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A mostrar mensagens de Julho, 2009

O vírus da gripe A é anticlerical

Por Pe. Gonçalo Portocarrero Almada In: Ubi Caritas , 20090731 A nota pastoral relativa aos cuidados a ter nas celebrações litúrgicas, por causa do vírus da gripe A, deu-me que pensar. Não sendo um documento de natureza científica, nunca supus que pudesse revelar a natureza do terrível vírus H1N1, mas a verdade é que esse texto esclarece definitivamente a sua maléfica estirpe. É significativo que não se desaconselham determinados comportamentos em geral, mas apenas nas celebrações litúrgicas. Tendo em conta que a moderna concepção da caridade cristã pugna sobretudo pela imunidade pessoal e, só depois, pelo amor ao próximo, era de esperar que os pais católicos fossem impedidos de beijar os seus filhos, mas nenhum zeloso pastor veio ainda proibir que os imprudentes progenitores osculem a sua extremosa prole, a não ser que o façam na Missa. Também seria de supor que os noivos fossem impedidos de se beijarem, mas também não consta que nenhum pároco tenha, até à data, imposto este hi

Férias

· O Povo vai de férias durante o mês de Agosto.

Sé Velha de Coimbra

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Alarme

João César das Neves Destak 30 | 07 | 2009 08.04H O papel da comunicação social é decisivo na sociedade mediática e nem sempre é bem compreendido. Sendo o espelho da comunidade, os meios informativos acabam frequentemente acusados dos males que apenas revelam. Ao mesmo tempo é preciso dizer que a forma alvoroçada e sensacionalista com que em geral relatam as questões desvirtua a sua nobre função. Se não for grave não merece atenção e por isso tudo deve ser relatado da maneira mais assustadora possível. Muitas vezes os repórteres parecem abutres à espera do deslize, da crise, do agoiro. O que corre bem não lhes interessa e tudo o que é mau aparece empolado, repetido, escalpelizado. O argumento usado é que o público merece ser informado. Mas o mesmo facto é relatável de formas muito diferentes, e os repórteres não têm de escolher sempre a mais alarmista. Um bom exemplo passa-se agora com a "pandemia da gripe". Os sucessivos jornais, escritos ou falados, insistem em

As pedras preciosas no tesouro da Colegiada de Santiago do Cacém

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G. K. Chesterton, beato?

Zenit, 20090715 Paolo Gulisano explica as virtudes do escritor britânico Por Antonio Gaspari ROMA, quarta-feira, 15 de julho de 2009 ( ZENIT.org ).- Gilbert Keith Chesterton, o escritor inglês inventor da figura do célebre padre-investigador Pe. Brown, e e autor de numerosos textos de narrativa e ensaios apologéticos, poderá ser beato. Após a apresentação desta proposta às autoridades eclesiásticas, ZENIT entrevistou Paolo Gulisano, vice-presidente da Sociedade Chestertoniana Italiana e autor da primeira biografia em italiano do grande escritor: “Chesterton e Belloc – Apologia e profecia” (Chesterton & Belloc – apologia e profezia, Editora Ancora). – Quem promove o pedido de beatificação? – Gulisano: Quem propôs a beatificação de Gilbert Keith Chesterton foi a Associação cultural a ele dedicada, a Chesterton Society, fundada na Inglaterra em 1974 (por ocasião do centenário do nascimento do grande escritor) com o fim de difundir o conhecimento da obra, o pensamento e a figura deste

Curso de especialização em Arquitectura de Igrejas

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Frase do dia

Justiça na vida e na condução do Estado só é possível se primeiro reside na alma e coração dos cidadãos Platão

Frase do dia

Excelência é uma arte que se domina com treino e habituação. Não agimos correctamente porque temos a virtude da excelência, mas podemos possuí-la porque agimos correctamente. Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um acto, mas um hábito Aristóteles

A ética da estética

João César das Neves DN20090727 Magritte é um grande génio, dos maiores de sempre. Os seus quados interpelam-nos de uma forma inesperada Qual o valor ético da arte? A pergunta hoje surge aberrante. A arte é a arte, e está acima das questões humanas. Os autores sentem-se com a função eminente de criar coisas novas e por isso superiores aos demais. Num tempo que recusa o sublime e o transcendente, os valores estéticos ocupam o lugar do divino. Não parece fazer sentido sujeitar a arte a coisas como a ética. O papel dos trabalhos artísticos mudou muito através dos séculos. Na origem é provável que música e pintura das cavernas tivessem propósitos mágicos ou encantatórios. Com a chegada da civilização, mudou a função mas não o tema. A maioria dos artistas da Antiguidade trabalhava representando o divino, nos templos dos deuses e nos palácios do faraó ou imperador, deuses visíveis. A situação manteve- -se na Cristandade com a arte sacra dominante. Deste modo, se os artistas perd

Abriu uma fábrica

PÚBLICO, 26.07.2009, Miguel Esteves Cardoso Ainda ontem A primeira vez que me chamou a atenção foi quando comprei o fac-símile do manuscrito de The Waste Land e fui procurar aos dicionários o que queria dizer a dedicatória de Eliot ao poeta que o editou no bom sentido que o verbo também tem: "For Ezra Pound: il miglior fabbro." São duas línguas estrangeiras - o inglês e o itálico -, mas vão no mesmo italiano. Segundo percebi, fabbro era fazedor; artesão; técnico; jeitoso; profissional da coisa; acabador de acabamentos. Logo (o que Eliot queria dizer), melhor (mas não maior; isso não) escritor. Passam-se mais de vinte anos e eu venho viver para Colares, longe do qual; não sei como; estive sempre vivo, mas triste. Não saber o que se está a perder é capaz de ser a ignorância mais daninha desta vida. Parece que ganhamos com isso (ignorance is bliss, blá blá blá), mas o que acontece é acumular-se uma dívida acerba de prazer que nenhum tempo, por muito abençoado e be

25 de Julho - S. Tiago

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S. Filipe e S. Tiago, apóstolos Jacques Callot 1630 216x125mm Mackelvie Trust Collection. Auckland Art Gallery Nova Zelândia

Frase do dia

Uma das penalizações por nos recusarmos a participar na política é que acabamos por ser governados por outros piores do que nós Platão

Servi Portugal e servi Coimbra - despedida do Parlamento de Matilde Sousa Franco

INTERVENÇAO Deputada Matilde Sousa Franco 23 de Julho de 2009 Senhor Presidente Senhoras Deputadas e Senhores Deputados Nos quatro anos e meio da Legislatura, esta é a segunda vez e a última em que intervenho no Plenário. Sempre fui interessada por Política e defensora do socialismo democrático, nalguns países considerado social-democracia, seguindo os princípios do meu Mestre António Sérgio. Foi enorme honra o convite que o Senhor Secretário-Geral do PS me fez para eu ser cabeça de lista (a única mulher nesta situação), independente, dos Deputados por Coimbra, nas últimas Legislativas. Aquando do convite fui reler a Constituição; o Artigo 155º “Os deputados exercem livremente o seu mandato”, e o facto de eu ser independente tranquilizaram-me, assim como o Programa do Governo. Antes de aceitar este imenso desafio, com a maior lealdade, pus algumas condições: estando no Programa Eleitoral o referendo à IVG e defendendo o Partido a liberalização do abort

Verdade

DESTAK |23 | 07 | 2009 08.15H João César das Neves O Papa Bento XVI publicou há pouco a sua terceira encíclica. O tema não é espiritual, como compete a líder religioso, mas económico. Este facto é chocante. A economia é a coisa mais negativa, maldosa, suja do nosso tempo. Aí estão todos os escândalos, misérias e crises da actualidade. O passado temia bárbaros, pestes, feiticeiros; hoje o mal é financeiro, político, empresarial. Sobre isto, que tem a dizer um homem de Deus, um guia espiritual? " O amor -«caritas»- é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz."( 1). Falar de caridade no meio da globalização e euforia bolsista, dos casos Madoff e BPN parece sarcasmo amargo. O Papa tem consciência do problema: " Estou ciente dos desvios e esvaziamento de sentido que a caridade não cessa de enfrentar (...) Nos âmbitos social, jurídico, cultural, político e económico, ou seja, nos context

Os artistas desunidos

Helena Matos Público, 20090723 No ano da graça de 2009 um espectáculo gera polémica e terá mesmo estado para ser suspenso, em Portugal, porque o texto critica, pasme-se!, um encenador. Mais precisamente um grupo de actores pegou no texto do manifesto anti-Dantas de Almada Negreiros e adaptou-o ao século XXI. No lugar de Júlio Dantas está agora Ricardo Pais. Vai daí nasce não um escândalo, coisa que precisa de público, mas na falta dele uma sucessão de declarações e contradeclarações que não sei porquê me lembra as sessões protocolares de cumprimentos no Palácio da Ajuda: o director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Diogo Infante, afirma que já manifestou a sua solidariedade a Ricardo Pais e declara-se consternado. Os responsáveis do Opart, entidade que gere o São Carlos, também estão "consternados", pois na sua opinião "Ricardo Pais é uma referência na cultura portuguesa" e declaram ainda no PÚBLICO de ontem que "era demasiado tarde para alterar a

Tempo é uma coisa tramada

José Pacheco Pereira, Visão, 20090722 “Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999) Na Internet, com origem no You Tube e continuação nos blogues, circula uma entrevista dada ao programa Hermann99 por José Sócrates, então jovem governante em vésperas de chegar a Ministro. Toda a entrevista é interessante, mas esta parte é ainda mais interessante porque se percebe muita coisa sobre as características políticas de José Sócrates, então já com mais de quinze anos de política na JSD e no PS e dois anos de experiência governativa. É. O tempo é uma coisa tramada . E uma das coisas em que a trama do tempo nos trama é quando percebemos que nada mudou no que dizemos, mesmo quando nada do que dizemos tem (teve) alguma coisa a ver com a realidade. O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumento

Frase do dia

A mudança não tem nada de mal, se for na direcção certa! Sir Winston Churchill

22 de Julho - Santa Maria Madalena

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Santa Maria Madalena penitente Guy François 1620 - 1630 H. : 1,05 m. ; L. : 0,83 m. Musée du Louvre

Encíclica social num mundo em crise

João César das Neves 20090630 Agencia Ecclesia O mundo está em forte crise e muita gente sofre muito por causa dela. Este é o momento para o Papa dirigir uma palavra de conforto e orientação ao povo católico. Está anunciado para breve um texto longamente amadurecido, Caritas in veritate , primeira encíclica social de Bento XVI. Para além da evidente oportunidade, ela tem um significado histórico assinalável. Vale a pena ver brevemente o seu enquadramento. Há quase 120 anos, um Papa prudente e devoto teve um gesto espantoso. Ao tratar da «condição dos operários» na sua encíclica Rerum Novarum , Leão XIII estava consciente que se ia envolver na « sede de coisas novas, que há muito tempo se apoderou das sociedades e as tem numa agitação febril » ( Rerum Novaram 1), como afirma a expressão inicial que lhe deu o título. Nascia assim em 1891 a Doutrina Social da Igreja, reflexão católica contemporânea sobre as questões sócio-económicas. Leão XIII era um tomista profundo e sabedor

EU ASSUMO! O drama da diferença e da repressão de uma singularidade genética

P. Gonçalo Portocarrero de Almada Voz da Verdade, 20090621 1. Peço que me desculpem os leitores mais conservadores, a quem esta minha confissão pública possa chocar. Peço que se acolha esta minha declaração com tolerância, que é a virtude cívica que se define como indiferença ante o bem e o mal, e que, por isso, proíbe terminantemente qualquer imposição ou condenação em termos morais. Peço para mim e para todos os que sentem na pele o estigma de uma excepção que nos foi imposta pela natureza, à revelia da nossa vontade, uma plena integração social, pondo assim termo à injusta discriminação a que fomos expostos e que continuamos a padecer. Peço e exijo que, em nome da igualdade, se nos aceite como somos: iguais na diferença e diferentes na igualdade. 2. Desde que tive consciência desta minha particularidade de género, experimentei a segregação a que todos os que partilhamos esta condição somos, por regra, expostos. Com efeito, qualquer tímida manifestação desta nossa anorm