Fazer política
DN 2011-08-17 CARLOS ABREU AMORIM O último livro de Tony Judt, entre nós nomeado como Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, é uma análise "à esquerda" sobre algumas das encruzilhadas fomentadas pela degeneração do Estado social (em azedo estado de negação, portanto) e possui o condão de comprovar que o seu autor é muito melhor a historiar as agruras do nosso tempo do que a pensá-lo. Contudo, Judt faz uma interrogação essencial, em que me revejo, acerca da compulsividade actual de "limitar as considerações de política pública a um mero cálculo económico", reduzindo a lógica de apoio "a questões de lucros ou perdas". Salvaguardando as devidas distâncias com o caso português, cuja tradição tem sido a alegre dissipação de fundos públicos, não restam dúvidas de que hoje se abandonou a premissa básica que ensina que todas as decisões económicas dos poderes públicos são políticas e, como tal, deverão ser tratadas e exteriorizadas. Bem sei que ca...