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O filósofo de Bolsonaro?

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DANIEL PEREIRA    26.10.2018   OBSERVADOR O filósofo Olavo de Carvalho não é ideólogo de ninguém. Ele não é agente político ou representante ideológico. Para ele, o círculo da hierarquia pessoal não se sobrepõe ao círculo da verdade. Anda um espectro pelo Brasil — o espectro de Olavo de Carvalho, aquele a quem certos formadores de opinião denominam de ideólogo da direita (ou da “nova direita”) e da campanha de Jair Bolsonaro. Mas afinal, quem é o filósofo Olavo de Carvalho? Olavo de Carvalho nasceu em 1947 no Brasil, mas reside actualmente nos Estados Unidos da América, em Richmond (Virginia), a partir de onde transmite as aulas do Curso Online de Filosofia e os cursos avulsos do Seminário de Filosofia a milhares de alunos. O cineasta Josias Teófilo registou parte da sua rotina, e uma centelha do seu pensamento, no documentário “ O Jardim das Aflições ”, eleito o melhor filme da 21ª edição do Cine PE. Saudado pela crítica como um dos mais originai...

Serei a couve do Natal?

FÁTIMA PINHEIRO Observador 24/12/2015 Evitemos a tentação de vegetarmos na existência; e atiremo-nos antes a ela, com toda a liberdade, o empenho e a afeição. Três Conversas com Eduardo Lourenço é o meu recente livro, saiu a semana passada. Estamos no Natal e o livro fala de couves. Por isso escrevo este artigo, que é o meu presente para estes dias e noites, mais ou menos felizes ou santos. E adianto já que não quero ser a couve. Umberto Eco espantou-se um dia — contaram-me anteontem — pelo facto de os seus netos não saberem o que era o presépio. Eu já nada me espanta. Não é tudo à la carte? Uma cambada de couves é o que felizmente somos. Mas a luta não é minha. Meu só a liberdade. Poderá haver melhor? O livro nasceu de um encontro improvável. Não nos conhecíamos. Admirava-o. Cruzámo-nos numa recepção, abordei-o e o pensador ouviu-me. Achava-o hermético, ele foi simples. E alguém sugeriu: passem a livro! Falámos de tudo: fé, razão, Europa, família, educação, filosofia e arte, ...

Um Frankenstein do nosso tempo

Paulo Tunhas observador 5/11/2015, 8:11 Somando tudo, há coisas mais sensatas do que ser obrigado a levar a sério Catarina Martins ou presumir alguma boa-fé em António Costa ou cultura democrática em Jerónimo de Sousa. Para quem não faça da realidade política o objecto principal do seu estudo, um dos inconvenientes dos períodos de turbulência política, com o seu cortejo de indeterminações, medos e anseios, é que uma pessoa trabalha pior. Tenho sentido isso na pele. Mesmo tendo alguma facilidade, e até algum treino, em manter as coisas em gavetas separadas, quando a grossa ventania entra pela casa dentro os papéis voam e misturam-se. Ora, esta espécie de união poliafectiva das esquerdas que António Costa tem andado criar é uma tempestade a sério. E Deus sabe como eu gostaria que ela acabasse, para não ter, para conseguir trabalhar direito, de me transformar numa espécie de eremita, mesmo daqueles eremitas que, como dizia o outro, sabem os horários dos comboios. Desgraçadame...

A dívida cristã à Grécia

P. Gonçalo Portocarrero de Almada observador 28/2/2015 Se a herança judaica situa a mensagem cristã no contexto da história de um povo, o pensamento helénico prepara o espírito humano para a compreensão da doutrina de Cristo como verdadeiro conhecimento. São quatro as razões da minha dívida para com a Grécia. Devo-lhe, em primeiro lugar, uma irmã gémea que, sendo Helena, é 'grega', como o seu nome indica. Em segundo lugar, devo a Aristóteles a sua dialéctica, tema da minha dissertação académica. Devo também, em terceiro lugar, à capital grega o ano em que lá vivi, com a minha família. Mas, sobretudo, enquanto cristão, devo muitíssimo à pátria da filosofia. Se o Cristianismo tem um antecedente histórico, qual é a tradição judaica, de que nasce e de que ele é, na perspectiva cristã, a plena realização, tem também um outro precedente, a que se deve a sua estruturação como verdadeiro saber: o pensamento filosófico grego. Cristo não surge do nada, nem a relig...

A lição de Filosofia de Manuel Maria Carrilho

Henrique Monteiro Expresso,  Quarta feira, 30 de outubro de 2013 Várias gerações, sobretudo depois de o positivismo do séc. XIX se ter afirmado no campo do pensamento, entenderam que a educação, a ciência, a cultura e o conhecimento em geral tornariam as pessoas e as sociedades melhores. A cada conquista educacional, mais uma luz brilharia sobre as trevas. O mal não era algo em si mesmo, como de certa forma defendera Santo Agostinho, mas a consequência da rarefação do bem. Mais tarde, sobretudo com a II Guerra Mundial, os trabalhos de Hannah Arendt e romances como o de Primo Levi ('Se Isto é um homem') colocaram o mal noutro domínio. Haveria nele uma banalidade, uma possibilidade aberta a qualquer homem. Recentemente, as teorias sobre a convicção, em que trabalhou afincadamente talvez o melhor filósofo português dos últimos 50 anos e precocemente falecido Fernando Gil (irmão do também filósofo José Gil), voltaram a recentrar a questão: por que motivo duas pessoas com ...

Estoril

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Gonçalo Portocarrero de Almada ionline 29 Jun 2013 - 05:00 De 24 a 26 de Junho passado teve lugar, no emblemático Hotel Palácio do Estoril, a 21.a edição do Encontro Anual Internacional de Estudos Políticos, promovido pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que contou com a participação do International Forum for Democratic Studies, de Washington, D.C.; do King's College de Londres; do Royal Institute of Phylosophy, também de Londres, etc. Por um muito amável convite do professor João Carlos Espada, director do Instituto de Estudos Políticos, e da Dr.a Rita Seabra Brito, directora do programa, tive o privilégio de participar em algumas das sessões, bem como no Winston Churchill Memorial Dinner, que foi presidido pela embaixadora do Reino Unido em Lisboa. Seguiu-se uma excelente palestra de Allen Packwood, director do Churchill College, de Cambridge, que deliciou a assistência com uma muito interessante e interpelativa exposição, subordinada ao...

200 anos. Kierkegaard, filósofo da liberdade

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3 maio 2013 | Presseurop | De Groene Amsterdammer De Groene Amsterdammer , 3 maio 2013 A 5 de maio, diversas cerimónias, em todo o mundo, comemoram o bicentenário do pensador dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855). A esse propósito, o jornal De Groene Amsterdammer sublinha um renascimento do interesse pelo "Sócrates de Copenhaga", que se explica pelas suas reflexões sobre a existência do indivíduo, a tomada de consciência de si próprio e do seu futuro. Os seus ensaios sobre "a possibilidade [do indivíduo] de atingir a sua autenticidade através da sua liberdade fazem com que Kierkegaard tenha, novamente, uma enorme atualidade [...] apesar de ele conferir ao indivíduo uma missão que é fundamentalmente diferente dos encorajamentos que atualmente encontramos nos manuais desenvolvimento pessoal".

Tempo e prioridades

Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que "sim". O professor então pegou numa caixa de fósforos e esvazio-a dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "sim". Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um "sim" retumbante. O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos ter...

Filosofia

DESTAK | 20 | 10 | 2011   10.47H João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt Na quinta-feira passada a declaração do Primeiro-ministro sobre o Orçamento foi um grande choque. Quando acabou parece que o país ficou suspenso alguns segundos, sem saber o que dizer. Logo a seguir recuperou o fôlego e as palavras jorraram. «Estado de emergência social», «choque brutal», «austeridade a sério» foram expressões sucessivamente repetidas. No sábado o silêncio de quinta-feira explodiu em indignação em várias cidades, aliás seguindo o exemplo de outros países, com tumultos que diziam representar a democracia. As palavras de ordem foram muitas e os espíritos andaram exaltados. Faltou a única coisa que faria sentido aqui: uma alternativa. Ouviram-se acusações, indignação e insultos, culpados e análises. Muitos explicaram teorias e apontaram os terríveis inconvenientes das medidas na nossa vida: estagnação económica, desemprego, falências, vasto drama social. Todos têm razão. O problem...

Filosofia e religião

por João Carlos Espada, Publicado no i-online em 17 de Abril de 2010 Como o ateu mais conhecido do mundo mudou de opinião": este é o subtítulo de um livro recente do professor Anthony Flew ("There Is a God: How the World's most Notorious Atheist Changed His Mind", 2007/2008). Não posso avaliar se ele era ou não o ateu mais conhecido do mundo, mas era seguramente bastante conhecido. TEOLOGIA E FALSIFICAÇÃO Em 1950, numa sessão do Oxford University Socratic Club, presidida por C. S. Lewis, Flew apresentara uma comunicação que ficou famosa: "Theology and Falsification". A tese era inspirada na teoria da refutação de Karl Popper e pretendia excluir a hipótese de existência de Deus com base no argumento de que essa hipótese não era susceptível de refutação (Popper, diga-se de passagem, nunca subscreveu esse argumento de Flew). Mais tarde, Flew desenvolveria o argumento em dois livros com bastante sucesso: "God and Philosophy" e "The Presumpti...