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A CULPA DA SOLIDÃO

José Luís Nunes Martins,  Facebook , 2015.02.14 De quem é a culpa quando se está só? De quem está sem ninguém ou dos que dele não se aproximam? Será fácil dizer que são todos e, mais fácil ainda, que é apenas de quem se isola e fecha a porta. Difícil é mesmo assumirmos essa culpa.  Hoje o respeito pelo espaço do outro serve de desculpa à falta de boa vontade. É preciso investir muito tempo e cuidado, uma vez que estas portas  não se podem arrombar. É preciso sensibilidade e inteligência para saber o momento certo de bater à porta… e, depois, esperar. Sem pressas. Por vezes, muito tempo... A solidão forçada é a terra dos medos, que crescem fortes e de forma desordenada, destruindo as esperanças. Há até quem, assim, se julgue despedido do seu próprio futuro. Neste silêncio frio, uma palavra, um sorriso, um simples gesto de simpatia podem significar um alívio da carga e até inverter a espiral de violência contra si mesmo. Nas solidões perdidas, a fragilidade humana e a ...

A multidão, a solidão e o amor

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José Luís Nunes Martins ionline 2014.11.15 Muitos buscam na fama e na fortuna a razão da sua felicidade. Falham todos! Querida amiga, Compreendo o seu medo por uma vida que acabe em solidão e onde nunca chegue ao sucesso profissional... Julgo que deve, em primeiro lugar, aprender a viver sozinha. Mais vale só que a fingir amar. Não julgue que isto é apenas uma etapa do caminho, porque é, na verdade, algo que deve ser uma preocupação permanente mesmo de quem ama alguém e com ele vive todos os dias. Mas o nosso amor nunca é para nós! Jamais poderemos gostar de nós mesmos se não fizermos nada de bom aos outros. Amar-se a si mesmo é uma contradição, uma forma simples de dizer egoísmo.  Só quem se aceita pode esperar ser aceite por outro. É com humildade que se deve entrar e sair na vida. Não é sequer uma virtude. É a verdade. Nenhum de nós é muito importante. É fundamental reconhecer bem o nosso tamanho e importância, a fim de melhor sabermos o que podemos e devemos ser...

Cem anos sem solidão.

Rui Ramos | Observador | 5/7/2014, 23:05 Temos horror à solidão, porque o que para outros foi possibilidade de exercício espiritual, significa para nós apenas abandono ou infelicidade. Quando estamos sozinhos, estamos mesmo sozinhos Entre passar quinze minutos sozinho, sem fazer nada, e apanhar um choque eléctrico, qual a sua escolha? Investigadores da Universidade de Virgínia (EUA) fizeram a experiência, e descobriram que dois terços dos homens e um quarto das mulheres acabaram por preferir o choque eléctrico. A imprensa, como lhe competia, deu à história um ângulo devidamente apocalíptico: já nem 15 minutos aguentamos sozinhos, especialmente os homens. Como em tudo o que hoje passa por estudos, a interpretação não é clara. Os voluntários já haviam provado o choque eléctrico, e sabiam certamente que, embora desagradável, não chegava chamuscar. Por outro lado, não se lhes pediu apenas que ficassem sozinhos, mas também que não fizessem nada. Não sabemos assim ao certo o que verdad...

O inferno é a solidão

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José Luís Nunes Martins ionline 11 Jan 2014 Nunca quis ser um peso a quem lhe podia dar a mão, estragar a vida a quem podia, talvez longe dos olhares do mundo, estar também a lutar contra a angústia Era uma vez um homem que a dada altura da sua vida se descobriu sozinho. Sem compreender, sentiu-se num lugar remoto, onde não há estradas, onde ninguém mais está... nem vai chegar... Ao início tomou esta angústia como algo passageiro que se desapareceria da mesma forma como tinha aparecido, mas, depois, sentiu que o desespero se estava a instalar de forma decidida e definitiva, que se alimentava das raízes do que nele havia de bom... e que, se nada fosse feito, em breve, nada restaria do que era. ... até que chegou a um ponto onde a cada noite se confrontava com o abandono absoluto. Deitado na cama, sentia o corpo carente de um calor qualquer... mas nada... temia e tremia... e era assim que, de espírito quase esgotado, se entregava ao sono. Cada acordar era um despertar para o...

Entre mulheres

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Suzana Toscano Ionline 2013-09-27 Mais do que a vizinhança das casas, foi a solidão que aproximou as duas mulheres. A caseira subia a ladeira íngreme até à casa do monte quando a doença do marido lhe dava uma trégua. Viviam ali desde que casaram, a vida toda, sentia o tempo nos ossos, no entorpecimento das mãos, mas a maior dor eram as ruínas das casas dos vizinhos de sempre e o peso imenso do silêncio, apenas quebrado pelos gemidos do marido condenado à doença sem remédio. Na casa do monte a solidão da senhora era igual, filhos e netos distantes da vista e parcos em notícias. As duas mulheres tornaram-se amigas, arrimo último uma da outra, sobreviventes à deriva da vida que lhes ditou a mesma solidão no lugar onde ambas, de formas tão diferentes, tinham sido felizes. Os filhos vieram à terra para o enterro do pai e decidiram que a mãe iria para um lar. A despedida foi para ela uma segunda morte, enterrava nas malas despojos sem vida e sentia na boca a resignação amarga d...

Arminda e Manuel

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José Luís Nunes Martins ionline 2013-08-10 Numa tarde de muito calor, Manuel resolveu voltar a entrar numa igreja... caminhou ao longo de toda a nave central e sentou-se no primeiro banco... em silêncio interior, como se tivesse a sua alma de joelhos, tentou escutar o que ali havia... quase nada, apenas uma espécie de vazio e o sussurro do que parecia ser uma pequena oração de uma menina que, entretanto, havia chegado e ficado de pé num banco de trás... Olhou para diante e, esgotado, baixou a cabeça... e sentiu toda a sua vida ali, entre as suas mãos... Depois de alguns minutos de caos interior e como forma de se ver livre do buraco negro que se lhe abria no peito, disse em voz baixa: - Senhor, sabes quem sou. O que sinto e o que espero no desterro desta minha solidão. Mas, peço-Te, ainda assim, que me escutes... Sinto uma infernal saudade pela mulher que é o amor da minha vida, a Arminda, o Amor na minha vida... conhecemo-nos depois da juventude, aprendemos a amarmo-nos e amá...