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Outra Dimensão

Pe. António Rego Correio da manhã 05.06.2016 00:30  Chegam-nos notícias de perto e de longe, nas redes, nos jornais, no televisor, no telemóvel ou na máquina de escrever e calcular que tem um ecrã luminoso. Em poucos minutos põem o mundo a nossos pés com títulos, imagens, análises, ataques, violações, roubos, mentiras, prisões, praça onde dançamos hoje a valsa dos tempos em que nem éramos humanos.  Os séculos, culturas, mudanças, religiões, foram dando outras formas de organização e de horizonte - "coração de carne em vez de coração de pedra" (Ez11).  Podemos ficar na exposição da primeira etapa porque alimenta os nossos instintos e como que exorciza os males que nos ameaçam. Mas o mundo nem começa nem acaba aqui.  É bom consultar os sábios, santos, mártires, os que nos ensinam que a vida é breve, como fragmento diante do grande cosmos.  Que loucura é esta vivermos o tempo como se fossemos infinitos aqui?  Existe uma outra dimensão para a q...

Morte e vida de Wojtyla

Pe. António Rego Agência Ecclesia 2011-05-03 Um homem inteiro foi beatificado. Metade do mundo reconheceu esse mérito na sua fé. Outra parte na sua dimensão de homem decisivo na evolução dum século Não é fácil falar de João Paulo II após três dias de convívio próximo. Andou a nosso lado por toda a Roma, no meio de nós, na música, nas imagens, nos grandes momentos, nos cartazes, nas frases, no sorriso, no grande gesto, com uma intimidade fraterna sem qualquer véu de permeio. E na imaterialidade de quem partiu há pouco. Desde a cripta donde saiu a urna, à Basílica junto do túmulo de S. Pedro, à grande Praça e arredores apinhada de povo, solenidade e festa, vida, morte e "ressurreição" dum homem comum e invulgar a quem muito foi dado e aos poucos tudo foi tirado: a voz, o rosto, o gesto, a feição. Despojado como um Job, humilhantemente exposto naquela janela do seu gabinete onde lançou bênçãos, palavras doces e amargas, sorrisos e pombas de paz. E onde não conseguiu pronunciar a...

Inundados pelo deserto

Inundados pelo deserto António Rego A tragédia americana de 11 de Setembro tem alguma novidade sobre as que a precederam: uma gama alargadíssima de facetas, de causas e consequências, que acabam por permitir milhares de leituras, contradições, revoltas e preces. À primeira vista tudo pode resultar da grandeza da América ­ não é fácil encontrar um país que junte tantas paixões, ódios e diferenças ­ mas também se pode olhar do lado das puras regras da narrativa de uma história: um caso onde o acontecimento é o resultado de uma cadeia de operações que abre um autêntico folhetim de perguntas, a lembrar uma telenovela que se vai alterando para manter bem viva a presença expectante de quem acompanha a história. José Saramago, com a magia da sua palavra e a sua obsessão (anti?) religiosa, acha, em recente artigo, que as guerras do planeta se devem ao ³factor Deus² e que Ele, coitado, não teve, nem tem, a mais leve culpa de nada porque, simplesmente, não existe. Mas não foi o factor Deus...