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O dono do CCB

Nuno Saraiva DN 2016.03.03 Não há nada mais pleonástico do que a dança de cadeiras de cada vez que os governos mudam. Os ministros entram e saem e, com eles, muda o pessoal político em todos os patamares da administração pública. Daí que a substituição de António Lamas por Elísio Summavielle à frente do Centro Cultural de Belém (CCB) não seja, de todo, uma novidade ou sequer uma aberração. Se olharmos para o cadastro de todos os governos, comprovamos que o que não falta são histórias de deserdados de uns e alcandorados de outros. Quando se aceita lugares de confiança política é preciso ter absoluta consciência de que esta pode extinguir-se a qualquer momento e, com isso, cessam as condições para prosseguir nos lugares. Claro que tudo seria diferente se a escolha das administrações de institutos públicos como é o caso do CCB fosse feita por concurso com óbvios ganhos de transparência e de meritocracia, sacrificando-se - e bem - a tradicional cultura do cartão partidário. Porém, o...

O PS e a dívida

Nuno Saraiva DN 20151113 O PS acordou com o Bloco de Esquerda a constituição de um grupo de trabalho para analisar e avaliar a sustentabilidade da dívida pública portuguesa que está nos 130% do PIB. Até aqui, nada de mal. Em democracia não pode haver tabus. São aliás conhecidas as posições das esquerdas sobre o assunto. Bloquistas e comunistas são pela reestruturação e os socialistas, mais prudentes, optaram sempre pela posição mais conservadora de recusar movimentos unilaterais e de confrontação que, como percebemos pelo caso grego, estão condenados ao fracasso. Hoje, porém, o responsável pelas relações externas do PS vai mais longe. Ao DN, salvaguardando que "toda a estratégia do programa do PS é dentro da União Europeia", acrescenta que não quer dizer "que não se estude". Numa altura em que o país está suspenso da decisão de Cavaco Silva sobre a indigitação ou não de António Costa como primeiro-ministro, era bom que o PS não descarrilasse e conferisse pret...

A importância dos formalismos

Nuno Saraiva DN 2015.10.16 Já lá vão 11 dias e Portugal continua à espera. Hoje, e apesar de as eleições terem determinado que a PAF ganhou, ninguém arrisca apostar em quem será o próximo primeiro-ministro. E, na verdade, não devia ser assim. É facto que PSD e CDS perderam 700 mil votos e com eles a maioria absoluta. É verdadeiro que o quadro parlamentar mudou e, por isso, as esquerdas todas somadas dispõem de mais deputados na Assembleia da República do que a direita. E é real que ninguém contava com um António Costa tão hiperativo a vender cara a derrota que lhe foi infligida. Porém, quem ande na rua e oiça a voz do país real descobre facilmente que a perceção dominante é apenas uma: Pedro Passos Coelho ganhou e por isso deve ter oportunidade de formar governo. Tudo o que saia fora desta paisagem é lido como golpada. Sabemos todos que, certamente imbuído de boas intenções mas de forma precipitada, o Presidente da República quis atalhar caminho e encarregou o presidente do PSD ...