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MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O I DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (19 DE NOVEMBRO DE 2017) « Não amemos com palavras, mas com obras» 1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» ( 1 Jo  3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as  palavras vazias ,   que frequentemente se encontram na nossa boca, às  obras concretas , as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf.  1 Jo  4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf....

Sem abrigo, mas com muita fé

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WWW.OPUSDEI.PT              09.04.16 Jorge (34 anos, órfão) é um dos muitos jovens que a crise económica deixou na rua. A empresa de fabrico de móveis de cozinha em que trabalhava fechou e ficou sem salário. Passado pouco tempo já não podia pagar a renda do andar onde vivia e viu-se obrigado a recorrer à mendicidade. O sítio onde o Jorge dormia até há pouco.  Ao estar sozinho e não ter apoio familiar, optou por abandonar uma das grandes cidades-dormitório nos arredores de Madrid para ir para a capital. Primeiro foi dormir para debaixo das arcadas da Praça Maior, mas na primeira noite enquanto dormia roubaram-lhe o pouco que tinha (roupa, calçado, alimentos, etc.). No dia seguinte decidiu mudar de lugar e escolheu uma rua do Bairro de Salamanca, próxima de um Centro da Obra. A sua nova “moradia” passava a ser o pequeno espaço de uma entrada para o armazém de uma loja de moda de luxo. Todas as noites se metia com um saco de dormir dentro de um...

Papa Francisco :: Revolução da ternura II

CARTA DO PAPA FRANCISCO A JULIÁN CARRÓN (CL) D.S.M., 30 de novembro de 2016 Reverendo Padre Julián, agradeço-lhe e a toda a Fraternidade de Comunhão e Libertação os donativos, recolhidos durante as peregrinações, que generosamente quiseram enviar-me para as Obras de Caridade. Faz bem ao meu coração e consola-me muito saber que, de mais de duzentos Santuários marianos na Itália e no mundo, tantas pessoas tomaram o caminho da misericórdia no espírito da partilha com os necessitados. Os pobres, com efeito, remetem-nos para o essencial da vida cristã. Santo Agostinho ensina-nos: “Há pessoas que mais facilmente distribuem todos os seus bens pelos pobres, em vez de tornarem-se elas mesmas pobres em Deus”. Esta pobreza é necessária porque descreve o que temos verdadeiramente no coração: a necessidade d’Ele. Por isso vamos ter com os pobres, não porque já sabemos que o pobre é Jesus, mas para voltar a descobrir que aquele pobre é Jesus . Santo Inácio de Loyola, por sua vez, acrescenta que:...

Os Pobres de Estimação

VASCO MINA   WWW.CORTA-FITAS.BLOGS.SAPO.PT    11.12.16 Li, há muitos anos, o Livro “Peregrinação Interior” de António Alçada Baptista. Nesta obra, autobiográfica, o autor descreve, ente vários outros temas, a sua relação com a Fé e como esta caminhou ao longo da sua vida; o testemunho partilhado no livro marcou-me muito na altura e várias foram as reflexões que ainda permanecem na minha memória; uma destas refere-se à forma como a sociedade (no caso, as senhoras de famílias abastadas da Covilhã) tratava a pobreza e em concreto aqueles viviam nesta realidade e, neste contexto, encontrei a expressão “pobres de estimação”; o autor destacava, com muita ironia, a “defesa” que cada senhora fazia dos pobres que cuidava e depois discorria uma reflexão sociológica que vale a pena ler e por isso sugiro a leitura do livro. Tudo isto a propósito de uma  entrevista  de Maria Filomena Mónica (MFM) ao Público em que fala quer do livro “Os Pobres”, que recentemente p...

Desigualdades em Portugal

Manuel Villaverde Cabral Observador 24/9/2016 A redução das desigualdades dependerá sobretudo da troca de impostos indirectos sobre o consumo, que afectam proporcionalmente mais os «pobres», por impostos directos sobre o rendimento. O Professor Carlos Farinha Rodrigues do ISEG é o grande especialista português da desigualdade económica em Portugal e apresentou ontem o seu  novo estudo promovido pela FFMS  sobre o período crítico de 2009 a 2014 . O tema é hoje um domínio de investigação altamente sofisticado graças à contribuição de décadas de  Anthony Atkinson , de quem Carlos Farinha foi discípulo e que já veio a Portugal várias vezes por iniciativa da FFMS, a qual publicara há pouco tempo  importante material sobre a questão . Sofisticada como é, nem por isso o estudo da desigualdade económica deixa de constituir um domínio permeado por toda a sorte de problemas teóricos e metodológicos, bem como filosóficos e políticos, frisando frequentemente o terreno...

Ricos e pobres

POVO  22.09.16  Não se consegue fazer os pobres mais ricos, tornando os ricos mais pobres Winston Churchill

A riqueza de Teresa

João César das Neves DN 20160915 Santa Teresa de Calcutá é uma mulher que faz sonhar a humanidade. A sua canonização pelo Papa Francisco no dia 4 coroou uma vida que há muito inspira todos os que a conheceram. E foram multidões, pois a comunicação social fez da sua figura franzina um ícone mundial da caridade. Naturalmente a cerimónia fez redobrar a atenção sobre a sua vida e obra. Nem sempre se falou do essencial. É fácil enganar-se acerca de Santa Teresa. Porque o que é importante nela não é o que fez, aquilo que criou ou quem foi. O importante é Jesus Cristo. A única grandeza da pequena Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, albanesa nascida em 1910, foi ter-se aberto totalmente a Jesus, sendo fiel toda a vida ao que Ele queria dela. A sua obra grandiosa não veio das suas mãos, mas de Quem as guiava. Coisas como estas nunca se conseguem com esforço. Apenas com fé. O esforço é grande; mesmo muito grande. Tão grande que não pode vir do próprio, mas do sopro do Espírito. Isso mesmo explico...

For the first time, less than 10 percent of the world is living in extreme poverty, World Bank says

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Washington Post By  Adam Taylor   October 5 at 12:32 PM   The World Bank provided some relief from bad news this week with some fresh, positive data: For the first time ever, it estimates that the number of people around the world living in extreme poverty will fall below 10 percent. Using an updated international poverty line of USD $1.90 a day, the Bank estimated that global poverty has fallen from 12.8 percent of the world's population in 2012 to 9.6 percent of the global population in 2015. The new figures raise hopes that extreme poverty could be eliminated in the near future, the bank said. “This is the best story in the world today — these projections show us that we are the first generation in human history that can end extreme poverty,’’ Jim Yong Kim, president of the World Bank, said in a statement. The new figures are certainly remarkable when you consider that just 25 years ago more than a third of the world was li...

Direito ao espaço

JOÃO CÉSAR DAS NEVES DN 20150603 É tão fácil destruir a liberdade! Os atentados de déspotas, terroristas e magnatas permanecem, apesar dos avanços da civilização. Mas aquilo que mais manifesta a fragilidade da autonomia é ver dirigentes que, apesar de pergaminhos democráticos e juras ideológicas, caem em violações dos direitos mais fundamentais, esquecendo aquilo mesmo que afirmam defender. A cidade de Lisboa assiste a um caso evidente destes, perante a apatia generalizada. Um espaço público tem como característica central ser público. Retirar a um munícipe o direito de circulação nas ruas é um abuso que até as ditaduras têm relutância em cometer. Mas é mesmo isso que, de forma crescente, acontece aos automobilistas lisboetas devido às poeticamente denominadas zonas de emissões reduzidas. Estas, que talvez se compreendessem no circunscrito centro histórico, ocupam já a maior parte da cidade, representando uma das mais descaradas violações dos direitos básicos de cidadania na d...

Piketty em Lisboa e o culto igualitário da pobreza

JOÃO CARLOS ESPADA Público 04/05/2015 - 05:38 O mais efectivo instrumento de combate à pobreza, como repetiu Winston Churchill, é a liberdade. A visita de Thomas Piketty a Lisboa, na passada segunda-feira, produziu um curioso impacto político. Não é todos os dias que um académico, convidado por uma instituição cultural independente, aceita avistar-se com um candidato a primeiro-ministro e com um candidato a presidente da república, ambos da mesma área política. Como observaram vários analistas, não é seguro que esta politização tenha valorizado o argumento intelectual de Piketty. Outro elemento curioso desta visita foi a aceitação quase unânime entre nós do alegado problema colocado por Piketty: o problema da desigualdade de resultados nas economias ditas capitalistas. Toda a gente parece concordar com a asserção de que existe à partida um problema na desigualdade de resultados (a qual deve ser distinguida da pobreza e da exclusão social). Por essa razão de partida, o prob...

A lei dos pobres

JOÃO CÉSAR DAS NEVES DN 2013.03.25 Em tempos a lei ocupava-se de culpados e criminosos; agora trata sobretudo de inocentes em actividades pacíficas, subitamente fora da lei. Os motivos dessas proibições e castigos são sempre excelentes; o resultado é perda de liberdade. Exemplo recente são os sacos de plástico, passando de banalidade a multa. De repente, transformou-se em transgressão grave, certamente por razões ponderosas, aliás longamente escalpelizadas na imprensa. É impressionante o esforço legislativo, inspectivo e produtivo envolvido nesta grave questão que, até há semanas, era corrente e vulgar. Nunca o humilde saquinho julgou merecer tanta notoriedade. Antes desta moda eram outros os comportamentos ordinários que mereciam a atenção das autoridades. Elas já nos tinham protegido dos bandidos que nos queriam assassinar com brindes de bolo-rei, gasolina com chumbo ou sabonetes sólidos e toalhas de pano em casas de banho públicas. Se alguém perguntar, por exemplo, o que faziam...

Pobreza? Tenham decência, nem sabem do que estão a falar

Gabriel Mithá Ribeiro observador 17/2/2015 Quem teve de viver na miséria, na diferença racial, como eu vivi, ou que se viu forçado a recomeçar do nada sabe o cuidado, o recato, a ponderação exigíveis quando se mexe em dignidades esfrangalhadas A retórica política transformou a pobreza em artilharia pesada das fraturas ideológicas entre a esquerda e a direita ultrapassando os limites da decência para legitimar a superioridade moral de um dos lados da barricada. Descendo de famílias pobres e de secular tradição emigrante. Do lado paterno, o católico, a ascendência resulta da miscigenação entre árabes sírios e autóctones moçambicanos. Do lado materno, o islâmico, a ascendência vem de indianos gujarate (de provável ancestralidade paquistanesa) e mestiços de cruzamentos entre originários do Índico e autóctones moçambicanos.  Depois de viverem noutras cidades, os meus pais fixaram-se no Xipamanine, subúrbio da antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, cidade onde nasc...