Nobel
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada Ionline, 2013-10-26 Diz o provérbio latino: verba volant, scripta manent – as palavras voam, mas os escritos permanecem Nem todos, é claro. Também há obras que se evaporam como a espuma de uma onda passageira que, por mais que brame está, à partida, condenada a morrer na praia. Certos textos são como as tempestades de verão: muito ruído, relâmpagos e trovões, mas quase nenhuma água, nenhum fruto. São letras estéreis, que uma mente febril concebeu e uma trémula mão projectou no papel, em vão. Outra é a prosa de quem escreve com o coração, de quem se escreve nas letras que desenha e oferece, em singela oblação. Quando a escrita não é o fel da maledicência, quando não é gerada por um amor narcisista de auto-contemplação, nem se adorna com o ouropel de uma falsa erudição, então é poesia, porque é prece, oração. Sei de alguém que escreve assim. Sei que as suas crónicas correm, de mão em mão, pelas enfermarias dos cancerosos, onde deixam u...