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Não tenhais medo, que Eu estou contigo

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 51ª DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS Tema: «“Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43, 5).  Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo» [28 de maio de 2017] Graças ao progresso tecnológico, o acesso aos meios de comunicação possibilita a muitas pessoas ter conhecimento quase instantâneo das notícias e divulgá-las de forma capilar. Estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas. Já os nossos antigos pais na fé comparavam a mente humana à mó da azenha que, movida pela água, não se pode parar. Mas o moleiro encarregado da azenha tem possibilidades de decidir se quer moer, nela, trigo ou joio. A mente do homem está sempre em ação e não pode parar de «moer» o que recebe, mas cabe a nós decidir o material que lhe fornecemos (cf. Cassiano o Romano, Carta a Leôncio Igumeno). Gostaria que esta mensagem pudesse chegar como um encorajamento a todos aqueles que diariamente, seja no âmbito profissional seja nas relaçõe...

A dimensão religiosa no jornalismo (I)

Manuel Pinto RR online 26 set, 2016 O jornalismo a sério requer atenção, conhecimento e cultura. De tudo isto se faz um profissional competente. Hoje mais ainda do que ontem. Se o jornalismo fosse a arte de compilar, dar forma e amplificar aquilo que se ouve, lê ou vê, seria muito fácil de pôr em prática. Mas para isso não eram precisos jornalistas: já teríamos as redes sociais. Produzir e publicar notícias de interesse público exige bastante mais: é preciso escolher, porque nem tudo cabe ou é relevante; é preciso destacar, porque nem tudo se reveste de igual importância e tem de ser organizado e alinhado no tempo e no espaço disponíveis. Além disso e com frequência, o que de mais importância acontece não está visível, nem é fácil de encontrar e deslindar, requerendo investigação, tempo para verificar, cruzamento de dados, capacidade de compreender e relacionar elementos e fenómenos, consultar fontes e peritos… Enfim, jornalismo a sério requer atenção, conhecimento e cul...

Verdade e mentira

POVO  14.09.16  Chamo hoje a atenção especialmente para o hábito que se enraíza no discurso público de dizer mentiras. Não são apenas imprecisões, diferentes interpretações possíveis, promessas imprudentes que acabam por não ser cumpridas, mas mentiras mesmo. Não são inverdades, são mentiras. Porque temos que estar preparados para distinguir a mentira da verdade e quem mente de quem não mente, vale a pena ler três artigos recentes que analisam esta tendência.  Em  António Costa no país do cinismo  Rui Ramos atribui isto à "teoria da narrativa" que já vem do tempo do Eng.º José Sócrates:  O princípio da teoria é expedito: não há factos partilháveis entre adversários políticos, não há informação independente dos interesses de cada um; cada partido pode e deve construir a sua própria "realidade", sob pena de viver na realidade imposta pelo seu adversário. Henrique Monteiro em  Momentos 'ministro da Defesa do Iraque'  atribui ao discurso mentir...

Momentos ‘ministro da Defesa do Iraque’

Henrique Monteiro Expresso, 20160912 O nosso primeiro-ministro tem tido momentos que faz lembrar o ministro da Propaganda do Iraque do tempo de Saddam. Aquele que clamava vitória quando os tanques americanos já estavam praticamente em cima dele. É um momento parecido o cavaleiro negro dos Monthy Python, que já sem braços nem pernas, depois de uma leal luta à espada, continua a insultar e a chamar cobarde ao cavaleiro que o derrotou.  Depois de no fim de semana passado ter afirmado que tínhamos um primeiro semestre excelente (que nem a UTAO, a unidade técnica do Parlamento, nem as agências de rating nem ninguém deu por isso), veio agora dizer que o facto de entrarem mais alunos para a faculdade é um ponto de viragem, um corte com a política de direita e mais uma série de coisas. Ele lá saberá… mas este é o terceiro ano consecutivo em que entram mais alunos para o Ensino Superior. Foi uma viragem, portanto, que manteve exatamente o mesmo sentido, algo que se pode considerar ...

Cultivar a reflexão na era digital

Pe. Rodrigo Lynce de Faria Se até há uns anos atrás a dificuldade de muitas pessoas era a falta de informação, hoje em dia o problema é o seu excesso. Vivemos saturados de notícias por todos os lados. Podemos ter oitenta canais de televisão, mas isso não nos dá a capacidade de ver de modo ponderado mais do que um por vez. Nem parece ser verdade que o  zapping  constante torne as pessoas mais bem informadas. A televisão é o reino dos sentimentos, não, em geral, do convite ao pensamento perspicaz. A abundância de canais de informação também não nos permitem tirar a conclusão de que devemos dedicar mais tempo às novas tecnologias para estarmos verdadeiramente informados. Isso significa que necessitamos cultivar com empenho uma atitude que, se sempre foi essencial, hoje em dia é imprescindível para não cair no perigo do pensamento único e politicamente correcto: a reflexão.  Foi o pensamento débil que deu à luz o pensamento único. E o pensamento débil germi...

Cristianismo e Jogos Olímpicos

P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 27/8/2016 Se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?! No Público de 19 de Agosto passado, o historiador Rui Tavares, que também é fundador do Livre, escreveu: “o que acabou com os Jogos Olímpicos antigos foi a chegada ao poder do cristianismo. Teodósio, o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano (Constantino foi o primeiro a converter-se ao cristianismo, mas já perto da sua morte), emitiu uma série de decretos abolindo todo o tipo de cultos aos deuses pagãos, e foi assim que os Jogos Olímpicos, que eram tanto uma festa religiosa quanto desportiva, se extinguiram por mais de mil e quatrocentos anos. Teodósio era orgulhosamente intolerante contra os rituais, as imagens e a sensualidade do paganismo”. É curioso que este historiador, embora reconheça que Constant...

Agora está tudo bem

Alexandre Homem Cristo Observador 15/8/2016 Com PS no governo, não foram apenas BE e PCP que mudaram, mas também jornalistas que, cobrindo temas sociais, abdicaram do dramatismo. Afinal, em Portugal deixou de haver fome, pobreza e emigração? Já se sabe que, aos olhos do debate político, tudo é relativo. Não é de agora, claro, mas nunca foi tão patente como é hoje. Daí que, para a actual maioria parlamentar de apoio ao governo, a ocorrência de incêndios, que era (entre 2011-2015) uma consequência da incompetência governamental, seja agora um infortúnio causado pelas condições meteorológicas. Daí que os atrasos de pagamentos nos hospitais, que eram (entre 2011-2015) actos neoliberais para a destruição do Serviço Nacional de Saúde, sejam agora meros actos de gestão das contas públicas. Ou daí que a pioria dos resultados dos exames nacionais e o aumento dos chumbos, que (entre 2011-2015) simbolizavam a elitização do ensino e a exclusão dos mais desfavorecidos ao acesso à educação...

Em 2016, Portugal arde mais docemente

André Azevedo Alves Observador 13/8/2016 Infelizmente o mais provável é que nos próximos tempos se vá enterrar ainda mais dinheiro público nas estratégias falhadas de gestão dos incêndios que nos conduziram até aqui – para gáudio dos lobbies Pedro Soares, do Bloco de Esquerda, não poupou nas palavras nas violentas críticas que dirigiu ao Governo por causa do flagelo dos fogos florestais: “Este é o terceiro pior ano dos últimos dez em matéria de fogos florestais. Já ardeu uma área de 28 780 hectares, quando, no ano passado, por esta altura, tínhamos 7 575 hectares ardidos”. Antecipando as habituais justificações com base em condições meteorológicas extraordinárias, acrescentou taxativamente: “Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”. Por isso o responsável bloquista declarou, em tom grave, q...

Em defesa do bom jornalismo e da liberdade cultural

LUÍS CAPUCHA Observador 01/08/2016 Com pouco esforço, facilmente poderia um estagiário constatar que os dados avançados pelo PAN são falsos, pura mistificação e mentira demagógica. Resolveu o redator do Editorial de 22 de julho do PÚBLICO alinhar com os argumentos anti-taurinos cujas materializações numa série de projetos de Lei foram chumbados recentemente na Assembleia da República, por uma maioria de deputados superior a 80%. Sem reflexão ou justificação, o Editorial acusa os Partidos que chumbaram esses projetos de se moverem em função de meros interesses clientelares, entrando dessa forma numa linha de argumentação perigosamente populista. Melhor seria terem-se informado, como devem fazer os jornalistas e, por maioria de razão, as direções de jornais, sobre os fundamentos dos factos que tomam por verdades, quando na realidade não passam de puras falsidades. Como cidadãos, os redatores de Editoriais do PÚBLICO podem ter a opinião que entendem, incluindo sobre ideias erra...

O suicídio não deve ser notícia sensacionalista

Pedro Afonso Observador 30/6/2016 O suicídio é um problema de saúde pública, e o tema não deve ser abordado de forma sensacionalista. Cada caso encerra um mistério, uma história de vida muitas vezes dramática, e com grande sofrimento. Recentemente fomos confrontados com notícias trágicas de duas mulheres que, em locais diferentes e com pouco tempo de intervalo, fizeram tentativas de suicídio, juntamente com os seus filhos menores (suicídio-homicídio). Estes casos tiveram uma enorme cobertura pela comunicação social, tendo gerado uma grande consternação e indignação na população. Apesar de aparentemente estas situações terem na sua origem patologia psiquiátrica, importa refletir sobre as consequências e os perigos de se divulgar os suicídios, de forma sensacionalista, na comunicação social. Há muito tempo que se sabe que o suicídio não deve ser publicitado, de forma sensacionalista, pelos perigos que advêm do efeito mimético que a sua divulgação pode provocar em pessoas fragi...

Carapaus de corrida e tiros pela culatra

João Pedro Henriques DN20160623 Gostava de perceber o processo mental que leva um governo - e, no caso, um ministro das Finanças - a promover uma conferência de imprensa, para não dizer nada sobre a CGD, exatamente 90 minutos antes de se iniciar um jogo de futebol da seleção nacional, no qual grande parte do país está com os olhos postos (para já não falar no facto de ser na véspera do referendo no Reino Unido). Se bem os entendo, os spin doctors governamentais devem pensar que assim contam com uma atenção pública desatenta e sobretudo com a impossibilidade de os partidos (a oposição mas também os aliados da "geringonça") reagirem de forma audível em tempo real. Imagino os pulos de alegria que esses cavalheiros e cavalheiras devem ter dado ontem logo pela manhã quando viram Ronaldo a tirar o microfone a um jornalista da CMTV e atirá-lo para um lago (o microfone, não o jornalista). O futebol é o ópio do povo e mais ainda quando o adornam com episódios virais. Pode p...

Os emojis de Gabriela

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 23/06/2016 O problema está no irresistível impulso do PS para controlar, para não ter a menor noção do que deve ser a postura de um político face à comunicação social. Vinte e cinco de Abril de 2015. António Costa não aprecia um texto assinado pelo director-adjunto do Expresso João Vieira Pereira e envia-lhe um SMS: “A coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar,  o jornalismo  é degradado por desqualificados, que têm de recorrer ao insulto reles para preencher colunas. Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito.” Sete de Abril de 2016. João Soares não aprecia um texto assinado pelo crítico Augusto M. Seabra e escreve no Facebook: “Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao...

Asfixia democrática

Alexandre Homem Cristo Observador 20/6/2016 Costa pode afirmar o mesmo que Passos. E Gabriela Canavilhas pode sugerir o despedimento de uma jornalista. Sem gerar alarido. A geringonça diz o que quer porque é ela quem define o que se pode dizer. Em 2011, Passos Coelho indicou o mercado da língua portuguesa como uma alternativa profissional para professores. Agora, em 2016, António Costa faz igual apelo. As reacções diferem. A declaração de Passos Coelho soou com estrondo, amontoando opiniões muito críticas ao que, à época, foi recebido como um apelo anti-patriótico à emigração – por jornalistas, por políticos, pela opinião pública. Por seu lado, a afirmação de António Costa passou despercebida, lida enquanto discurso de circunstância, sem relevância ou gravidade. Há quem argumente que o sentido destas duas declarações não é o mesmo – nos partidos, existe sempre gente disponível para esses serviços medíocres. Mas esgrimir nesse sentido não exterioriza apenas falta de seriedade, ...

Suíços rejeitam receber 2260 euros por mês só por estarem vivos

Título: Suíços rejeitam receber 2260 euros por mês só por estarem vivos Comentário: O espantoso deste título do DN não é o resultado do referendo, mas a maneira como o DN o redige. O leitor menos avisado julgaria que os suíços recusam receber uma dádiva do céu que atribuiria a cada um deles 2500 francos suíços. Porém, os suíços são mais avisados do que o redactor do DN: eles sabem bem que os 2500 francos suíços saem direitinho dos seu bolsos para suportar esta “dádiva” Notícia no DN 2016.06.05 Segundo as projeções da televisão pública, 78% dos suíços rejeitaram o referendo que previa dar um subsídio para todos. Os suíços rejeitaram, sem surpresa, a criação de um Rendimento Básico Incondicional, um projeto revolucionário que implicaria a atribuição mensal de 2500 francos suíços (2260 euros) a cada adulto e 650 francos suíços para cada criança, sem contrapartida. A ideia era a de que este subsídio, que acabaria com qualquer outro abono, iria promover a dignidade humana e o...

Abaixo o nacional-estalinismo!

FRANCISCO TEIXEIRA DA MOTA Público 27/05/2016 A juventude social-democrata está de parabéns. Conseguiu ocupar as primeiras páginas dos jornais e a abertura das televisões a um custo extremamente baixo com um cartaz que nem sequer foi preciso andar a colar nas paredes. Diga-se que o cartaz até nem está graficamente mal feito: Mário Nogueira, dirigente da maior organização sindical de professores, surge com uma farda e bigodes à Estaline, enquanto o ministro da Educação surge ao fundo pendurado por fios, dando a ideia de uma marionete. Com um tipo de letra e cores impactantes, a mensagem é clara: Mário Nogueira manda, sem discussão possível, e o ministro é um fantoche. Como é por demais evidente, a JSD não está a afirmar que Mário Nogueira mandou matar milhões ou que tem poderes para enviar quem dele discordar para a Sibéria. Como é por demais evidente, não é possível fazer uma leitura textual ou literal do cartaz que, curiosamente, é uma montagem fotográfica numa reminiscênci...