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Exame de Consciência pós-eleições

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O CATEQUISTA   FACEBOOK   29.10.2018 https://ocatequista.com.br/ "Evita as discussões tolas e descabidas, sabendo que geram rixas. Ora, não convém que o servo do Senhor viva discutindo, mas q ue seja manso para com todos, pronto para ensinar e paciente." (2 Tim 2,23-24) Esse ensinamento de São Paulo é um excelente instrumento para fundamentar o exame de consciência de muitos de nós brasileiros, ao fim dessas eleições. Discutir política é importante e saudável. Mas querer impor ao outro o seu modo de pensar na base de ofensas, xingamentos e chantagens não vem de Deus. Que cada um avalie a si mesmo com humildade, e faça a devida confissão sacramental, caso necessário.

O filósofo de Bolsonaro?

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DANIEL PEREIRA    26.10.2018   OBSERVADOR O filósofo Olavo de Carvalho não é ideólogo de ninguém. Ele não é agente político ou representante ideológico. Para ele, o círculo da hierarquia pessoal não se sobrepõe ao círculo da verdade. Anda um espectro pelo Brasil — o espectro de Olavo de Carvalho, aquele a quem certos formadores de opinião denominam de ideólogo da direita (ou da “nova direita”) e da campanha de Jair Bolsonaro. Mas afinal, quem é o filósofo Olavo de Carvalho? Olavo de Carvalho nasceu em 1947 no Brasil, mas reside actualmente nos Estados Unidos da América, em Richmond (Virginia), a partir de onde transmite as aulas do Curso Online de Filosofia e os cursos avulsos do Seminário de Filosofia a milhares de alunos. O cineasta Josias Teófilo registou parte da sua rotina, e uma centelha do seu pensamento, no documentário “ O Jardim das Aflições ”, eleito o melhor filme da 21ª edição do Cine PE. Saudado pela crítica como um dos mais originai...

Porque é que as eleições na Alemanha são tão chatas?

RUI RAMOS    OBSERVADOR   22.09.17 Apesar do seu peso e força, a Alemanha de Merkel é uma espécie de Suíça em ponto grande. Servirá sempre mais àqueles que precisam de um fantasma do que aos que dela esperem decisão e orientação. As eleições na Alemanha deviam estar a agitar as primeiras páginas. Não só porque a Alemanha é o maior Estado da União Europeia, mas porque quase todas as votações em países grandes foram, nos últimos anos, causa de comoção mediática. Desde 2015, tivemos o referendo no Reino; Donald Trump nos EUA; o Podemos e os Ciudadanos em Espanha; Marine Le Pen e Emmanuel Macron em França. Se bem se lembram, era suposto estarmos a assistir à revolta geral dos “descontentes da globalização”. Mas eis que chegamos à Alemanha, e é outro planeta. Onde estão os Trumps, os Macron? Toda a gente espera mais quatro anos para Angela Merkel, e talvez mais uma “grande coligação” dos partidos do regime (CDU-CSU e SPD). É verdade: existe a Alternativa para a Ale...

Síndrome de Lisboa

MARIA JOÃO MARQUES     OBSERVADOR    20.09.17 O carro é um meio de transporte legítimo, os proprietários pagam impostos, pelo que têm direito a usá-lo quando assim lhes for mais confortável e conveniente, sem serem demonizados pelo edil lisboeta. Por estes dias há nos psicólogos e psiquiatras lisboetas novos pacientes com sintomatologia peculiar. Uma buzina de carro fá-los reviver os momentos funestos e frequentes em que, guiando em Lisboa fora da hora de ponta, de repente entram numa rua onde ficaram armadilhados em trânsito parado durante três quartos de hora da sua vida. Durante a noite acordam com suores frios e pesadelos. Vêem-se trancados dentro do carro, numa fila que não termina, com os filhos a chorarem porque vão chegar atrasados às aulas e o relógio a informá-los que estão atrasados para a reunião e que vão perder o negócio. Tal como há pessoas hipertensas e com problemas na dentição (por rangerem os dentes durante a noite) resultantes de Trump Dera...

Pontapés nos votos

MIGUEL ESTEVES CARDOSO                PÚBLICO                 19.09.17 Proibir os jogos de futebol nos dias em que há eleições é mais uma boa ideia para levar os portugueses à abstenção. A campanha publicitária do abstencionismo começou com a noção que votar era um dever. Assim se percebeu que não era um prazer, que ninguém gosta de ir votar - mas temos de ir votar à mesma porque é nossa obrigação. Como muitos portugueses gostam de futebol qual é a melhor maneira de tirar-lhes esse prazer? É transformar o domingo eleitoral numa sexta-feira santa à anos 50. O ideal seria um pacote de proibições que fizesse com que votar fosse a única actividade permitida naquele dia. Infelizmente também almoçamos enquanto as urnas estão abertas: um desperdício. Porque não proibir as refeições no dia das eleições? Ou oferecer o almoço (ou o jantar) só a quem tivesse ido votar? Mais os transportes grátis, claro. E talv...

Com jeitinho e proibição põe-se fim à abstenção

ANA GARCIA MARQUES              WWW.APIPOCAMAISDOCE.PT          15.09.17 O próximo 1 de Outubro é dia de autárquicas e, segundo o Governo, temos o caldo entornado, porque há quatro jogos de futebol marcados para o mesmo dia, incluindo um clássico Sporting-Porto. Ao que parece, a bola é um dos grandes  causadores das elevadíssimas taxas de abstenção, por isso acabou-se a brincadeira: nas próximas eleições, sejam elas quais forem, não há cá jogatanas, o futebol fica proibido, que se o povão não aprende a bem, então aprende a mal. Ai não querem ir votar? Ai querem ficar com o cu no sofá a aviar minis e tremoços? Ai pensavam que iam ao estádio? Isso é que era bom, tudo à minha frente a ir votar, vamos embora.  Não é tão bonito? Não tem assim uns laivos meio salazaristas tão agradáveis? Não dá assim aquela sensação de que nos estão a tratar como se fossemos todos altamente limitados? Tipo "ehhh, pá, espera lá qu...

Legislaturas roubadas

Luís Aguiar-Conraria Observador 20160720 Por muito inusitado que nos tenha parecido num momento inicial, a verdade é que quem ganhou as eleições, aquele que os eleitores (ou, pelo menos, os seus representantes) preferiram, foi António Costa. No passado sábado, o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deu uma entrevista ao Diário de Notícias e à TSF. É uma longa entrevista, bastante interessante, mas que fica marcada por uma declaração explosiva. Diz Passos Coelho que, passo a citar, o “Governo tem obrigação de cumprir a legislatura que roubou”. É verdade que muita gente continua a dizer que Pedro Passos Coelho ganhou as últimas eleições legislativas. Na altura do “roubo” até circularam muitas piadas, algumas de muito mau gosto, como dizer que o Benfica já não era campeão porque o Porto e o Sporting iam juntar os seus pontos. Mas de um líder político espera-se um pouco mais de bom senso, em especial de um que foi primeiro-ministro num dos momentos mais difíceis que a noss...

Os ciclos eleitorais e as obras em Lisboa

Helena Garrido Observador 14/7/2016 Obras pelo país quando se aproximam as autárquicas é algo que todos já conhecemos. Nas democracias desenvolvidas esta gestão política tem cada vez menos efeitos. Porque há regras e responsabilização. A cidade de Lisboa está em obras. Na avenida Infante Dom Henrique, perto do Parque das Nações, na 24 de Julho, na zona do Campo das Cebolas, no Cais do Sodré, no eixo central que vai do Marquês de Pombal a Entrecampos assim como em algumas ruas laterais. E aguardam-se para breve as obras na Segunda Circular. Nem quando se fez o túnel do Marquês nem quando o Terreiro do Paço esteve durante anos em obras se assistiu a um número tão elevado de obras na cidade, todas ao mesmo tempo. Todas as cidades precisam obviamente de ser modernizadas e adaptadas a novos hábitos. Mesmo que algumas obras nos pareçam incompreensíveis, nomeadamente porque há casos em que só vemos lancis, a Câmara Municipal de Lisboa saberá com certeza o que está a fazer. Terá c...

Costa vai provocar eleições antecipadas?

João Marques de Almeida| Observador | O3/7/2016 Costa passará o Verão a reflectir sobre a oportunidade de iniciar uma guerra com Belém para provocar eleições antecipadas. Se acreditar que é a sua única possibilidade de sobrevivência não hesitará Ninguém sabe como, nem quando, irá acabar a geringonça. Mas há outras coisas que sabemos. Nenhum dos objectivos macroeconómicos definidos pelo governo no orçamento se irá concretizar. O crescimento ficará abaixo dos 2.6% (possivelmente abaixo do 1,5%). O défice ficará acima dos 2.2%. E a dívida pública vai aumentar. Más notícias, apesar do discurso optimista de Costa. Sabemos igualmente que o sistema financeiro está perto da ruptura, necessitando de uma recapitalização com urgência. Para a Caixa fala-se de valores de cerca de 5, 6 mil milhões de Euros. A venda do Novo Banco irá seguramente provocar perdas para os outros bancos. Isto quando o BCP enfrenta uma crise bolsista muito séria. A situação é de tal modo grave que se fala, em L...

As crianças deviam votar

Inês Teotónio Pereira DN 20160618 Os meus filhos fartam-se de juntar dinheiro. São profissionais em arrecadar moedas pretas que se espalham no carro, negoceiam as moedas de 50 cêntimos que enfiamos nos carrinhos do supermercado e guardam religiosamente o dinheiro que lhes oferecem nos anos. Depois, gastam o nosso dinheiro. São peritos em gastar o nosso dinheiro. O deles é intocável, e tão valioso que só serve para juntar, tipo coleção de caricas. O nosso serve para comprar gelados, ir ao cinema, comprar chuteiras e sustentar vícios infantis como cadernetas e cromos. Não lhes passa pela cabeça gastar aquelas moedinhas todas, que justificam a utilidade das carteiras cheias de divisórias, em parvoíces. Há limites para a brincadeira. Os meus filhos deviam votar. Todos os filhos deviam votar. Eles jamais iriam na cantiga de oferecer metade do conteúdo da sua carteira ao Estado para este gastar em coisas parvas. Fariam birras insuportáveis. Exigiriam saber por que raio de carga de á...

Presidenciais: dois balanços

Manuel Villaverde Cabral Observador | 2016.01.29 Uma falsa impressão criada pelos media foi a de um retumbante êxito da candidata do Bloco com quase 470.000 votos, quando na verdade o melhor resultado do BE remonta a 2009 com quase 590.000 votos. É altura de fazer um duplo balanço das eleições presidenciais: um quantitativo e outro qualitativo. Comecemos por pôr as contas em dia e dissipar algumas precipitações. O primeiro facto é a abstenção que bateu todos os recordes. Recordo ter previsto que esta não ficaria abaixo dos 50% e assim foi. Dada a incerteza que paira sobre o número real de eleitores por causa da incompetência mal-intencionada da oligarquia que nos governa, o melhor é esquecer as percentagens e falar do número de votantes. Ora, tirando a reeleição do presidente da República em 2011, bem como eleições secundárias como as europeias, há dez anos (Cavaco Silva, 2006) que não tinha havido tão poucos votantes como no domingo passado: cerca de 4,7 milhões. Dos outr...

Réplicas e tréplicas das presidenciais

PAULO RANGEL Público 26/01/2016 Que ninguém subestime o valor e o peso desta capacidade de comunicação directa com os cidadãos: ela representa um activo potente e com enorme potencial. É preciso dizê-lo sem tibiezas: depois de tantos anos de desencanto com a classe política, dá gosto que uma pessoa com a estatura cultural e intelectual e com o percurso cívico e político de Marcelo Rebelo de Sousa se tenha disponibilizado para ser Presidente da República. Basta ter na retina a escolha do local para fazer o discurso da vitória e ter no tímpano o eco desse mesmo discurso para nos apercebermos dos patamares que a política portuguesa foi chamada a subir. Ao longo da pré-campanha e da campanha Marcelo foi capaz de revelar que não era apenas uma pessoa invulgarmente inteligente, coisa que já todos sabiam e que alguns, aliás, receavam. Marcelo foi também capaz de mostrar que era senhor de uma poderosa e sábia inteligência emocional. E, até mais do que isso, que era senhor de uma sóbria emo...

O tempo povo

João Taborda da Gama RR on-line 25 Jan, 2016 - 16:37 Se Marcelo é o Presidente do povo, então do povo dependerá, e da sua relação com ele. O povo na sua diferença e diversidade bastar-se-á com os abraços e beijinhos? Que parte do povo alienará em cada pequena decisão, e que parte ganhará? A vitória de Marcelo inicia um tempo novo em Portugal: um Presidente da República que retira a sua força directamente do povo e não o deve às tradicionais máquinas partidárias e elites iluminadas, mesmo que escondidas atrás de protocandidatos independentes ou de protocandidaturas cidadãs. Por ser o verdadeiro tempo novo, um tempo verdadeiramente novo, ninguém sabe bem o que esperar. Se Marcelo é o Presidente do povo, então do povo dependerá, e da sua relação com ele. O povo na sua diferença e diversidade bastar-se-á com os abraços e beijinhos? Que parte do povo alienará em cada pequena decisão, e que parte ganhará? Não esqueçamos que ontem à noite começou a operação #marcelo2021. Dep...

Sete notas e uma conclusão das presidenciais mais enfadonhas de sempre

Raquel Abecasis RR on-line 24 Jan, 2016  1 - Marcelo Rebelo de Sousa ganhou. Outra coisa nunca foi de esperar, tentou passar o mais discretamente possível pela campanha eleitoral, fez-se humilde e debateu com todos encenando a farsa do igual para igual, esteve à vontade na rua e igual a si próprio, preferiu não dizer nada a dizer alguma coisa que o prejudicasse e, finalmente, para quem não está habituado ao confronto, encaixou todos os ataques que lhe fizeram com grande fair-play. O candidato, seguiu á risca os conselhos do comentador, fez tudo de acordo com as regras e alcançou o objectivo: ganhar à primeira volta e de forma muito mais folgada do que a primeira eleição de Cavaco em 2006 (50,54%). 2 - Maria de Belém provou o cálice amargo que bebe quem contraria o líder. É certo que a campanha foi fraquíssima, mas grande parte disso explica-se com o que aconteceu nos bastidores. As queixas de batota do PS em relação a estas presidenciais não aconteceram por acaso e vieram d...

Um homem singular

António Lobo Xavier Público 24/01/2016 - 21:58 À hora em que fecho este texto, tudo indica que Marcelo Rebelo de Sousa será o novo Presidente da República. Nunca achei que este resultado estivesse inscrito nos astros, ou que fosse natural. Penso, por isso, que ele se deve antes à singularidade do candidato: não há na galeria de figuras públicas portuguesas nenhum outro que conseguisse chegar a este lugar contra todos os partidos de esquerda e, simultaneamente, beneficiando apenas de uma espécie de condescendência rendida dos partidos da direita. Não há também nenhum outro que fosse capaz de confiar tanto em si próprio, ao ponto de apostar numa campanha baseada em contacto pessoal, totalmente despovoada dos habituais notáveis da política, sejam eles os barões nacionais ou os caciques locais. Aqui estará o seu poder, decerto, e aqui estará seguramente – ao menos no início – uma certa incapacidade que todos sentem quando se trata de adivinhar como será este mandato. O PS é, sob...