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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: António Sousa da Câmara

Informação

António Câmara RR 17-05-2013 14:11 Aprender a optimizar a utilização das infra-estruturas de informação, a nível individual e colectivo, vai determinar o nosso sucesso. A melhor solução para quem perde uma carteira em Londres é ir à esquadra mais próxima. A polícia londrina tem acesso a uma rede inigualável de câmaras de vídeo cobrindo espaços públicos. Os holandeses descobriram que tinham que alterar rotas de aviões que descolavam de Schipol, avaliando as vendas de aspirinas em farmácias localizadas na área de influência do aeroporto. Essas vendas eram muito superiores à média nacional devido ao ruído e as resultantes dores de cabeça em milhares de residentes. Analisando as pesquisas no Google podemos inferir o número aproximado de mulheres que suspeitam estar grávidas a nível local, nacional e global. Estes casos ilustram o potencial das infra-estruturas de informação que estão a ser desenvolvidas internacionalmente. Aprender a optimizar a sua utilização, a nível individual...

O cérebro e a educação

RR on-line  05-04-2013 17:29 por António Câmara O cérebro, sendo um órgão social, necessita de abertura a outros cérebros. Ambientes positivos criam essa abertura. Situações negativas limitam-na. O psicólogo americano Louis Cozolino aplica as lições de neurociências à educação, no seu novo livro. Entre as lições referidas, há duas que são especialmente relevantes. Em primeiro lugar, Cozolino recomenda que os professores devem estimular um clima de optimismo, encorajamento e benefício da dúvida na sala de aula. O cérebro, sendo um órgão social, necessita de abertura a outros cérebros. Ambientes positivos criam essa abertura. Situações negativas limitam-na. Cozolino propõe também que os professores comecem por abordar os problemas de forma global, deixando aos estudantes a exploração de detalhes. Deste modo, a compreensão e memorização de conceitos são facilitados. Estas lições são relevantes não apenas para o processo de ensino escolar, mas também para a construção de uma...

Teletrabalho

António Sousa da Câmara, RR on-line 08-03-2013 17:09 Trabalhar a partir de casa aumenta a satisfação com o emprego, anula o tempo de transporte e contribui para horários mais compatíveis com uma vida familiar. O Yahoo seguia uma política liberal em relação ao local de trabalho dos seus empregados. Muitos podiam trabalhar a partir das suas casas, comunicando remotamente com a empresa. Marissa Mayer, a nova líder, acabou com essa possibilidade. Todos os Yahoos, nome pelo qual são conhecidos os trabalhadores da empresa Californiana, passaram a ter que trabalhar obrigatoriamente na sede da empresa. A medida de Mayer não foi bem aceite. Na revista Economist contesta-se também a sua razoabilidade: estudos mostram que a produtividade é menor em cerca de 13% trabalhando na empresa.  Trabalhar a partir de casa aumenta ainda a satisfação com o emprego, anula o tempo de transporte e contribui para horários mais compatíveis com uma vida familiar. Como se pode comprovar em todas as e...

A Economia da Inveja

RR on-line 22-02-2013 António Câmara Tem dominado em Portugal e caracteriza-se por o sucesso dos outros ser sempre atribuído a factores que não o mérito e o esforço. O reitor da Harvard Business School escrevia, na principal revista da sua instituição, que existem dois tipos de países: aqueles em que domina a "economia da ambição" e os países em a inveja é o factor determinante na economia. Os primeiros são usualmente países ricos. No grupo dos segundos encontram-se alguns dos mais pobres, das diversas regiões do globo. Numa "economia da ambição", o sucesso dos outros é celebrado: se outros conseguem ter sucesso, então nós também poderemos ser bem sucedidos, se trabalharmos com esse objectivo. Na economia da inveja, o sucesso dos outros é sempre atribuído a factores que não o mérito e o esforço. E ninguém o celebra. Em Portugal, tem dominado a "economia da inveja". Espero que a crescente internacionalização da nossa juventude ajude a criar um dia...

Crescimento rápido

RR on-line 12-10-2012 11:27 por António Câmara Portugal deve também promover o seu próprio crescimento rápido e criar um ecossistema que apoie aqueles que têm o talento e a ambição para fazer a diferença. Muitas das principais empresas europeias foram fundadas no início do século XX. São raras as grandes empresas criadas na Europa nos últimos 50 anos, e menos ainda as que cresceram de forma explosiva. O European Institute of Technology (EIT), uma iniciativa da União Europeia, pretende contribuir para um regresso aos excitantes tempos de Benz, Siemens e Renault. O EIT inclui iniciativas em tecnologias de informação, clima e energia em que participam algumas das principais empresas, grupos universitários, e investidores na Europa. Portugal deve também promover o seu próprio crescimento rápido. O EIT escolheu os empreendedores para serem os actores principais do “filme” que pretende realizar. Esse é também o caminho que Portugal deve trilhar: criar um ecossistema que apoie aquel...

Empresários

Dez mil empresas fecharam as portas no primeiro semestre deste ano, contribuindo para um aumento significativo do desemprego. RR on-line 13-07-2012 14:17 António Sousa da Câmara Lamenta-se profundamente a sorte dos trabalhadores destas empresas. Mas não nos podemos esquecer dos empresários.   O estereótipo do empresário em Portugal é de alguém com educação reduzida, explorador, e “encostado” ao Estado. Este estereótipo é terrivelmente injusto.   Muitos dos nossos empresários enfrentam riscos pessoais impensáveis para poder pagar salários neste momento. E a crise actual é de tal modo devastadora que, entre as dez mil que faliram, há certamente empresas que seriam viáveis noutras condições de mercado.   O problema não está tanto nos empresários que temos, mas sim naqueles que poderíamos ter se pessoas preparadas estivem dispostas a correr os riscos associados à criação de novas empresas. Portugal seria mais rico. E a taxa de desemprego bem menor.

Das 9h às 17h

António Câmara 20-04-2012 16:02 Nos EUA como em Portugal, quem sai cedo é criticado, e fica em desvantagem perante quem fica até tarde, mesmo se for mais produtivo. Na área tecnológica, as longas horas no trabalho foram sempre consideradas um pré-requisito. Mas Sheryl Sandberg, Directora Executiva do Facebook, teve a coragem de proclamar que só trabalha das 9h às 17h, porque quer acompanhar a família. Esta afirmação causou um burburinho na Web. Nos EUA como em Portugal, quem sai cedo é criticado, e fica em desvantagem perante quem fica até tarde, mesmo se for mais produtivo. Mas em Portugal como nos EUA, a norma deve passar a ser o horário de Sheryl e não as maratonas laborais que cumprimos diariamente. Trabalhamos para viver; não devíamos viver para apenas trabalhar.

Os novos Centros Comerciais

António Sousa da Câmara RR on-line 02-03-2012 16:40 Os centros comerciais gigantescos são icónicos na paisagem urbana americana. Mas quem visita Austin, no Texas, é surpreendido pelo que os americanos consideram ser o centro comercial do futuro. Chama-se Domain. Fui visitá-lo e deparei com ruas e praças com lojas. Uma versão ultra-moderna de bairros como Campo de Ourique ou Algés. Em Austin, os centros comerciais tradicionais definham. O novo bairro Domain prospera, gerando emprego e atraindo novos clientes. Se copiarmos o novo modelo de centros comerciais, como copiámos o modelo anterior, talvez possamos salvar os bairros que restam e restaurar a vitalidade nos centros urbanos que a perderam.

Relação com o tempo

RR on-line António Sousa da Câmara 17-02-2012 15:47 As nossas universidades são hoje frequentadas por estudantes vindos de toda a Europa. Tenho leccionado perante turmas que representam o mosaico Europeu e as diferentes atitudes perante o tempo: os estudantes do Norte da Europa chegam cinco minutos antes das aulas começarem; alguns dos nossos estudantes começam a ser pontuais; mas muitos outros “vão chegando”, em grupo como outros Europeus do Sul, durante o primeiro quarto de hora da aula. Quando saírem da universidade vão ter de se adaptar a um Mundo em que a relação com o tempo tende a ser crescentemente mais rigorosa. Neste aspecto, Portugal é um País de extremos. Criámos uma máquina fiscal implacável e quase nórdica. Mas mantemos um sistema judicial que me faz lembrar o que se dizia do tenista Ivan Lendl: era tão lento que nem sequer o podíamos cronometrar com um calendário. Cabe a estas novas gerações mudar a justiça, elevando a sua eficácia (e a relação com o tempo) para...

Exportações

RR on-line 20-01-2012 11:21 António Câmara As exportações de Portugal representam 35% do Produto Interno Bruto. A média europeia ronda os 60%. Aumentar as nossas exportações é assim uma palavra de ordem recorrente. Podemos fazê-lo atraindo investimento estrangeiro para instalar multinacionais, como no caso da Autoeuropa. Podemos também aumentar a capacidade exportadora de das empresas existentes. Estas duas alternativas têm limitações consideráveis: a competição actual para obter investimento estrangeiro; e o crescimento incremental das industrias tradicionais. Portugal tem, no entanto, dois recursos ilimitados:  o Mar Português; e os nossos cérebros. Se convenientemente explorados poderão resultar num aumento significativo das nossas exportações. A exploração do Mar é exigente financeiramente e vai demorar dada a complexidade do acesso e vastidão dos recursos. Mas a criação de uma economia baseadas no talento intelectual dos Portugueses é a opção mais imediata para cri...

Marca Portugal

António Câmara RR on-line 2012-01-13 Há problemas estruturais a que temos de dar atenção primeiro. Ontem, num evento realizado em Lisboa, falaram-se dos produtos “made in Portugal”, culminando uma notável iniciativa do "Diário de Notícias". Falaram-se de produtos nos sectores tradicionais e em áreas tecnológicas. Mas a discussão começou por centrar-se não no “made in…” mas sim em Portugal enquanto marca. A questão é que hoje quaisquer esforços que possam ser feitos de promoção, não apagam a imagem de um país à beira da bancarrota, que subitamente passou também a ser tema de artigos negativos sobre o seu insucesso escolar, a morosidade da justiça e a lenta burocracia. Deste modo, antes de pensarmos na marca Portugal, temos que, em primeiro lugar, resolver os problemas estruturais que liquidam actualmente a nossa reputação.

Mitos

António Sousa da Câmara RR on-line 20-05-2011 14:11 Angela Merkel recomenda que os portugueses , copiando os alemães, trabalhem mais e tenham férias menos longas. Mas os portugueses já trabalham mais horas diariamente e têm menos oito dias de férias anualmente do que os alemães. A produtividade é o nosso calcanhar de Aquiles. A nossa inferioridade, nesse domínio, está intimamente ligada à nossa deficiente organização e ineficiente gestão. Por exemplo, o licenciamento de um projecto hoteleiro demora na Alemanha três meses; em Portugal, muitas vezes mais do que dez anos. O problema não está no tempo dedicado pelos profissionais envolvidos nos processos de licenciamento nos dois países. Uma questão deste tipo inclui, em Portugal, um número considerável de instituições com poder, mas sem responsabilidade. Na Alemanha, há poder e responsabilidade na autoridade que confere os licenciamentos. Temos que redesenhar as nossas organizações para que problemas concretos, como o referido, sejam ...

República das Letras

RR on-line 23-04-2010 19:37 António Câmara Na ilha da Terceira mora um dos projectos educativos mais interessantes do País: a República das Letras. A República funciona em sistema tutorial. Miguel Monjardino, docente da Católica, é o tutor.  Os estudantes vêm dos últimos anos das escolas do ensino secundário da ilha. Miguel Monjardino guia-os através da leitura acompanhada e contextualizada dos clássicos de autores como Eurípides, Homero, Plutarco, Sófocles, Tucídedes,e  Ésquilo.  As sessões semanais são descritas exemplarmente por Laura Brasil, uma das antigas alunas da República: "É assim que defino os meus sábados à tarde… não uma janela, mas uma escada para o Mundo. Os degraus que nos levam ao passado, à razão e à justificação de nós próprios, dada em conselhos dos grandes mestres intemporais, os gregos da Antiguidade que no presente ainda têm palavras cheias de voz sábia que se fazem ouvir. Mas estas duas horas ganhas ao fim de semana são, também, a criação ...

Tempo e atenção

RR online 16-04-2010 20:01 Há dois recursos crescentemente escassos nas nossas vidas: tempo e atenção.  Na gestão do tempo, de que já falei neste espaço,  há três componentes fundamentais a optimizar: o tempo gasto em deslocações; o tempo gasto em reuniões; e o tempo que gastamos a recuperar de interrupções. Com os novos sistemas de teleconferência de alta qualidade  vai ser possível minimizar o tempo gasto em deslocações no âmbito local e internacional. Muitas empresas limitam o tempo das reuniões a uma hora. Uma boa sugestão para a gestão das reuniões em instituições portuguesas. As interrupções implicam sempre mais cinco minutos de tempo de recuperação do fluxo de trabalho. Temos que transformar mensagens síncronas em assíncronas para eliminar interrupções. Sem essa transformação nunca teremos os blocos de tempo necessários para reflectir e imaginar. Em relação à captação da atenção, estou convicto que vamos ter um novo tópico no nosso ensino: como criar surpresa...

Jornais desportivos

António Câmara RR online 26-02-2010 18:45 Quando fui para os Estados Unidos da América, em 1977, deixei de ter acesso a jornais portugueses. Adaptei-me lendo jornais americanos. Mas houve um jornal insubstituível: o então tri-semanário A Bola . Amigos meu prontificaram-se a assiná-lo perante a minha saudade. Era com prazer imenso que lia de ponta a ponta os números de A Bola que me chegavam com um atraso de vários dias. Portugal tem actualmente três diários desportivos. Espanha tem dois, sendo quatro vezes maior. Mas a situação Portuguesa é ainda mais distintiva pelo facto dos nossos jornais desportivos terem tiragens superiores à maioria dos nossos diários de referência. Como explicar esta situação? Alguns dizem que ela se deve à nossa incultura. Mas há certamente intelectuais a lerem A Bola , o Record e O Jogo . O facto de Portugal ter equipas competitivas internacionalmente em futebol é outra das razões possíveis para a imensa legião de leitores desses jornais. Mas não é fácil e...

Opinião de António Câmara

António Sousa da Câmara, RR online, 20091218   Foi lançado recentemente o livro “Encontro com Maria Ulrich” de Maria do Rosário Lupi Bello e Maria de Fátima Pinheiro. Neste livro, as autoras partem do exame do legado documental e de entrevistas com pessoas que conheceram Maria Ulrich, para traçar o perfil da obra desta notável educadora Portuguesa. Maria Ulrich pretendia mudar o Mundo e achava que a educação era a via para o conseguir. Criou notáveis espaços educativos, nomeadamente a sua escola de formação de educadoras. Acreditava também que a educação devia ser norteada por valores, que no seu caso eram os valores cristãos. Maria Ulrich entendia a educação como um processo essencial para o desenvolvimento da liberdade e criatividade. A educação devia contribuír para o desenvolvimento pessoal, num quadro de elevados padrões de qualidade. Maria Ulrich odiava a mediocridade e a banalidade. Maria Ulrich tinha e alimentava sonhos de grandeza. Algo raro na ...