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A mordaça sindical

Alexandre Homem Cristo Observador 20161003 Controlar as corporações é dominar o debate, decretar o politicamente legítimo e obter tolerância perante incompetências governativas. O equilíbrio da geringonça está aí: na mordaça sindical da CGTP. Nas escolas, o ano lectivo arrancou sem auxiliares suficientes para assegurar o funcionamento das actividades. E sem dinheiro para suportar os custos de água, luz e papel higiénico, com o ministério a apertar o cinto orçamental ao limite. Nos hospitais, os atrasos nos pagamentos amontoam-se e batem recordes. Estão em causa horas extraordinárias, a reposição de medicamentos, a liquidação de despesas normais de funcionamento. Nos transportes, como explica José Manuel Fernandes, observa-se à deterioração rápida da qualidade dos serviços do Metro de Lisboa, sem fundos para pequenas reparações. E, imagine-se, sem sequer capacidade de emissão de novos bilhetes. Na economia, o investimento público caiu acentuadamente para níveis impensáveis, e...

Trágica mansidão

JM Ferreira de Almeida Quarta República ,  30 de setembro de 2016 Um país que não se interroga sobre o que justifica ou o que move o presidente do sindicato dos trabalhadores dos impostos na defesa do diploma, hoje vetado pelo PR, sobre a quebra do sigilo bancário, é uma sociedade que se conforma com tudo o que os poderes lhe infligem.  Pensava eu que não passava despercebido a ninguém que os sindicatos, ainda que nalguns casos constituam consabidamente a infantaria do PC, veem juridicamente limitada a sua ação pela defesa dos interesses  profissionais  dos seus associados. Ou seja, está-lhes vedado o envolvimento no exercício da função política designadamente quando querem condicionar o legislador em matéria que nada tem que ver com direitos e deveres laborais. Mas não é assim, e o Senhor Ralha é sempre solicitado pelos media para opinar sobre a bondade da opção do legislador em matérias constitucionalmente...

CGTP, FENPROF, UGT... Lembra-se deles?

Camilo Lourenço Facebook, 20160905 O governo travou violentamente no investimento e não está a gastar uma boa parte das verbas que estavam inscritas no Orçamento do Estado. Fora os atrasos nos pagamentos a fornecedores, com destaque para a Saúde (mais de 200 milhões de pagamentos em atraso). Há dias, o Presidente da República avançou que essas cativações devem transformar-se em cortes definitivos, já depois de o governo ter declarado que em 2017 não haverá aumentos salariais. Apesar do que se está a passar, não se ouve CGTP, FENPROF, UGT e demais grupos de pressão brindarem o governo com o mesmo tipo de reação que dedicavam aos anteriores inquilinos de São Bento. Na CGTP, Arménio Carlos finge que protesta: quando abre a boca tem a mesma credibilidade de alguém que grita "Fujam, a casa está a arder!" com um sorriso nos lábios. Na FENPROF, Mário Nogueira deixou de aparecer (provavelmente porque anda a assessorar o ministro da Educação). Na UGT Carlos Silva parece ter e...

Concessões portuárias

João Taborda da Gama DN 2016.05.29  O timing do acordo alcançado na madrugada de sábado entre os operadores portuários e os estivadores não vem nada a calhar, já tinha a coisa meio escrita e agora é preciso dar uma volta ao texto. Bem podiam ter anunciado a coisa no domingo. O texto ia começar com Rui Reininho ("se o mercado impera e somos todos iguais // muito cuidado quando escorregas sempre cais // se o mercado emperra e vais sempre longe demais demais // atenção cuidado voltas ao cais") e acabar num sofá. No site do IKEA está anunciado que, em virtude da greve da estiva, o envio de encomendas para os Açores e para a Madeira vai ficar mais caro. Um exemplo real das consequências da greve prolongada, dos seus efeitos sobre a economia, que é uma maneira de dizer as pessoas que querem comprar um sofá no IKEA, ou na IKEA, dependendo dos gostos, onde de certeza que os nomes dos modelos de sofás em tecido, não modulares, são escolhidos nas páginas amarelas dos portos e...

Os estivadores venceram. A minha cidade e o meu país perderam

José Manuel Fernandes Observador 2016.05.29 Que dizer de um acordo que impede uma empresa de contratar mais trabalhadores? E que permite progressões na carreira mesmo sem mérito? A chantagem corporativa venceu, pela mão do governo da geringonça Vamos lá ver se percebi bem. Um dos pontos do acordo com o sindicato dos estivadores é que uma das empresas de trabalho portuário de Lisboa deixe de contratar mais trabalhadores. Exacto, não me enganei: com o alto patrocínio da ministra do Mar e de António Costa, foi assinado um acordo que impede que se crie mais emprego no Porto de Lisboa, a não ser com autorização do sindicato. No tempo de Salazar havia uma lei, chamada de “condicionamento industrial”, que limitava a criação de novas empresas à verificação de que estas não iriam fazer concorrência com empresas já instaladas. Se já houvesse uma fábrica de parafusos, não haveria mais fábricas de parafusos sem que o governo autorizasse. Agora estamos a viver uma situação semelhante c...

Quem é Mário Nogueira?

HENRIQUE RAPOSO Expresso 18.06.2013 às 8h00 Um professor dá aulas e Mário Nogueira não dá aulas há mais de 20 anos. Parece mentira, mas este senhor está num perpétuo horário zero há duas décadas. A sua "carreira" docente conta com 32 anos de serviço, mas, na verdade, o Glorioso Líder da Fenprof só deu aulas nos primeiros 10 anos de vida profissional. Os últimos 22 anos foram dedicados ao sindicalismo profissional. Não, Mário Nogueira não é professor, é sindicalista. O que me leva a uma pergunta óbvia: como é que alguém que não dá aulas há vinte anos pode representar com realismo as pessoas que dão aulas todos os dias?  E esta comédia sindical não se fica por aqui. Por artes burocráticas impenetráveis, Mário Nogueira tem sido avaliado como professor: recebeu o "Bom" correspondente à classificação de 7,9 obtida no agrupamento de escolas da Pedrulha, Coimbra (Correio da Manhã, Dezembro 2011). Mais uma vez, um camião de perguntas bate à porta: se não dá aulas, co...