Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Política: África

A guerra das escolas em África

Imagem
José Maria C.S. André Correio dos Açores,  Verdadeiro Olhar,  ABC Portuguese Canadian Newspaper,  Spe Deus, Clarim 11-IX-2016 Como as antigas colónias inglesas de África não seguem o calendário escolar da Europa, pude aproveitar o mês de Agosto para visitar várias escolas em funcionamento. Ao entrar numa escola do Uganda, a primeira impressão é ter chegado ao império britânico. Cada estabelecimento de ensino tem uma farda própria, que geralmente inclui saia para as raparigas e gravata para os rapazes. Crianças ou «teenagers», ninguém escapa. O espaço abunda e, no Uganda, a mais de mil metros de altura, os relvados são verdejantes: de repente, a pessoa imagina-se em Inglaterra. Em contraste, os edifícios são muitas vezes rudimentares, as paredes têm um acabamento mínimo, o chão é térreo ou com uma camada singela de cimento. Melhor que visitar escolas, foi falar com o Prof. Charles Sotz. Tive a sorte de o apanhar de férias no Uganda e aproveitei...

O tempo de Luaty

Tomaz Dentinho |  Igreja Açores  | Out 19, 2015  Sabemos que não há sistemas políticos perfeitos. No entanto há sistemas que evoluem e se adaptam ao contexto que regulam e outros que evitam a mudança mas provocam a catástrofe. Em Portugal, desde há um tempo a esta parte, preferimos esta segunda estratégia de aparente estabilidade até que surge o desastre. E assim aceitámos as ruturas do Liberalismo, da República, do Estado Novo, do 25 de Abril e da Troika, com todos os custos de destruição e atrasos de desenvolvimento que esses colapsos implicaram. Talvez por afinidade cultural parece que o regime de Luanda vai preferindo esta estabilidade desequilibrada e, com a esperteza de 40 anos de guerra, evitando grandes mudanças. Só que a estabilidade em desequilíbrio gera mecanismos de desastre e por isso é importante escutar os sinais daqueles que têm a coragem de expressar o que vêm. Luaty Beirão é certamente a pessoa para salvar, salvando Angola. Tenho um grande respe...

Os africanos estão loucos?

Imagem
José Maria C.S. André Correio dos Açores,    Verdadeiro Olhar,    ABC Portuguese Canadian Newspaper,    Spe Deus,    30-VIII-2015 A notícia é extravagante, mas o contexto não fazia prever nada de especial. No momento em que escrevo, terminou há pouco o encontro e o comunicado final está a ser distribuído em Kinshasa. De 21 a 25 de Agosto de 2015, centenas de jovens, representantes de todos os países de África, debateram a «Educação para uma cultura de paz e de reconciliação». Reconheço que nunca dei nada por estas jornadas, promovidas pela Assembleia das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM) e acolhidas em Kinshasa pela Conferência Episcopal da República Democrática do Congo (CENCO). Nunca se viu uma confusão de centenas de jovens surpreenderem o mundo com conclusões geniais. E o tema, desta vez, era coisa meio chocha. Tinha tudo para ser previsível. Parecia óbvio, o que havia que dizer, e realmente fo...

Perto do rio dos ‘Bons Sinais’ de Vasco da Gama

Gabriel Mithá Ribeiro Obseravdor 16/8/2015 Caminhei cerca de oito quilómetros a pé da ‘cidade de cimento’ de Quelimane ao bairro periurbano da Madal, no norte de Moçambique. Passada a primeira povoação, continuei na única estrada de terra batida ladeada por mangais despovoados. Ao início da manhã havia muita gente a caminhar em sentido contrário em direção à cidade. Iam a pé e sobretudo de bicicleta, muitas fazendo de ‘táxi’. Também circulavam umas poucas motorizadas. Em qualquer caso, algumas transportavam sacos com sal, farinha, carvão, milho, amendoim, fardos de lenha, havia um cabrito rechonchudo torturado a cordas contra o suporte da bicicleta, entre outros bens que, em geral, iriam ser negociados nos mercados da cidade. Como eu e o guia que me acompanha, poucos eram os que ao início da manhã se afastavam da cidade. Entre esses, uns quantos transportavam bens trazidos da cidade: tábuas polidas, portas de casas, grades de bebidas como a ‘2M’, a cerveja nacional, entre outros. E...