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Reinos desunidos, “finis Europae”?

José Miguel Sardica RR online 15 jun, 2016 Seja do lado do “Sim” ou do “Não”, o objectivo é menos Europa, menos integração e menos interferências supranacionais rígidas. “Brexit” ou “Bremain”? “British Exit” ou “British Remain”? Falta uma semana para o referendo britânico à permanência na UE. O resultado não é certo e há sondagens para todos os gostos. O eurocepticismo moderado, ou nacionalismo soberanista (diferente do proteccionismo xenófobo), é uma segunda natureza da forma de ser britânica. William Pitt não gostava do imperialismo napoleónico, da mesma forma que Thatcher ou Cameron sempre denunciaram o absorcionismo continental e a sujeição das soberanias nacionais ao directório de Bruxelas. É a preservação desta especificidade que no fundo constitui o objectivo último dos dois lados do debate. Quer os defensores da permanência, quer os defensores da saída lutam por menos Europa, menos integração e menos federalismo, sobretudo quando este assume a forma de interferên...

Hiroxima: um meio para um fim

José Miguel Sardica RR online 01 Jun, 2016 O politicamente correto desejaria que tivesse havido um pedido desculpas pelo bombardeamento atómico. Isto não faz sentido, a não ser que se queira que a humanidade actual expie todos os males do passado. A meses de deixar a Casa Branca, foi histórica a visita de Barack Obama – a primeira de um presidente americano – a Hiroxima. Entre sobreviventes da bomba atómica detonada pelos EUA, Obama teve um discurso cauteloso e pacifista, lembrando que 1945 fora o “começo do nosso despertar moral” e apelando a que o progresso tecnológico e as revoluções científicas sejam sempre acompanhados (e balizados) por progressos humanos, sociais e morais. O politicamente correto desejaria que tivesse havido um pedido desculpas pelo bombardeamento atómico. Isto não faz sentido, a não ser que se queira que a humanidade actual expie todos os males do passado, cometidos em tempos e espaços cujos quadros mentais e morais eram muito diferentes dos nossos. I...

A escola pública e o colégio privado

José Miguel Sardica |  RR online 18 Mai, 2016 Era fatal que a fronda das esquerdas decidisse dar corpo ao seu preconceito anti privados (que é um preconceito anti cidadania). A polémica em torno dos contratos de associação do Estado com estabelecimentos de ensino particular ou cooperativo é um caso ideológico interessante, onde abundam ironias, preconceitos, agendas e mal-entendidos. Quanto às ironias, uma leitura superficial da questão obriga a reparar que, desta vez, são as esquerdas que querem racionalizar e reduzir a despesa e o lugar do Estado na educação, enquanto a direita parece fazer o papel de gastadora de recursos públicos e de advogada da presença estatal nesse setor. Mas se esta invulgar divisão de posições existe não é por si mesma, mas por aquilo que por detrás da despesa, ou da sua contenção, se revela. O combate aos contratos de associação, nos termos dos quais o Estado subsidia turmas em escolas privadas, não é, ou não é principalmente, uma questão fina...