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Uma vergonha chamada Metro de Lisboa

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 29/09/2016 Desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Se alguém tivesse dúvidas de como este país roça por vezes os limites da indigência política, económica, sindical e mediática, o actual estado do Metro de Lisboa estava aí para o provar. Embora eu corra o risco de desiludir todos aqueles que estão convencidos de que sou um beto de Cascais com motorista e caddie, a verdade é que passo a vida a andar de metro. E desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Nós já conhecíamos as escadas rolantes que não rolam. Experimentámos carruagens a abarrotar. Vimos os comboios da Linha Verde diminuírem de quatro para três composições ao mesmo tempo que o turismo explodia em Lisboa. Deparámo-nos com obras na estação do Areeiro dignas de Santa Engrácia. Aguentámos intermináveis problemas técnicos na Linha Azul ...

António Costa, Hospital da Luz e ADSE

Sofia Vala Rocha Sol, 20160606 Ao pé do Estádio da Luz, ao lado do Colombo, há um quartel de bombeiros, e ao lado deste fica o Hospital da Luz. O quartel vai ser demolido para o hospital poder ser ampliado. Foi António Costa quem deu a ordem. Estávamos em 2014 e Costa era presidente da Câmara de Lisboa, sendo Manuel Salgado o vereador do urbanismo. Decidiram demolir um quartel de bombeiros novo e moderno (é o mais moderno de Lisboa e tem apenas dez anos) para o Hospital da Luz poder crescer. A Câmara alterou mesmo o plano de pormenor (em abril de 2014), prevendo expressamente o alargamento daquela unidade hospitalar. Mas decidiu vender o terreno do quartel em hasta pública - para, segundo Manuel Salgado (que, por coincidência, fora o projetista do Hospital da Luz), garantir «transparência e equidade». Disse até que servia para aparecerem outros interessados no negócio. Curiosamente, em fevereiro de 2014, quando a Câmara ainda não tinha discutido a revisão do plano, a Espír...

Suíços rejeitam receber 2260 euros por mês só por estarem vivos

Título: Suíços rejeitam receber 2260 euros por mês só por estarem vivos Comentário: O espantoso deste título do DN não é o resultado do referendo, mas a maneira como o DN o redige. O leitor menos avisado julgaria que os suíços recusam receber uma dádiva do céu que atribuiria a cada um deles 2500 francos suíços. Porém, os suíços são mais avisados do que o redactor do DN: eles sabem bem que os 2500 francos suíços saem direitinho dos seu bolsos para suportar esta “dádiva” Notícia no DN 2016.06.05 Segundo as projeções da televisão pública, 78% dos suíços rejeitaram o referendo que previa dar um subsídio para todos. Os suíços rejeitaram, sem surpresa, a criação de um Rendimento Básico Incondicional, um projeto revolucionário que implicaria a atribuição mensal de 2500 francos suíços (2260 euros) a cada adulto e 650 francos suíços para cada criança, sem contrapartida. A ideia era a de que este subsídio, que acabaria com qualquer outro abono, iria promover a dignidade humana e o...

FILHOS DE UM ESTADO-GALINHA

Clara Ferreira Alves Expresso, 2016.02.28 Acha-se normal, no Portugal de 2016, que um homem ou uma mulher de 30 anos sejam abrangidos pelo sistema dos “pais” desde que os pais sejam funcionários públicos  ma das medidas mais extraordinárias deste Governo, ou mais estupidamente extraordinárias, é a da extensão da ADSE, o subsistema de Saúde dos funcionários públicos, a filhos até aos 30 anos. Em que consiste exatamente, para efeitos de proteção social, a figura do “filho” de 30 anos? Qual a sociedade avançada, ou mesmo a sociedade primitiva e tribal, em que um adulto de pleno direito, com idade para ser pai/mãe de família, e que deveria ser idealmente pai/mãe de família, deva ser considerado um filho-família, dependente do sistema de Saúde dos pais? Bom, parece que será apenas, para efeitos restritos, um filho de 30 anos que viva em casa dos pais e que não exerça atividade remunerada. Foi o que li em todas as notícias. Ou seja, um desempregado que vive à custa dos pais e qu...

O país subsidiado

André Macedo DN 2016.02.25 António Costa quer garantir os benefícios da ADSE aos filhos de funcionários públicos com menos de 30 anos que ainda vivam com os pais. A palavra-chave nesta proposta é: ainda. E a frase que exige ser escutada com muita atenção é: menores de 30 anos que ainda vivem com os pais. Há duas maneiras de olhar para a circunstância difícil de alguém que há muito deveria ter vida própria, casa alugada ou comprada, profissão escolhida, trabalho feito já para mostrar, mas que ainda vive debaixo do telhado do pai e da mãe. Não há dúvida de que as extremas dificuldades do país explicam em grande medida o problema. O desemprego e a falta de oportunidades, especialmente para os não licenciados - mas não só -, refletem o mau estado em que estamos. Mas dito isto, sobra o outro lado da questão. Até que ponto faz sentido estimular a economia através da subsidiação agressiva? Ajudar os que já não podem trabalhar, os mais velhos e doentes, dar a mão aos desempregados de lo...

Impostos e gordura

ISABEL DO CARMO Público 24/02/2016 O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado. Tanto o Estado Social como o Estado Austeritário baseiam a sua estrutura económico-financeira sobre os impostos. O que se tem que analisar é de quem tiram e para onde tiram. E em qual dos conceitos é que se baseia o poder instalado em Bruxelas e nos “mercados”, quando tomam a nova solução governamental portuguesa como um inimigo a perseguir, tanto mais quanto pode ser um mau exemplo. O fundamento do Estado Social estabelecido na Europa depois da II Guerra Mundial, pelo qual lutaram trabalhadores e o Partido Trabalhista na Grã-Bretanha e os Partidos Socialistas e Sociais-Democratas do Norte europeu, consiste numa forma de redistribuição do rendimento em que se vai buscar impostos a um lado, para tornar possível um Orçamento de Estado disponível para uma estrutura social com saúde e ensino universais e gratuitos e uma s...

Um país, dois sistemas

Helena Matos Observador 6/2/2016 Na prática temos dois países. E o que no país Estado muitas vezes se chama arrojo e ambição no mundo do não Estado designa-se como trafulhice ou, numa versão mais bondosa, erro grosseiro. Enquanto andamos entretidos com a oposição direita-esquerda aumenta sim a fractura entre os dois países: o primeiro país, o do Estado, que vive no Estado e ganha do Estado. E o outro país, o das empresas, dos trabalhadores por conta própria e por conta doutrem. Dir-me-ão que nenhum destes países é melhor que o outro. Ao que eu até acrescento que não se conhece uma democracia em que estes dois países não coexistam. Pois, mas nós temos um problema: o país do Estado cresceu de tal forma, tornou-se de tal forma voraz na sua procura de recursos e está de tal forma blindado nos seus garantismos que compromete todos os equilíbrios em que o regime assenta. O endividamento é apenas uma das faces dessa desmesura de um Estado cujas corporações não só legislaram e l...

E o esbulho continua

Vital Moreira, Causa Nossa, 2016.01.31 Há algumas semanas contestei   aqueles que ingenuamente pensaram que a reversão da concessão dos transportes públicos de Lisboa e do Porto não ia custar nada ao Estado . E mais recentemente vim protestar   contra a responsabilidade do Estado por esses transportes , defendendo a sua passagem para a responsabilidade municipal ou intermunicipal. Fica agora a saber-se, pelo esboço de orçamento para 2016, que só  a Carris de Lisboa e os STCP vão custar ao orçamento do Estado mais 223 milhões de euros ! Ou seja, os contribuintes de todo o país vão continuar a suportar os défices dos transportes coletivos de Lisboa e do Porto. E ninguém protesta contra este escândalo? Nenhum dos municípios que pagam os sues próprios transportes coletivos se rebela contra este  esbulho nacional em benefício de Lisboa e ao Porto !? Os transportes coletivos de Lisboa e do Porto hão-de continuar a hipotecar o equilíbrio do orçamento do Estado? ...

Hospitais e efeitos de fim de semana

Momentos económicos… e não só ,  30 de Dezembro de 2015  by  Pedro Pita Barros O recente caso ocorrido no Hospital de S. José, com a morte por falta de pronto atendimento à situação crítica de um doente, criou comoção geral, e muitas reacções. É evidente que o Serviço Nacional de Saúde falhou, e aparentemente poderá não ter sido apenas desta vez. Daqui à acusação geral de ser por causa dos cortes na saúde foi um rápido passo. Uma das reacções mais sensatas, a meu ver, foi do novo Ministro da Saúde, falando em problemas de organização, e não apenas na herança de cortes no passado. No ano passado houve também por esta altura do ano problemas nas urgências. E igualmente nesses casos, problemas de organização estiveram presentes. Simplesmente “gritar” que a culpa é da austeridade é contribuir para que a raiz destes problemas não seja tocada. É fácil dizer que se coloca mais dinheiro no sistema de equipas em prevenção na neurocirurgia, ou noutra especialidade, mas ...

“Sabemos melhor do que o Estado quem realmente precisa e porque precisa”

ANDREIA SANCHES  20/12/2015 - 08:58 Manuel de Lemos não teme o fim de alguns programas criados “numa fase de depressão profunda” do país. “O que me preocupa é o envelhecimento, os deficientes profundos, quem toma conta deles. Os cuidados continuados. Essas são as grandes questões. Não são as cantinas sociais.” Com Passos Coelho no Governo, o chamado terceiro sector, de que as 397 misericórdias que existem no país fazem parte, ganhou protagonismo. E também novas responsabilidades que eram, até há pouco, um exclusivo da esfera do Estado — em alguns locais, as santas casas e outras instituições sociais passaram mesmo a gerir a atribuição de prestações como o Rendimento Social de Inserção (RSI). Manuel de Lemos, que voltou a ser reeleito, no início deste mês, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, acredita que o Governo PS será dialogante. E acha que a transferência de competências iniciada no anterior Executivo deve continuar. “É evidente que algumas forças políti...