Paulo Tunhas Observador, 2016.03.31 O jogador de xadrez deve pensar que o adversário visa a sua destruição no tabuleiro. Uma das glórias maiores de Maquiavel foi precisamente ter levado esse tipo de pensamento às últimas consequências. A questão do lugar do outro, e a questão das razões pelas quais nos devemos colocar no lugar do outro, são velhas questões da filosofia. Não das mais velhas, certamente, pelo menos se tivermos em conta a sua formulação explícita, mas mesmo assim velhas questões. Em Leibniz e Kant, por exemplo, no seguimento do cristianismo, elas encontram-se claramente formuladas. E, como quase todas as questões filosóficas verdadeiramente substantivas, por mais abstractas que a linguagem filosófica as faça parecer, elas são susceptíveis de serem traduzidas na linguagem da nossa experiência comum que, à superfície e no fundo, é sempre aquilo que interessa mais. O que diz respeito a todos, ou a quase todos, é sempre aquilo que interessa mais. Leibniz é, como se...