É natural que Guterres devolva a gentileza com uma aparição messiânica no púlpito dos socialistas: como dizia o outro, Nova Iorque vale bem uma missa. Uma declaração, porém, não deixou de me arrancar gargalhadas sonoras: Guterres confessa que tem ‘saudades’ do partido – e, presume-se, da vida política do país. Engraçado. Se recuarmos até 2000, ninguém diria que o eng. Guterres deixou o ‘pântano’ a contragosto. Pelo contrário: só me lembro de alívio naquela cara e uma vontade saudável de nunca mais cá pôr os pés. O que se entende: quem trocaria Angelina Jolie pelos camaradas do Rato? Aliás, se dúvidas houvesse, bastaria recordar o tabu presidencial de Guterres que acabou como acabou: com o partido sem candidato e Marcelo em Belém. ‘Saudades’, disse ele? É difícil não verter uma lá...

A Europa é de Marte

João Pereira Coutinho Correio da manhã 29.05.2016 Perante o desprezo das elites, o povo vota com medo e fúria.  A Áustria preparava-se para ter como presidente uma figura da extrema-direita. Não aconteceu: Norbert Hofer perdeu por uma unha mas a revista ‘The Economist’ não festeja o resultado. Da França à Holanda, da Suíça à Dinamarca, parece que a velha besta está de volta. Surpresa? Nenhuma. Passei uns dias em Budapeste, onde Viktor Orbán é rei e senhor. E, nas conversas banais, encontrei um apoio ao primeiro-ministro que assenta em três paixões: a) Orbán não é lacaio de Merkel; b) com moeda própria, a Hungria não depende dos humores do euro; e c) as fronteiras do país estão fechadas para ‘estrangeiros’ (leia-se: refugiados muçulmanos). Entendo que as elites europeias não se misturem com a opinião do vulgo, ignorando olimpicamente os medos reais de gente real. Só não entendo é o espanto das mesmas elites quando, na solidão da cabine, o povo vota com esse medo – e muita...

Regresso à selva

João Pereira Coutinho Correio da manhã 15.05.2016  Os ‘direitos dos animais’ podem ser um regresso à selva.  O Papa Francisco lamenta a compaixão por animais e a indiferença perante o próximo. Cliché? Não creio. A observação relembra-nos por que motivo os ‘direitos dos animais’ passaram a ser tópico quente. As razões são religiosas: como defendem vários especialistas na matéria, os animais só passaram a figurar na preocupação dos humanos quando Deus foi declarado morto e enterrado. Se nós já não somos feitos à imagem e semelhança do Criador, então somos meros seres vivos sem nenhum estatuto especial. Racionais? Esqueçam: como informava recentemente o ‘New York Times’, parece que até os insectos têm capacidade de reflexão. A prazo, não será de excluir que a posse de um animal seja equiparada à escravatura. E que o uso de insecticidas seja uma forma de ‘genocídio’. Curioso: a Humanidade conseguiu sair da selva; mas com os animais postos no altar, teremos a selva novam...

Pequenos deuses

João Pereira Coutinho | Correio da manhã | 14.05.2016 No debate sobre a eutanásia quem nos protege dos médicos?  Soubemos agora que, na Holanda, doentes com depressão severa podem pedir a injecção letal. E os médicos agem em conformidade. Estranho. Eu julgava que uma pessoa com doença psíquica grave talvez não fosse um caso de lucidez em matérias de vida ou morte. Enganei-me. O depressivo pode ser alegadamente incurável; mas, na hora da eutanásia, ele recupera a saúde mental para uma escolha irreversível. É também por isto que a ‘eutanásia’, o próximo tema ‘fracturante’, me gela os ossos. Nas discussões da praxe, fala-se dos direitos do doente a uma ‘morte digna’. Mas esquecemo-nos dos abusos dos médicos, que também existem. Como lembra um autor que aprecio (David Callahan), o juramento de Hipócrates não é uma mera formalidade. É uma barreira ética contra a tentação de qualquer médico em exceder os seus limites e, por acção, omissão ou sugestão, comportar-se como um pequen...

Professor Martelo

João Pereira Coutinho | Correio da manhã | 08.05.2016 00:30 Como foi possível levar a sério o acordo ortográfico? Entendo as razões dos defensores do acordo ortográfico. Também entendo as razões pelas quais uma criatura acredita que é Napoleão Bonaparte. Mais difícil de compreender é o motivo que leva uma classe política inteira a seguir com respeito Napoleão Bonaparte. O problema do acordo nem sequer é técnico ou jurídico. Isso é óbvio: qualquer um sabe que aquilo é uma aberração linguística (a grafia como mera transcrição fonética?) e uma ilegalidade completa (lembrar as acrobacias jurídicas que se fizeram sobre o texto original). Sem falar da ambição autoritária de submeter 300 milhões de falantes a um capricho racionalista. O problema do acordo é termos tido vários governos que, reverentes e analfabetos, foram ratificando, modificando e legislando como se o acordo fosse mesmo para levar a sério. Se Marcelo ajudar a acabar com esta farsa, a sua Presidência já terá valido a pena...

Parabéns, António

João Pereira Coutinho CM 30.04.2016 00:30 António Costa ficará para a história: BE e PCP já são europeístas  António Costa ficará para a história. Para começar, conseguiu fazer um governo com o apoio do Bloco e, Deus meu, do PC. Mas isto, que é notável, não se compara ao milagre de ontem: a esquerda radical, que andou dias e dias a rejeitar o Programa de Estabilidade, acabou por apoiá-lo contra o projecto de resolução do CDS. É verdade: Costa conseguiu fazer do PC e do Bloco dois partidos europeístas, que acatam as ‘ingerências’ de Bruxelas com a mansidão própria dos partidos ‘burgueses’. Comentários? Apenas dois. O primeiro é que os princípios dos comunistas, por mais rígidos que sejam, transformam-se em pó quando o ódio à ‘direita’ fala mais alto. O segundo é que, daqui em diante, quando os portugueses apanharem com mais ‘austeridade’, não será possível escutar os gemidos de Jerónimo ou Catarina com cara séria. Parabéns, António. Contra todas as previsões, foste tu que o...

Nem com bofetadas

João Pereira Coutinho | Correio da manhã | 09.04.2016 01:45 Soares, em pose de vítima, não prescinde do direito à palavra.  O caso João Soares mostra bem o sentimento de ‘impunidade’ da nossa esquerda. Ontem, o ex-ministro ameaçava e insultava dois cronistas. O País não gostou. Soares, com visível enfado, pediu desculpas caso tivesse ‘assustado’ os visados. Esta reles pilhéria (o homem gosta do Eça), longe de acalmar o fogo, incendiou o pardieiro. Soares, resignado, pediu desculpas sem abusar da ironia. A demissão, manifestamente, não lhe passava pela cabeça. Nem a ele, nem ao primeiro-ministro, que pelos vistos não a exigiu de imediato. O máximo a que Costa se permitiu foi lembrar que Soares já pedira desculpas; e que um ministro deve comportar-se com a dignidade inerente. Até no café. Este cortejo de abuso e cobardia terminou com o pedido de demissão. Não pelo reconhecimento do erro. Mas porque Soares, em pose de vítima, reclama o direito à palavra. Uma criatura destas n...

Aceitam-se apostas

João Pereira Coutinho | CM 26.03.2016 00:52  Marcelo enfiou a cabeça no cepo para o que der e vier.   Corre por aí uma tese segundo a qual Passos Coelho é um líder ‘isolado’. Foi reeleito com votação norte-coreana? Ilusório, dizem os ‘especialistas’. António Costa aguenta-se. O apoio das esquerdas também. E até Marcelo dá uma caridosa ajuda, adoptando o governo como seu. Exactamente como Cavaco fez com Sócrates no início. Os dias de Passos estão contados. Acredito que estejam – se o país, milagrosamente, cumprir as fantasias que o Orçamento promete. Mas se o futuro não for risonho, a única personagem que eu vejo ‘isolada’ nesta valsa não é Costa, nem as esquerdas. É Sua Excelência, o Presidente da República, que continua tão apaixonado por si próprio que até enfiou a cabeça no cepo para o que der e vier. Como se a popularidade fosse eterna e impermeável à pobreza e à falência. Passos espera. Marcelo entusiasma-se. Não é preciso ser um génio para ver que só um deles sa...

O sexo dos anjos

João Pereira Coutinho | Correio da Manhã 06.03.2016 Pela igualdade de género, António Costa devia usar um biquíni.  O país tremeu com a discriminação sexista que a McDonald’s pratica em Portugal. Já não era sem tempo. Eu próprio testemunhei várias vezes a angústia das crianças no momento da imposição do brinquedo. Lembro-me de um menino – talvez 4 ou 5 anos – que, apesar de já usar saia e de experimentar um leve salto alto, teve como brinde um super-herói, quando os seus olhos estavam pousados num pónei cor-de-rosa. Felizmente, a McDonald’s pretende alterar esta política; e a sra. secretária de Estado da Igualdade promete acompanhar a mudança e, quem sabe, promover outras. Não pretendo influenciar a agenda igualitária do governo. Mas os próprios ministros, em dias alternados, podiam mudar de figurino só para dar o exemplo: Mário Centeno de vestido, Francisca Van Dunem de fato e gravata. E, nos meses de Verão, o sr. Primeiro-ministro podia usar um biquíni.

Regimes de dieta

João Pereira Coutinho | Correio da manhã 26.02.2016 O neoliberalismo causa obesidade. Só o comunismo é que não.  Não se riam: o ‘neoliberalismo’ causa obesidade? A médica Isabel do Carmo diz que sim e eu assino por baixo. Se o ‘neoliberalismo’ é responsável pelo enriquecimento de uma sociedade, é óbvio que o excesso de tonelagem não se fica apenas pela aristocracia ou pelo politburo. Os quilos são democraticamente distribuídos pela plebe, que pela primeira vez na história sabe o que é comer até rebentar. Claro que exageros são sempre exageros – e talvez Isabel do Carmo tenha outros modelos como terapia. Na União Soviética, na década de 1930, havia mais formosura nas ossadas do povo, apesar de 7 milhões (no mínimo) terem exagerado na dieta. E na China, entre 1959 e 1961, o Grande Salto para a Elegância deixou ficar 35 milhões (no mínimo) pelo caminho. Hoje, perante um Ocidente balofo, só o povo adelgaçado da Coreia do Norte oferece uma esperança – e um exemplo. Saibamos ho...

Salve-se quem puder

 João Pereira Coutinho Correio da manhã 21.02.2016  Partidos que aprovarão o orçamento já estão a afastar-se dele.  Começa amanhã o festival do Orçamento do Estado no Parlamento e, originalidade democrática, nenhum dos partidos que o irão aprovar acredita no mostrengo. Razão simples: de que vale devolver rendimentos às famílias quando, ao mesmo tempo, se esmaga as famílias com um aumento de impostos encapotado e vil? O desastre cheira-se à légua. É por isso que, nos discursos partidários, já se ensaiam as estratégias de fuga. Enquanto o PS chora pela virgindade perdida do esboço original e acusa Bruxelas (e a direita instalada por lá) de conspirar contra a Pátria, o Bloco e o PCP regressam ao lugar do crime: a renegociação da dívida, claro, um tema popular e explosivo, que pode ser detonado a qualquer altura. Quando essa altura chegar, e o navio começar a meter água, a nossa ‘troika’ de esquerda já sabe onde estão os botes salva-vidas. Os portugueses, esses, que ...

Cirurgia plástica

João Pereira Coutinho Correio da manhã 06.02.2016  A diferença entre Passos e Costa não é só ideológica; é estética.  Nos tempos em que Portugal imprimia moeda, a austeridade tinha outro sabor: os salários podiam ser intocáveis, mas a inflação roubava o que tinha a roubar pela porta do cavalo e ninguém relinchava. António Costa pertence a esta escola: as suas medidas de austeridade (ou de ‘rigor’, para usar a nova gramática) limitam-se a subir impostos (ou a ‘agravá-los’, como agora se diz) em sectores tão etéreos como os combustíveis, as empresas ou a banca. Na realidade, os impostos de Costa atingem o investimento, o crescimento e o custo de vida – mas a ilusão permanece entre o zé-povinho porque os portugueses sentem que ninguém lhes mexe no bolso. No fundo, e sem possibilidade de usar as rotativas, Costa devolve com uma mão o que a economia real rouba com a outra. Ao contrário do que se diz, a diferença principal entre Passos e Costa não é só ideológica; é estét...

Quem cai? O que teremos primeiro: novas eleições ou nova bancarrota?

João Pereira Coutinho Correio da manhã 23.01.2016 É a mancha original que não sai: como cumprir os compromissos com Bruxelas no OE para 2016 e, ao mesmo tempo, contentar a extrema-esquerda doméstica? António Costa não sabe. Tenta: depois de atirar à parede um défice de 2,8%, o governo já fala em 2,6% para ‘convencer’ a Europa. Pena que a Europa não se convença. Nem a Europa, nem os analistas, nem os ‘mercados’: o crescimento económico previsto é um delírio; a receita tem limites; os cortes na despesa são o contrário da prática em curso. Não admira que, perante este histórico, as taxas de juro, nossas velhas amigas, já dêem sinais de nervosismo (e subida). Em 2016, o país começa a remar para o passado. E a única pergunta relevante é saber o que teremos primeiro: eleições antecipadas (com a queda de Costa) ou uma nova bancarrota (com a queda do país)? No fundo, a missão do próximo presidente é dar-nos a resposta.

Pobres alunos

João Pereira Coutinho | Correio da manhã | 15.01.2016 Abolição dos exames é uma traição aos alunos mais pobres.  Se um demónio me perguntasse qual a melhor forma de promover a ‘desigualdade’ na educação, na sociedade e até na economia, a minha resposta seria simples: acabar com os exames nas escolas; alimentar entre os mais pobres a ‘ilusão’ da ‘aprendizagem’; e deixar que os mais ricos, em casa ou nos colégios privados, pudessem fazer as suas carreiras. Um destino destes não se deseja a ninguém. Mas o mais cómico, tragicamente falando, é que este é o programa das festas que um governo de esquerda (palavra de honra) pretende implementar no sistema educativo. Sem exames, não há notas; sem notas, não há ‘desigualdades’; sem ‘desigualdades’, a escola será finalmente um espaço inclusivo. Elaborar sobre este ‘raciocínio’ seria partilhar da mesma imbecilidade que reina na 5 de Outubro. Melhor fazer um minuto de silêncio pelos alunos pobres que o Governo se prepara para atraiçoar. ...