Em Alepo há uma fronteira da humanidade
FRANCISCO LOUÇÃ 21.12.16 PÚBLICO De resto, prudência. Nenhum jornalista independente conseguiu ter acesso a Alepo e não se sabe o que lá se passa. Prudência ainda, pois na Síria nada é o que parece. As mais improváveis alianças fazem-se e desfazem-se numa guerra em que a selvajaria é sempre maior do que o que conseguimos imaginar. Portanto, os únicos heróis são a população civil, ou o pessoal médico que resistiu aos bombardeamentos de Alepo, ou os que protegeram as vítimas. Nos dois campos militares, só o horror se confronta com o horror. Em Alepo, a devastação da cidade lembra outros crimes desta dimensão e talvez por isso suscite estes momentos de emoção: isto é o que já vimos ou de que nos lembramos. Alepo é Faluja, ou os campos palestinianos de Sabra e Chatila, ou Grozni, ou Srebrenica, ou Gaza, ou também Varsóvia ou Guernica, os lugares onde um manto de bombas destroçou a vida das populações, alvos e reféns da guerra mais suja. Mas Alepo é ta...