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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Rui A.

um país de bandidos

Blasfémias , 19 SETEMBRO, 2016 by   rui a. A filosofia do governo da geringonça consiste numa ideia muito simples: as coisas não correm bem porque há um bando de tratantes que foge ao fisco e que se esconde por trás do sigilo bancário. Isto tem sido dito, à boca cheia, pela menina Mortágua, o que até se compreende, e foi sacramentado por António Costa num discurso deste fim de semana, onde ele disse que o estado tem o direito de não se deixar enganar por estes malandros, pelo que lhes terá que ir às contas bancárias. A diabolização do inimigo é, em política, uma técnica muito velha, conhecida e tratada pelos clássicos, de Maquivel a Carl Schmitt e Julien Freund. Ela tem várias finalidades, entre as quais a de dar coesão ao grupo, de o desresponsabilizar pelos erros cometidos e, principalmente, de justificar um ataque violento aos que estão de fora. No caso das contas acima de mais de 50 mil euros, o governo prepara-se para lançar uma suspeição generalizada sobre ...

indigência mental

Blasfémias 19 SETEMBRO, 2016 by   rui a. Uma das frases mais reveladoras da indigência mental a que chegou boa parte da sociedade portuguesa é essa coisa de que  «quem não deve não teme» . Repetida até à exaustão, como se de um mantra se tratasse, tem-nos enchido particularmente os ouvidos desde que o governo PS apresentou, irresponsavelmente, a intenção de permitir a devassa das contas bancárias com depósitos superiores a 50 mil euros. Logo uma turba de camelos apareceu por aí a repetir,  ad nauseam , que  «quem não deve não teme» . A questão é, obviamente, outra. Não está em dever ou deixar de dever, em temer ou deixar de temer, mas em que nada legitima que seja quem for, um funcionário das Finanças ou um agente da Pide, possa mexer no que não lhe pertence sem ter uma boa razão para isso. A razão é a suspeita de fuga ao fisco? Então, já existe uma lei para resolver essa dúvida. De acordo com ela, o sigilo fiscal cairá se houver essa suspeita em relação a...

o melhor do que aí vem não será melhor do que o pior do que aí está

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Blasfémias 24 JUNHO, 2016 by   rui a. Começo por dizer que considero o projecto comunitário a mais generosa e nobre realização política dos nossos tempos, que foi um privilégio ter vivido nela e beneficiado dela, e que vejo o resultado do referendo inglês como uma tragédia de consequências incalculáveis. Apesar da retórica contra-corrente e dos exercícios múltiplos de história alternativa, a verdade é que, graças a ele, a Europa comunitária viveu, de 51 até aos dias de hoje, um extenso período de paz, desenvolvimento e prosperidade, de que todos beneficiámos, inclusivamente os seus críticos mais violentos. Isto, para mim, é o essencial. Como qualquer realização humana, o processo comunitário é naturalmente sujeito a inúmeras críticas. Infelizmente, quando vejo que elas unem a extrema-esquerda e a extrema-direita, sou levado a desconfiar. É que é próprio da metodologia dos extremos realçar o negativo, para excitar as consciências e disso tirar dividendos rasteiros, obscu...

princípio da confiança

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Blasfémias 10 MAIO, 2016 by   rui a. Abra uma escola privada num local onde não exista nenhuma escola pública. Arrisque o seu capital, tempo e trabalho onde o estado não quis arriscar. Depois contrate professores e funcionários, de preferência com contrato efectivo de trabalho para combater a famigerada «precariedade laboral». Para melhorar a qualidade da sua escola vá buscar dinheiro ao banco e avalize pessoalmente o empréstimo com os seus bens pessoais. Assuma compromissos com fornecedores. Com muito esforço, ao fim de alguns anos a sua escola é um sucesso: os alunos aprendem e obtêm bons resultados nos exames nacionais. Um dia, um governo cheio de ministros iluminados, resolve olhar para o local onde você fez a sua escola e constata que não existe lá nenhuma escola em que possa mandar. O ministro da tutela pega no dinheiro dos contribuintes e cria lá uma. Depois corta o financiamento que lhe dava para receber os alunos que não podem pagar propinas e...

O «direito fundamental» a morrer

rui a. |  Blasfémias  | 10 FEVEREIRO, 2016 A esquerda, que, com frequência, prega o ateísmo, acredita que a perfeição não é do outro mundo, mas deste. Num mundo perfeito não há lugar à dor, à tristeza e à tragédia. Num mundo perfeito as pessoas vivem felizes e saudáveis para sempre. E não deveriam envelhecer, nem adoecer, nem transformarem-se num transtorno para os outros e para si mesmos. Esse mundo perfeito pressupõe que atacar tudo que atente contra ele se transforme num «direito fundamental». Até mesmo a morte, quando a vida se torna já difícil de suportar. Pois bem, a morte não é um direito fundamental, mas uma fatalidade incontornável da natureza humana. E, por melhor que a vida nos corra, ela acabará sempre mal. Não é, portanto, necessário transformar a morte num «direito fundamental», como a esquerda indígena se prepara para tentar fazer, porque ela está assegurada pela natureza das coisas. Não carece de protecção constitucional, porque se realiza por si mesma. Ma...

Campanhas negras

Blasfémias , 29 SETEMBRO, 2015 by   rui a. A campanha do PS submergiu, de há duas semanas, numa campanha negra de casos e casinhos contra o governo. É um erro grave, que em boa parte explica o fracasso deste partido nas sondagens. Porque, quem estava decidido a votar nos partidos do governo, não é com estas tretas que mudará de voto: por fidelidade partidária, por acreditar que estes «factos» não passam de campanha, ou as duas coisas juntas, não haverá desvios de voto significativos por causa disto. Em contrapartida, em relação aos indecisos, com quem o PS deveria estar preocupado, também não é por salientar os deméritos alheios que o PS conseguirá evidenciar as suas excelsas qualidades. Os indecisos querem ser convencidos a votar em alguém e não propriamente a não votar em terceiros. Não por acaso, o PS continua a descer nas sondagens, enquanto a Coligação mantém as intenções de voto há semanas. Alguém sensato que lembre aos estrategas do PS os resultados da última campa...

Cortar o mal pela raiz

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Rui A. Blasférmias, 2015.04.30 Do lado direito, a comovente história de uma mulher, mãe solteira no desabrochar da juventude, que procura o filho gay – não que tenha nada de mal – e político – mais questionável – vendido por freiras malévolas a abastada família norte-americana que lhe proporcionou uma infância banal. Do lado esquerdo, a pragmática história de um hospital com aval de juiz para evitar histórias comoventes como a do lado direito.

recordando um célebre “merceeiro do porto”

8 AGOSTO, 2014 Blasfémias  by rui a. Semanas depois de ter enfiado 900 milhões de euros numa empresa já reconhecidamente falida, e de aparentemente o ter feito sozinho, sem ter sequer consultado os seus colegas da administração , o cidadão Granadeiro apresentou a demissão de todos os cargos que exercia na PT. Alega só agora o ter feito para cuidar dos interesses dos accionistas, que, a avaliar pela forma exemplar como os tem ultimamente defendido, lhe devem ter ficado imensamente gratos por mais estes preciosos dias passados à frente da empresa. Quanto à massa "emprestada", uma "pipa" dela, como diria o cessante presidente Barroso, foi-se pelo ralo da pia ou pelo cano de esgoto, conforme as preferências de estilo. Já sobre as razões que o terão levado a  tomar tão notável acto de gestão, que ditou o fim dos seus dias à frente da empresa (dessa e de outra qualquer, num país normal), Granadeiro limitou-se a dizer que a auditoria mostrará "que agi nos int...