Nossa Senhora
Tenho ao cimo da escada, de maneira Que logo entrando os olhos me dão nela, Uma Nossa Senhora de Madeira Arrancada a um Calvário de capela. Põe as mãos com fervor e angústia. O manto Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto; E uma expressão de febre e espanto Quase lhe afeia o fino rosto. Mãe das Dores, seus olhos enevoados Olham chorosos, fixos, muito além... E eu, ao passar, detenho os passos apressados Peço-lhe: - A sua bênção, Mãe! Sim, fazemo-nos boa companhia, E não me assusta a sua dor; quase me apraz. O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia! Só isso bastaria a me dar paz. "Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo, Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz Que eu bem entendo: "Eu sei! Teus filhos somos nós". José Régio (1901-1969) _____