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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: João Távora

Medina fora de Lisboa já!

Corta-fitas João Távora, em 03.09.16 É evidente que Fernando Medina percebeu a tempo o risco que seria para as suas ambições avançar com as polémicas obras de requalificação da 2ª Circular e agora arranjou um subterfugio para recuar no seu desvario. Valeu-lhe o cálculo político, ao pressentir que trágicas consequências daquelas obras na já precária mobilidade da cidade poderiam comprometer a sua eleição para a câmara. Valeu-lhe certamente a experiencia dos trabalhos no eixo central que por estes dias tornam a circulação na capital uma tortura para os lisboetas e visitantes, sem escapatória. O que é para mim evidente é que Fernando Medina não conhece, não sente, não gosta de Lisboa. Só se preocupa com os lisboetas na medida em que estes se tornem um trampolim para a sua carreira profissional. Acontece que fazer política exige uma mistura assisada de razão e paixão – a Fernando Medina faltam-lhe as duas coisas. Ele fazia um enorme favor à minha cidade e aos meus conterrâneos se re...

Lisboetas e não

João Távora ionline 2016.04.11 Um lisboeta não é de Massamá, Odivelas ou do Estoril aprazível para onde vim morar, mas que sentirei sempre como um certo exílio, ainda que dourado, com a praia quase à porta. Como é bom de ver, não sobra muita gente a quem chamar lisboeta. ão, a maioria dos habitantes de Lisboa não são lisboetas. Até podem gostar da cidade um bocadinho como sua, mas não são de cá: têm as raízes noutras paragens, sempre idílicas, que cultivam em visitas periódicas donde chegam como se viessem do paraíso. Na recente apresentação do seu livro Alentejo Prometido — uma pungente declaração de amor às suas origens —, Henrique Raposo lamentou o facto das suas filhas «se estarem a transformar em lisboetas». Foi essa ingratidão que inspirou esta crónica. De facto, como é sobejamente conhecido, a maioria da gente de Lisboa não é lisboeta. Em Lisboa, uma cidade de passagem e acolhimento, a maioria daqueles que nela actuam diariamente não nasceram aí, e boa parte deles recol...

Um sorriso de esperança

João Távora Económico 2016.03.16 A chegada de Assunção Cristas à liderança do CDS enche de expectativa uma nação desgastada e desiludida que clama por uma renovação significativa no estilo e no discurso político, e que há muito entendeu não ser possível um “tempo novo” com problemas e vícios antigos. Assunção trás para o espectro político um perfil inédito que possui um profundo significado: uma mulher inteira, jovem mãe de família, que não prescinde de um brilho próprio muito feminino, alguém que emergiu para a vida partidária pelos seus méritos profissionais, pela determinação e inteligência com que defende as causas em que acredita, mesmo que contra o discurso do politicamente correcto.  Sem vergonha das suas convicções humanistas e católicas, com um discurso fluente e afectuoso, ela conseguiu unir o partido e rodear-se de uma jovem e renovada equipa, cujo génio e capacidade de trabalho deverá reflectir-se o quanto antes num dinamismo de propostas e ideias que catapul...

Deus os perdoe

Económico, 2016.03.01 João Távora A propósito da “conquista enorme da adopção de crianças por casais gay”, o BE engendrou uma paródia de mau gosto com a imagem do Sagrado Coração de Jesus. É perturbador reconhecer que esta estética tem a adesão de uma burguesia urbana e niilista (que não sabe que é) profundamente ignorante. No fim, como consolo, oferecem-lhes a eutanásia.  Trata-se de um discurso ancorado no ódio e no preconceito, que visa a fractura social. Acontece que, com uma taxa de divórcio acima dos 70%, um Inverno demográfico de consequências incalculáveis, as pequenas comunidades e o modelo de família natural em acelerado processo de extinção, a sociedade caminha para uma atomização sem precedentes. As pessoas isoladas e desprotegidas, sem sólidas pertenças comunitárias, estarão cada vez mais expostas aos caprichos de um monstruoso poder central – menos livres, portanto. Este fenómeno não é independente do empenho colocado na laicização da sociedade, da religi...

A nova ordem

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João Távora, 30 Nov 2015 Se os exames do primeiro ciclo provocam ansiedade e acentuam a discriminação das crianças desfavorecidas, o que dizer dos erros ortográficos? O meu filhote pequeno que o diga, as lágrimas vêem-lhe aos olhos sempre que lhe corrigimos um. A caligrafia, essa é uma causa perdida. Não será a escrita afinal um elemento opressivo da livre expressão e criatividade da miudagem, um obstáculo à sua afirmação entre iguais? Consta que alguns sistemas de ensino já adoptaram esta filosofia igualitarista, em prol da felicidade e bem-estar dos fedelhos. Como se a felicidade não fosse acima de tudo um dom ou uma aprendizagem empreendida por cada pessoa no seu interior justamente na superação das dificuldades. No mesmo sentido a “retenção”, uma designação benigna e simpática atribuída ao antigo “chumbo” que tanto pesou como ameaça nas cabeças de alunos cábulas como eu, há muito está em vias de ser banida como instrumento pedagógico. Porque não se lembraram ainda...

Separar as águas…

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Corta-fitas  João Távora, em 11.01.15  É  verdade , caro Vasco. Desconsola-me a forma como boa parte da opinião publicada faz um desonesto aproveitamento político do ataque terrorista em Paris, responsabilizando por exemplo a "servidão da Europa à austeridade" (Viriato Soromenho Marques hoje no DN) e o "gene da intolerância presente em todas as religiões" (Pedro Marques Lopes também no DN de hoje). Não, as religiões não são todas iguais, e só com má-fé se pode renegar  o papel do cristianismo  com o seu apelo fundador ao império da misericórdia e ao amor ao próximo na construção da civilização ocidental alicerçada (com avanços e recuos êxitos e equívocos como acontece em toda a obra humana, é certo) no respeito sagrado da liberdade individual. Esta agenda fundamentada numa "teoria da amálgama" só contribui para que não se enfrente o problema com a objectividade necessária. Perdoai-os Senhor, que não sabem o que dizem… Fotografia da manifestaç...

A Solução é o Amor

A Batalha  |  João Távora  |  7 Março, 2014 Antes de mais deixem-me que vos diga que nutro um bastante cepticismo nas tão propaladas políticas de incentivo à natalidade. Como o comprovam as estatísticas nos restantes países europeus, não creio que a solução para o inverno demográfico resida em mais ou menos substanciais apoios fiscais ou outras medidas de discriminação positiva para os casais com mais filhos. Para além de intrinsecamente justos, não produzem significativas alterações a uma realidade com tão profundas raízes culturais. Irónico é como a "revolução demográfica" (enorme aumento da natalidade e longevidade) ocorrida na Europa entre os Séc. XVIII e XIX com origem no desenvolvimento da agricultura, numa melhor alimentação e nos avanços da medicina, tenham confluído no desenvolvimento socioeconómico e científico que por sua vez proporcionaram nos anos sessenta do século passado a descoberta da pilula contraceptiva. Esse prodígio da ciênci...

Ao rubro

Ao rubro João Távora,  Corta-fitas  | 06.03.14 O decisivo confronto das polícias está prometido em directo nas TVs a partir de S. Bento e até promete controlo anti-doping. Enquanto os comentadores fazem a antevisão, como num derby o povo vai mais cedo para casa assistir ao desafio e na Telepizza não há mãos a medir.

Da banalização do mal ou um estranho síndrome de estocolmo

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João Távora, 2013-12-28 http://joaotavora.blogs.sapo.pt Estou cansado que me chamem, mesmo em entrelinhas, bárbaro e retrógrado, numa indisfarçada campanha maniqueísta da nomenklatura dominante. É nesse sentido, com alguma impaciência que encontro no Expresso de hoje a notícia assinada por um tal Angel Luís de La Calle sobre o projecto da nova lei do aborto colocado em discussão pelo governo espanhol, que pleno de preconceitos, pré-juízos e moralismo se revela um autêntico artigo de opinião, onde numa selecção de recortes da imprensa internacional favorável à livre interrupção da gravidez, assevera por exemplo esta pérola de propaganda sectária "vai ser a única promessa cumprida do programa de governo com que Mariano Rajoy arrebatou o poder aos socialistas nas eleições de 2011". Um bitaite que sem qualquer sustentação ou contraditório vale o que vale, isto é, nada.  Tenho a confessar que admiro a coragem da direita espanhola na assunção dos princípios que defende  ...

Lançamento do livro "Liberdade 232" de João Távora

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    João Távora convida os seus amigos para lançamento do livro Liberdade 232 (uma selecção de comentários, crónicas e memórias), que terá lugar no próximo dia 9 de Abril pelas 18,30 hs. no Instituto Amaro da Costa  - Rua do Patrocínio , 128 A - Lisboa (Campo d'Ouriique ) - , e contará com a apresentação do escritor Francisco José Viegas e do Rev. Padre Pedro Quintela. O livro estará à venda no local ao preço promocional de 10,00. Venda online a partir de dois de Abril em http://liberdade232.com/

Entretenimento e propaganda

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João Távora Corta-fitas, 2013-02-13 Henrique Monteiro na sua coluna no Expresso do passado Sábado lamentava-se da transformação da política num jogo de criação e gestão "casos" tão estéreis quanto retumbantes. É um facto inegável que os políticos acabam sequestrados, quando não cúmplices desta perversa lógica, que relega para segundo plano aquilo que deveria ser o seu verdadeiro e nobre objecto, o ensaio e a estratégia para a boa governaça da coisa pública. Mas o certo é que do outro lado da moeda está um implacável mercado noticioso (de que são protagonistas jornalistas como o Henrique Monteiro) que cada vez mais depende da abundancia desses "casos", para satisfação de umas ou de outras clientelas: com um ou dois casos por semana se incendeia o espaço público, amentam tiragens e exponenciam page-vews através das redes socias. É exemplo do que atrás refiro o fenómeno que ora assistimos; o da avidez de certo jornalismo de, para lá da notícia planetária que c...

O haraquíri do jornalismo

João Távora Propaganda , 2012-12-26 O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto. Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou ...

Peculiaridades duma República Portuguesa

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João Távora, i-online em 30 Nov 2012       Decidiu a maioria governamental, como medida profiláctica contra a proverbial improdutividade doméstica, eliminar quatro feriados nacionais, dois religiosos e dois civis. É assim que, da sua exclusiva competência, o governo dá como eliminados o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro, numa curiosa medida que visa uma certa reciprocidade: com uma espécie de lei de talião, nem “tradicionalistas” nem “progressistas” (que me desculpe o leitor estes abusivos chavões) se ficam a rir. Esta solução aparentemente equitativa esconde contudo um fatal equívoco, porque sendo consensual que a revolução de 5 de Outubro de 1910 dividiu profundamente o país, é inegável que a restauração da independência, em 1640, uniu os portugueses em torno dum projecto de soberania que possibilita existirmos formalmente como tal e alimentarmos esta ou outras polémicas. De resto duvida-se que, no mais que previsível regresso ao poder, os nossos donos não s...

Neil Armstrong - In memoriam

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João Távora Corta-fitas , 2012-08-25 Quando os Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram a Lua eu tinha sete anos e estava em Milfontes de férias. Nessa noite morna de Verão, como grande parte dos habitantes da vila, desci com os meus pais ao Café Miramar na Barbacã, para assistir na televisão ao acontecimento em directo. Não mais me esquecerei da emoção vivida, aquelas imagens difusas e misteriosas, as palmas, as interjeições e efusivos comentários dos adultos. De resto lembro-me da estranheza que me causava o Jacinto, um pescador nativo amigo da família, que afirmava que tudo aquilo era uma encenação cinematográfica à boa maneira do cinema americano.  Para ele era inconcebível que o homem chegasse à Lua, talvez porque acreditasse que o satélite era feito de queijo: custa-me a acreditar que a sua opinião se devesse a qualquer dogma político. Apesar da desilusão que senti nos anos seguintes com a perda de espectacularidade dos programas espaciais da NASA, imagin...

A liberdade de perder a liberdade

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João Távora Corta-fitas , 2012-08-13 A liberalização do cultivo e venda de cannabis , não sendo um "assunto tolo", emerge curiosamente nas notícias em Agosto , reconhecido mês de leviandades e imprudências. Certo me parece que a dinâmica adolescentocrática dominante é imparável, e que mais tarde ou mais cedo teremos os tais “clubes sociais” do Bloco de Esquerda para fruição dumas boas “pedradas” em “quantidades controladas”. Nos anos setenta também simpatizei com a ideia. Orgulhava-me até da autoria dum belo graffity sobre o assunto na Avenida Infante Santo. Já então pessoa de convicções, deixei de ir às aulas para me passear pelas margens, crente de que o Mundo se moveria pela força dos meus desejos e expectativas. A coisa não podia acabar bem. Não foi tarde de mais que entendi que assim como uma família até consegue suportar um “excêntrico” no seu seio, demasiados excêntricos arruínam uma família. Suspeito que o mesmo suceda com uma cidade ou com uma civilização. Pr...

A noite das facas longas

Por João Távora, publicado no i-online em 2 Abr 2012 - 03:00 | Actualizado há 9 horas 23 minutos Infelizmente o CDS, refém da actual direcção, é pequenino e nele impera uma perspectiva paroquial da política Quem ontem tivesse ouvido os generalizados aplausos iniciais dos participantes no Conselho Nacional do CDS, em Leiria, à apresentação pelo Gonçalo Moita da carta de 29 de Fevereiro de 2012 dirigida ao seu presidente, assinada por onze conselheiros (entre os quais eu próprio), a respeito da necessidade de clarificação do posicionamento do grupo parlamentar do partido quanto a matérias bandeira da extrema esquerda, ditas “fracturantes”, não poderia adivinhar a violência das intervenções que se lhe seguiram e consequente retumbante derrota da proposta deliberativa apresentada por aqueles signatários da carta – sobre o projecto de acção política de carácter geral, visando a urgente clarificação da estratégia do partido quanto ao assunto. Tratou-se, contudo, de uma derrota acéfala qu...

Um desperdício de latim

i on-line João Távora, 26 Mar 2012 É o mundo virado ao contrário, um triste destino de colonizados para o qual não há rating que nos safe do default. E discutem-se consoantes mudas como se não houvesse amanhã O bom do português quando usa uma palavra estrangeira sente-se moderno, cosmopolita e dono duma grande ciência. Para já, com o acordo com a troika, o secreto orgulho vivido pelos políticos que tão galhardamente defendiam as golden shares tem os dias contados. Certamente o conveniente preceito teria passado ao lado se lhe tivéssemos chamado simplesmente "participação decisiva" ou coisa parecida. É a mania das grandezas: Golden Share tem outro sainete, mas acabou-se. É tal e qual um test drive, que afinal se trata de uma inigualável experiência de condução exclusiva de quem se prepara para enterrar uma pipa de massa num automóvel. A grande invasão dos anglicismos começou de mansinho no tempo dos meus pais com os filmes de cowboys e com o after shave, até chegar domina...

De joelhos para mudar a História

João Távora emprestado de Corta-Fitas em 2010-10-31 com os agradecimentos do Povo Como aqui refere Fernando Alves , com a habitual ambiguidade dos “Sinais”, a sua crónica matinal da TSF, de facto um grupo de católicos desde Junho de 2009 promove “ Um milhão de terços por Portugal ”, iniciativa que vem “incendiando” várias igrejas do país em oração comunitária. E acredite o cronista que os joelhos são de facto a mais poderosa arma dos cristãos, pois a demanda duma prece profunda e crédula envolve o Homem na mais profícua relação interpessoal: com Jesus Cristo. Ao contrário do que aparenta àqueles que não crêem, é com este Amor que as mais profundas angústias humanas se colocam sob uma mais sã perspectiva. É resultado deste Amor que Deus interfere verdadeiramente na (nossa) História. Não tenho dúvidas de que os cristãos possuem o mais poderoso recurso para enfrentar as adversidades com que somos ameaçados nestes conturbados tempos. É com os joelhos no chão que nos redimimos e libertamo...