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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Pedro Braz Teixeira

Fracasso económico e orçamental

Pedro Braz Teixeira  ionline 19/08/2016 A estratégia económica deste governo está duplamente errada e já está a produzir os piores resultados. O primeiro erro foi ter colocado a ênfase na procura interna, em detrimento das exportações, enquanto o segundo consiste em, dentro da procura interna, preferir o consumo privado ao investimento. O primeiro erro foi ter colocado a ênfase na procura interna, em detrimento das exportações, uma via já experimentada no passado com os piores resultados possíveis: a pior estagnação dos últimos 100 anos; um endividamento externo galopante (de menos de 10% do PIB em 1995 para mais de 100% do PIB a partir de 2009); a necessidade de pedir ajuda à troika.  Como é possível não se ter aprendido a lição e repetir exatamente os mesmos erros? Pode-se criticar as opções do anterior executivo e da troika, propondo uma terceira via, mas o que não é admissível é o regresso ao passado, porque não há quaisquer dúvidas de que foi péssimo....

Onde está o nosso dinheiro?

Pedro Braz Teixeira ionline 20160805 No 1º semestre desapareceram 3 mil milhões de euros dos depósitos das administrações públicas (excluindo a administração central) e não há explicações claras sobre isto,  tel o que é legítimo perguntar onde está o nosso dinheiro? No 1º semestre do ano, o défice público registado foi de 1,6% do PIB, o que nos colocaria a caminho de termos um défice excessivo de novo em 2016 se, na segunda metade do ano, as contas públicas se comportassem de forma semelhantes à verificada até agora. Infelizmente, há três grupos de razões que nos levam a pensar que no 2º semestre as coisas piorarão. Em primeiro lugar, porque as contas divulgadas até agora envolvem atrasos nos pagamentos a fornecedores e transferências para a UE, que terão que ser revertidos em breve. Em segundo lugar, porque o governo resolveu criar três problemas para as contas públicas, com a reposição de salários da função pública, a diminuição do IVA na restauração e a ...

Balanço

Pedro Brás Teixeira | ionline | 2015.09.19 Se o PS tivesse estado no governo nos últimos quatro anos é provável que a troika ainda cá mandasse O Público desta quarta-feira publicou uma carta confidencial que Passos Coelho enviou a José Sócrates, em Abril de 2011, tendo o jornal mentido sobre o conteúdo da missiva, ao afirmar – na primeira página – que aquele dirigente do PSD estava a “exigir” a vinda da troika. Esta desonestidade daquele que já foi uma referência do jornalismo português é, para além de eticamente reprovável, um insulto à inteligência dos leitores. Ao ler-se o texto verificam-se duas coisas: 1) o atual primeiro-ministro estava muito mais consciente das dificuldades do país do que Sócrates; 2) para além disso, mostrava-se disposto a apoiar as diligências que fossem necessárias. Esta segunda atitude não podia ser mais contrastante com a do PS de António Costa, sempre a colocar os interesses do partido acima dos interesses do país, ao ponto de ter rasgado a reform...

PREC e Alves dos Reis

Pedro Braz Teixeira ionline 2015.08.01 O que se sabe sobre o que a Grécia poderia ter feito deve acordar os seus parceiros europeus. Nos últimos dias tem sido revelado um conjunto de informações sobre o plano B da Grécia, que parece um misto de PREC com Alves dos Reis.  Em Dezembro do ano passado, ainda antes das eleições de 25 de Janeiro, o futuro (hoje já ex) ministro das Finanças, o histriónico Varoufakis, planeou o regresso à dracma de forma rocambolesca. Aparentemente, o sistema informático do Ministério das Finanças seria assaltado por um amigo de infância do ministro que criaria um sistema de pagamentos alternativo. Ou seja, a Grécia sairia do euro pela porta do cavalo, sem negociações, a pior forma possível de retirada. Felizmente, Tsipras não lhe deu autorização para avançar com o plano, o que foi o melhor para todos, a começar pelos gregos. Em Julho, um dos componentes do Syriza, a Plataforma de Esquerda, organizou uma reunião para preparar a saída força...

Desresponsabilização

PEDRO BRAZ TEIXEIRA Diário Económico  17 Nov 2014 A moção de António Costa ao Congresso do PS inicia-se mal, dizendo que o partido "não aceita a perspetiva de que as dificuldades que enfrentamos sejam responsabilidade de Portugal e dos portugueses". Isto ainda se poderia aceitar se em seguida assumisse que as responsabilidades são, no essencial, dos governos do PS, liderados por António Guterres e José Sócrates. Mas, como é evidente, não o faz. Prossegue com muito pouco rigor, remetendo os nossos problemas de fraco crescimento (que nem tem a coragem de explicitar) desde 2000, como três choques externos (para quê complicar com "exógenos"?): "a integração da China no comércio internacional; o alargamento da União Europeia a Leste e a criação da moeda única". Antes de mais, convém esclarecer que um choque externo nunca é apenas um choque externo: há sempre um conjunto de políticas públicas que o precedem, que podem tornar o país mais robusto ou ...

O 25 de Abril e a economia

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Pedro Braz Teixeira | ionline 2014-04-30 O 25 de Abril trouxe fortes perturbações à economia e agravou o choque petrolífero de 1973 O 25 de Abril de 1974 ocorreu num momento económico particularmente azarado. Em Agosto de 1971, o presidente dos EUA, Nixon, tinha declarado a fim da convertibilidade do dólar em ouro, pondo um ponto final no sistema monetário de Bretton Woods, criado em 1944. Quase três décadas de câmbios fixos chegavam ao fim, bem como a estabilidade que este sistema tinha trazido. Mais grave do que isso, o choque petrolífero de Outubro de 1973 ajudou a pôr termo a um período de ouro de crescimento, que seria seguido pela grande inflação dos anos 70. A redução do potencial de crescimento que se lhe seguiu, por toda a Europa, travou a forte emigração portuguesa dos anos 60, que tinha sido uma importante válvula de escape da nossa economia, bem como uma muito significativa fonte de rendimentos. Pode-se tentar despejar sobre o choque petrolífero de 1973...

Subir o salário mínimo?

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Pedro Braz Teixeira | ionline 2014.04.16 Aumentar o salário mínimo neste momento pode agravar o desemprego, sobretudo entre as mulheres Ao contrário do que muitíssimas pessoas desejavam que fosse verdade, os governos não podem determinar os salários na economia, que dependem sobretudo da produtividade. No caso do salário mínimo, é preciso reconhecer que este tem um impacto assimétrico no emprego. Se for definido muito abaixo da produtividade dos trabalhadores com menor produtividade (os mais jovens, sem experiência, e aqueles que têm menores qualificações), torna-se irrelevante porque as empresas pagariam sempre salários acima do mínimo legal. Se for legislado acima daquela produtividade, proíbe a contratação dos trabalhadores em situação mais frágil, agravando o desemprego neste segmento. Como os governos desprezam geralmente as leis económicas e procuram a maior popularidade, o risco de decidirem salários mínimos demasiado abaixo daquele limiar de produtividade é ins...

Autoridade e razão

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Pedro Braz Teixeira, ionline, 2013-07-31 Num país em que os argumentos de autoridade valem mais que os argumentos racionais, a asneira é rainha Em Portugal existe uma estranha originalidade. Embora, como na generalidade dos países, os políticos, como um todo, sejam avaliados de forma claramente negativa, é entre eles que a comunicação social tende a recrutar os seus comentadores. Antes de mais, convém esclarecer que isso não parece resultar de um enviesamento da comunicação social. Se os portugueses não atribuíssem valor ou interesse a esses comentários, é pouco provável que os órgãos de comunicação contratassem de forma tão esmagadora ex-primeiros ministros e ex-ministros. A parte mais preocupante desta originalidade portuguesa, que surpreende qualquer analista estrangeiro, é que, demasiadas vezes, esses ex-governantes não deixaram uma obra louvável. Ou seja, é como se o principal atributo destes políticos comentadores não fosse a qualidade mas a autoridade. A ocupação de luga...

Falta de estudo

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Pedro Braz Teixeira ionline 19-jun-2013 António José Seguro levou a Paris uma proposta que revela uma total falta de estudo Um dos maiores problemas da política portuguesa é a falta de pensamento estratégico. Esta ausência é quase total nos partidos políticos, o que é inacreditável. Como é possível que quem gere os destinos do país, ou pretende fazê-lo no futuro, não tenha uma visão de longo prazo para enquadrar a acção dos governos? O saudoso Ernâni Lopes dizia, e muito bem, que desde 1995 o país estava "à deriva", uma imagem condizente com a sua formação militar na Marinha. A minha experiência pessoal como membro do gabinete de estudos do PSD, entre 2008 e 2010, foi extremamente frustrante. A ausência de respostas às nossas propostas e comentários impediu que aquelas dezenas de pessoas, em regime de voluntariado, avançassem nos estudos, porque não faz sentido trabalhar no aprofundamento de um caminho se não se sabe se é esse que o partido quer seguir. O meu grup...

Herança liberal

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Pedro Braz Teixeira, i-online 17 Abr 2013 Ainda que não o desejasse, Thatcher ajudou a criar as bases da actual crise global A ideologia sobre as políticas públicas tende a oscilar entre dois pólos: o Estado e o mercado. A partir dos anos 30 do século passado, o pêndulo estava claramente do lado do Estado, com uma clara preferência por políticas intervencionistas. Nos anos 70 deu-se uma clara alteração deste estado de coisas, primeiro com os fracassos económicos do intervencionismo, com o surgimento da estagflação: inflação e desemprego elevados; depois com a valorização dos teóricos liberais, como Hayek e Friedman, prémios Nobel da Economia em 1974 e 1976, respectivamente; e, finalmente, com a ascensão ao poder de políticos liberais, como Thatcher e Reagan, em 1979 e 1981. Thatcher lançou um programa de liberalização da economia, com privatizações em massa, que acabaram por contagiar a generalidade dos países, para além do contributo para a liberalização política, nomeadamente ...

Ajustamento “temporário”?

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Pedro Braz Teixeira, i-online 10 Abr 2013 Todos os Orçamentos das próximas décadas se podem dividir em duas categorias: os quase impossíveis e os dificílimos Os tribunais comuns e mesmo os especializados precisam de assessoria sobre matérias não jurídicas mas, infelizmente, é raro recorrerem a elas. O Tribunal Constitucional (TC), perante a avaliação do Orçamento de 2013, também deveria ter pedido auxílio sobre economia e contas públicas, para decidir melhor. O TC pareceu estar alheado do enquadramento económico e financeiro em que o país está, mas teve o cuidado de anunciar a sua decisão, na sexta-feira ao final da tarde, depois de os mercados financeiros terem fechado. Esta escolha revelou-se duplamente sensata. Por um lado, salvou o tribunal de ser o responsável por uma subida imediata das taxas de juro, o que tornaria evidente para todos as consequências das suas decisões. Por outro, deu tempo ao governo para reagir, que este aproveitou. Ou seja, a reacção de segunda-feira n...

Lições de demagogia

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Pedro Braz Teixeira, ionline 20 Mar 2013 Os portugueses são presas demasiado fáceis para os demagogos Vou enunciar algumas lições de demagogia, não com o propósito de as elogiar e divulgar, mas com a intenção de alertar os eleitores para os seus perigos. O caso mais óbvio e mais facilmente desmascarável é o dos políticos que compram votos, seja com a oferta de ferros de engomar e outros electrodomésticos, seja com as ofertas mais ridículas, de sacos de plástico e canetas. A demagogia mais perigosa encontra--se em outras paragens, e é especialmente nociva quando é dirigida a um eleitorado particularmente pouco preparado para a detectar, como é o português. Julgo que esta falta de preparação em Portugal decorre de dois efeitos. Em primeiro lugar, do atraso na alfabetização, que só chegou verdadeiramente em meados do século xx . Em segundo lugar, da falta de cultura científica e de apreço pelo rigor, que Eça de Queiroz já salientou em "Os Maias", na voz do avô do protag...

Salário mínimo

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Pedro Braz Teixeira, i-online 13 Mar 2013 Para ajudar os mais pobres era preferível criar um escalão negativo no IRS a aumentar o salário mínimo Durante muitos anos, o salário mínimo exercia duas funções: por um lado, regulava o mercado de trabalho e, por outro, constituía um importante indexante de um conjunto muito variado de situações, em particular de prestações sociais pagas pelo Estado. Esta segunda característica era fortemente disciplinadora do salário mínimo, porque as subidas excessivas tornavam-se um pesado encargo para as contas públicas. Em 2006, com a criação do indexante dos apoios sociais (IAS), o salário mínimo perdeu a sua segunda função, o que eliminou o elemento disciplinador que existia. Liberto daquela restrição, o governo da época pôde ser extremamente generoso com o dinheiro dos outros. Dado que uma subida do salário mínimo deixou de ter impacto nas contas públicas, isso deixou mãos livres ao executivo de decretar substanciais aumentos desta remuneração b...

"O amor como critério de gestão"

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Pedro Braz Teixeira, i-online 28 Nov 2012 António Pinto Leite publicou um livro muito promissor, que traz o amor para a gestão       No dia 8 deste mês fui assistir a uma apresentação do livro de António Pinto Leite (APL) “O Amor como Critério de Gestão” (2012, Principia, Cascais), no Instituto Adelino Amaro da Costa. A síntese do livro é apresentada logo no início (p. 9): “Amor ao próximo como critério de gestão significa tratarmos os outros – colaboradores, accionistas, clientes, fornecedores, concorrentes, comunidade, futuras gerações – como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar deles.” O texto parte do preceito “O centro vital da ética cristã é o amor” (p. 23) e dos diálogos do autor com Deus: “Que queres que eu diga?” (p. 24). Teve um parto difícil, como é compreensível: “Serei capaz de suportar a exigência que o critério contém? Serei digno de colocá-lo em público?” (p. 26). É fruto, por um lado, de uma investigação racional, alargad...