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Porquê História?

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã | 2016.07.11 Porque a equipa, jogando em equipa, só teve estrelas. Porque Fernando Santos mostrou as melhores qualidades do português fura-vidas, tartaruga silenciosa contra as lebres convencidas. Porque a humildade ocultava a convicção de poder vencer a arrogância. Porque Ronaldo se tornou, finalmente, capitão da equipa. Porque a equipa ganhou com Ronaldo e, no fim, sem Ronaldo. Porque a equipa, jogando em equipa, só teve estrelas. Porque a selecção do pequeno país ganhou o campeonato dos gigantes. Porque, sendo o futebol o denominador comum dos portugueses, a Selecção lhes deu a maior alegria e o orgulho. Porque os emigrantes puderam libertar, na final que desejavam, os seus anseios e patriotismo. Porque, na miséria em que a política nos enterra há décadas, só o futebol nos dá uma alegria desta dimensão.

Voltou o condicionamento industrial

Eduardo Cintra Torres  Correio da manhã 03.07.2016  O PS continua a querer controlar o panorama audiovisual onde lhe for possível.  No arranque da TDT conjugaram-se os interesses dos generalistas e das plataformas de cabo para que o número de canais fosse o menor possível. O cabo, por trágica ironia, foi o principal beneficiário da modernização da TV de acesso livre: chega hoje a 87% dos lares, muito à custa desse processo inicial e da péssima qualidade técnica da TDT. O actual processo de alargamento da TDT pode ser visto de quatro ângulos, todos ligados. Primeiro, o da política geral e dos princípios. Tecnicamente, a TDT podia e pode ter mais canais. Portanto, o alargamento é bem-vindo. Deveria ser o regulador a tratar do processo, mas aqui entra o segundo ângulo: a política concreta. O PS continua a querer controlar o panorama audiovisual onde lhe for possível. Está no poder, e os seus aliados são igualmente estatistas. PS, BE e PCP decidem unidos no parlame...

Ó box volta para trás, dá-me tudo

Eduardo Cintra Torres, Correio da manhã, 29.05.2016 01:45   Vão aumentando os espectadores que usam a TV como usam este jornal: lendo quando lhes apetecer.  Com o visionamento diferido proporcionado pelas boxes digitais das plataformas de TV por assinatura, os canais de cabo ganham quase 10% de audiência média, mais do dobro do que ganham os canais generalistas com o ‘voltar atrás’ no próprio dia ou nos sete dias seguintes. A prática não é nova, mas antes exigia a posse e o uso de gravadores. Agora é carregar numas teclas e já está. Sem esforço. Entra no hábito. Apesar de a esmagadora maioria do visionamento ser ainda feito em simultâneo com a transmissão dos programas, vão aumentando os espectadores que usam o media televisivo como usam este jornal: lendo quando lhes apetecer, daqui a minutos ou a dias. A facilitação técnica do diferimento é uma realidade excelente para a TV, acrescentando a audiência de certos programas, e para os espectadores, aumentando a possibil...

TVI não se arrepende do mal que fez

Eduardo Cintra Torres | Correio da manhã 22.05.2016 00:30  O escrutínio deve ser maior quando o jornalista sabe que uma informação pode ter consequências graves.  Na noite de 13 de Dezembro, a TVI noticiou: "Está tudo preparado para o fecho" do Banif. Naquele dia e àquela hora, a informação era falsa. Acresce que a frase "está tudo preparado" tinha sujeito e objecto indefinidos: quem preparou? "Tudo" quer dizer o quê? Sérgio Figueiredo afirmou que essa e as notícias seguintes foram sendo "afinadas" nos rodapés (na verdade, foram contraditadas), mas o mal estava feito: contribuiu decisivamente para o descalabro do banco. Figueiredo disse que "era apenas um rodapé", quando um rodapé é uma notícia como outra qualquer. Sendo escrita, exige enorme rigor; não tendo desenvolvimento descritivo e analítico, deve ser pensada palavra a palavra. Também disse que "quando chega uma notícia, dá-se". É falso. Primeiro: o que chega é um...

Os media rendem-se a Fátima

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã 15.05.2016 00:30  Entre Fátima e Tomorrowland, as diferenças são enormes, mas há também semelhanças.  Disse uma peregrina a uma TV: venho a Fátima e "recarrego baterias" para o ano todo. À noite, a MTV mostrava um programa sobre Tomorrowland, festival de música na Bélgica num recinto parecido com a Disneyland, onde os convivas vivem uns dias "fora do mundo", com moeda própria, música e bebidas. Entre Fátima e Tomorrowland, as diferenças são enormes, mas há também semelhanças. A efervescência da multidão, o estar no seu seio, a partilha de alguma coisa com muitos, o rompimento do quotidiano, acrescentam a mística de Fátima e criam a do festival. Uma jovem disse à MTV que "a música é a nossa religião", mas um DJ, negando, disse que há qualquer coisa na partilha e no ajuntamento que eleva as pessoas. Mas Fátima é entrega e sacrifício. Pagam-se promessas, com sacrifício pessoal, que os peregrinos transformam em...

Os “tempos normais” de Sócrates

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã 08.05.2016 00:30  Lá foi Sócrates fazer o seu número ao Marão, ofuscar o próprio Costa, para aparecer.   Estar vivo é não estar morto, disse uma vez, e com razão, Lili Caneças. Para quem faz da presença nos media um salva-vidas, aparecer é mesmo estar vivo e não morto no espaço público. Costumo citar um ministro francês de há cerca de 170 anos, que dizia a um amigo: "Aparecer! É preciso aparecer!" Tinha a obsessão de aparecer nos jornais, o único media de massas da altura. Nós, para cá ou para lá do Marão, temos o ex-primeiro-ministro e prisioneiro de Évora com a mesma preocupação de aparecer. Para ele, estar vivo é aparecer na TV e restantes media. Embora, por esta altura, já não recupere nem estatuto nem popularidade, que lhe foram fundamentais para se manter no poder, ao aparecer pretende transmitir a sensação de que não é culpado de nada e pode, como diz a metáfora, "dar a cara". A metáfora corresponde aqui à rea...

A como estão os juros da dívida?

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã 21.02.2016 01:59  Hoje é maior a dificuldade de os agentes do estado espatifarem dinheiros públicos nas costas dos cidadãos. Há pequenos acontecimentos no quotidiano que nos deixam uma marca. Lembro-me como se fosse hoje de um mínimo detalhe numa qualquer viagem num táxi amarelo em Nova Iorque há 30 anos. A telefonia estava ligada e passava num noticiário um segmento de notícias económicas e financeiras. Muitas notícias sobre empresas e mercados. Era um noticiário natural. Os factos e os comentários eram compreensíveis. Fiquei espantado, porque em Portugal o noticiário económico-financeiro era esotérico e arredado das primeiras páginas e das aberturas dos telejornais. Havia apenas um jornal económico, quase clandestino. Hoje a situação é totalmente diferente. Cinco anos de crise, de troika e de dificuldades provocadas pela bancarrota de Sócrates em 2011, e pela governação de anteriores executivos, colocaram em definitivo a informaçã...

Uma fatal superioridade moral

Eduardo Cintra Torres, Correio da manhã 17.01.2016 Não cabe ao jornalismo ser condescendente e sobranceiro como Ricardo Cos ta foi. Quando o director do ‘Expresso’ perguntou ao candidato Vitorino Silva na festa da SICN "o que é que você está aqui a fazer?", deixou-nos um retrato dum certo jornalismo nacional. Vitorino Silva, o Tino de Rans, o bombo da festa das presidenciais, desarmou a soberba de Ricardo Costa respondendo "estou aqui porque a SIC me convidou". O director do semanário e autor-apresentador do ‘Expresso da Meia-Noite’ na SICN nem percebeu que a sua pergunta era malcriada. Para Costa, Vitorino Silva não deveria ser candidato: chamou-lhe "Tino de Rans, que está aqui como Vitorino Silva", perguntou-lhe depois se ele "estabeleceu mentalmente ou escreveu num papel" o seu objectivo e, com paternalismo, pôs a mão no ombro do candidato, o que não fez a nenhum outro candidato. Ninguém no seu perfeito juízo pode igualar politicame...

Carvalho e Figueiredo, rua!

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã 20.12.2015 01:31  A pseudo-entrevista a nada respondeu porque nada foi perguntado.  A presença de Sócrates na TVI apresentou-se como uma operação montada para ser um tempo de antena. Foi preparada por ele com o seu amigo Sérgio Figueiredo, director de Informação do canal, que o visitou quatro vezes na ‘casa emprestada’ pela ex-mulher do ex-primeiro-ministro. O ‘entrevistador’ José Alberto Carvalho também foi à mesma casa pelo menos uma vez. Sócrates foi recebido na TVI com honras de chefe de Estado ou chefe de Governo em exercício. O director-geral e Figueiredo foram à porta ao beija-mão. Depois, foi o que se viu: duas horas e um quarto de tempo de antena no noticiário mais visto do País. Nunca ninguém em Portugal, nem Salazar ou Caetano, nem qualquer político em democracia, teve semelhante privilégio. Foi uma pseudo-entrevista durante 1h08 em directo mais 01h06 em gravação no dia seguinte. Sócrates, Figueiredo e Carvalho prepa...

Telepizza: marketing de guerrilha

Jornal de negócios | 16 Setembro 2015 | Eduardo Cintra Torres |  O "rapaz da Telepizza" foi, afinal, o instrumento de um golpe de marketing. Foi porventura a acção de guerrilha comercial mais eficaz de sempre em Portugal. Segundo a Visão, ninguém da casa da ex-mulher de Sócrates, onde Sócrates se encontra preso, encomendou pizza. E, na verdade, era fácil perceber que a encomenda precisaria de nome e telefone e que o figurante utilizado pelo marketing deveria ter-se feito acompanhar de identificação, como qualquer trabalhador e motociclista. Pela sua performance no local, pareceu muito interessado em estar o máximo tempo em antena. A pizza não se destinava a ser entregue, destinava-se aos ecrãs de televisão e à divulgação viral das imagens. O golpe resultou em cheio. O vídeo foi falado por todos os media e espalhou-se pelas redes sociais. A Telepizza obteve uma enorme visibilidade gratuita (ou quase, dado que os seus publicitários são pagos e decerto também o figuran...

Discordo de quase tudo

Eduardo Cintra Torres | Correio da manhã | 13.09.2015 Sócrates é a sombra gigante sobre esta campanha, numa tripla condição.  Discordo de quase tudo o que li e ouvi sobre o debate Passos-Costa. Achei-o esclarecedor. Um debate é apenas uma de muitas ferramentas para avaliarmos candidatos, as suas respostas, segurança, personalidade. Mesmo se não respondem às perguntas, avaliamos essa atitude. Não achei o debate aborrecido. Ao contrário de outros, não houve "entrevistas separadas" aos dois. Debateram mesmo. Não achei o debate "decisivo" para os resultados eleitorais. Não conheço nenhum estudo de opinião que confirme essa ideia. Os debates podem influir a intenção de voto dalguns. Pode haver fluxos de simpatia de um para outro interveniente. Mas quem vê debates é espectador e quem vota é eleitor. Em 2006, Louçã teve a segunda melhor apreciação de desempenho nos debates presidenciais e ficou no último lugar em votos. O debate Passos-Costa só foi "decisivo...

Notícias da menina que chorou

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã 19.07.2015  As notícias disseram que Merkel "pôs uma menina palestina a chorar". Foram imagens fortes. Num liceu de Rostock, a menina fala entusiasmada do sonho de ficar na Alemanha (embora já soubesse da decisão de repatriamento da família; as notícias ignoraram este facto). Merkel diz-lhe que "a política às vezes é dura" e que a Alemanha não pode aceitar todos os refugiados que chegam ao país. A adolescente começa a chorar. Merkel pára de falar e dirige-se-lhe para a reconfortar. O responsável da sessão intervém sugerindo que a rapariga quereria uma resposta (o que Merkel não deveria fazer, pois, não só desconhece o caso, como não poderia ali contrariar a decisão de outra autoridade do Estado alemão). Merkel responde ao responsável que agora só lhe interessava confortar a rapariga. No final, a rapariga tinha recuperado e sorria (o que a maioria das notícias não mostrou). O que ficou foi uma menina que chora perante a m...

Oliveira: nem um filme

Eduardo Cintra Torres CM | 05.04.2015 00:30   Dezenas de horas de TV – mas nenhum canal passou um filme de Oliveira.  Ao contrário do que se escreveu nestes dias, não achei hipócritas os elogios generalizados a Manoel de Oliveira (1908-2015) por muitos que não viram ou não gostaram do seu cinema. Ele conseguiu um feito raro: ser intransigente na sua arte e ao mesmo tempo admirado pelo povo. Resultou esta raridade da sua figura íntegra, afável; de ter vivido para além do centenário; de ter trabalhado até ao fim; do reconhecimento nacional e mundial; de ter realizado há sete décadas um filme popular, em torno da humanidade mais simples, a criança, muito retomado em reportagens de TV; e porque, como tantos génios criadores, plantou a sua universalidade na sua terra portuense e duriense. Por isso, tantos portuenses, os portugueses mais ciosos do que é seu, querem que, morto, seja como em vida: no Porto. Menos que bairrismo, é orgulho, é a vibração da terra que perpassa entr...

Desmitificar o que se passa na RTP em cinco pontos

Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã,  07.12.2014 00:30  A RTP não pode ser dirigida por uma oligarquia que nem sabe escrever nem apresentar um projecto decente. 1. O Conselho Geral Independente tem legitimidade para avaliar a compra da Champions. Não por intervir nos conteúdos, mas pelo valor. É uma decisão estratégica que lhe compete: representa 10% do orçamento para programas da RTP 1; implica uma relevante alteração na programação, pois a RTP não poderá fazer milhares de outros programas com mais interesse público e alternativos aos dos privados. O CGI soube da compra pelos jornais, o que justifica ter invocado a deslealdade por parte da Administração.  2. A RTP não podia comprar a Champions sem dar conhecimento. É uma empresa pública reclassificada, isto é, depende do Orçamento do Estado; o seu Projecto Estratégico, de tão medíocre, foi chumbado duas vezes pelo CGI; o orçamento da própria RTP ainda não está aprovado; a Administração está obrigada a uma ...

Reality show especial: gala de autocarros em directo

Eduardo Cintra Torres (ectorres@cmjornal.pt) Correio da manhã, 2013-10-20 A principal razão da manifestação da CGTP foi esta: a CGTP. Como outras organizações experientes, a CGTP-PCP sabe que para manter as crenças tem de mobilizar os seguidores em rituais frequentes. Esta manif subiu a parada por duas razões: ao pretender o percurso pedonal na Ponte e ao concentrar-se absolutamente no poder da imagem e do espectáculo. As pontes simbolizam a ligação entre o que antes estava separado, a passagem e o seu carácter frequentemente perigoso, que põe o homem à prova. O carácter espiritual das pontes tem uma visualidade tão forte que adquire valor especial para as artes plásticas e, por arrasto, para a visualidade televisiva. O simbolismo da Ponte 25 de Abril é ainda mais carregado, pelo nome que teve e pelo nome que tem, por ligar uma zona "muito PCP" à capital, centro do poder, e pelo seu histórico de utilização política para o bloqueio de 1994. A CGTP-PCP escolheu assim um l...

Quem Quer ser Ignorante? Basta ligar a RTP

Correio da manhã, 2013-09-29 Eduardo Cintra Torres Em resumo: a "estratégia" é fazer TV comercial, em vez de alternativa. Anos atrás, fui contratado para verificar perguntas portuguesas e estrangeiras para concursos. Encontrei muitos erros, incluindo em perguntas da BBC. Os autores criavam perguntas a partir da Internet, meio em que há muita falta de rigor. O erro crasso e grave no Quem Quer Ser Milionário de quinta-feira foi decerto colhido na Internet: encontrei-o em dois sites. O ditado diz: "Dezembro frio, calor no Estio". Na RTP, Estio passou a "estilo". O concurso e a RTP inventaram um provérbio idiota e absurdo por ignorarem a palavra Estio, ou Verão. A falha é inaceitável. Revelou a ignorância de toda a equipa, incluindo da apresentadora, e a incompetência na criação e verificação das questões na produtora e na RTP, num programa pré-gravado. "Calor no estilo?" A concorrente bem disse que não lhe soava; o público no estúdio...

Faltam psicólogos para analisar Sócrates

Eduardo Cintra Torres (ectorres@cmjornal.pt) Correio da manhã, 31 Março 2013 A entrevista de Sócrates, mais do que analisada por comentadores, políticos, jornalistas e críticos, deveria ser analisada nos media por psicólogos e psiquiatras. Anda-se a iludir o que só alguns escrevem a medo: para avaliar o político Sócrates, é preciso considerar o seu perfil psicológico. Sócrates é um caso psi, mitómano, narcísico ao ponto de anular o mundo exterior e negar a realidade e a verdade, diminuído na capacidade de agir por valores éticos. O seu autoritarismo de perfil patológico confunde-se com convicção política e carisma. Como Hitler, Chávez ou Berlusconi, o seu ego precisa loucamente dos media, que se entusiasmam com chefes e por isso o adoram. O seu mundo de fantasia, embrulhado em retórica convincente, é como sabão para a espuma dos dias mediáticos. A RTP deu-lhe hora e meia, tempo de entrevista jamais visto na história da TV portuguesa, que me lembre. Sócrates leva frases decorad...

Um tabu a romper: a indústria da eutanásia dos velhos

Eduardo Cintra Torres CM 2012-01-20 Todas as sociedades têm interditos, ou tabus; vivemos bem com eles, não vivemos sem eles. Uns estabelecem normas de vida, como o do incesto ou do assassínio. Outros referem-se a coisas comezinhas, como não passar debaixo duma escada. O termo polinésio tabu passou da antropologia à linguagem comum: a palavra tabu é forte, mas usa-se como eufemismo para evitar "interdito" ou "proibição". Por paradoxo, dizemos tabu para não expressarmos por inteiro o interdito a que se refere. O jornalismo não podia deixar de ter tabus. Não me refiro ao abuso da palavra por moda, como a recusa dum político de anunciar uma candidatura no momento e no local que agradaria aos jornalistas, mas aos autênticos, como o do suicídio. Por consenso, o jornalismo decidiu não o noticiar, pois a publicitação pode induzir outros suicídios. Nem sempre houve este tabu jornalístico, o que mostra como a criação, vida e quebra de tabus varia no tempo. No excelen...

Dois governos: comunicação política nos antípodas

Eduardo Cintra Torres (ectorres@cmjornal.pt) Correio da Manhã, 2011-12-18 António Barreto disse em ‘Olhos nos Olhos’ (TVI24) que o governo de Sócrates colocou 4000 pessoas nos gabinetes, direcções-gerais dos ministérios e agências de comunicação a trabalhar em exclusivo "na criação da propaganda quotidiana e na estratégia de propaganda". O governo "era especialista em propaganda. Nunca se viu nada tão perfeito, tão acabado, tão exímio em propaganda — propaganda da mentira, da falsidade, da aldrabice". Esses 4000 — número aterrador — integravam o que sempre apelidei de central de propaganda e comprovam que o socratismo tinha duas existências, uma secreta, que só agora se vai conhecendo, e, para a esconder e destruir adversários, a da superestrutura da propaganda e desinformação. Depois do socratismo, nenhum governo poderia ter o mesmo nível de performance mediática. Compreende-se que se critique o actual pela sua "fragilidade pavorosa na comunicação...

O meu 11 de Setembro

Público, 2011-09-09 Eduardo Cintra Torres No táxi a caminho da sede da Federal Communications Comission (FCC), o motorista e eu fizemos conversa de chacha sobre o falado regresso de Michael Jordan à NBA nesse mês, depois de dois anos sem jogar básquete. Teremos falado do clima? A manhã de terça-feira estava bonita, limpa e temperada, como é hábito depois dos dias húmidos e quentes de Julho e Agosto. Na FCC, regulador nacional dos media americanos, eu começava dez dias de entrevistas e reuniões em Washington e Nova Iorque e outros locais próximos para conhecer melhor o universo profissional e institucional dos media , incluindo o serviço público, e para reunir elementos para a minha tese de mestrado. Na FCC, a reunião com um amável burocrata decorria normalmente num pequeno cubículo sem janelas quando alguém bateu à porta e segredou ao meu interlocutor. O colega, disse-me ele, informou-o de que um avião tinha chocado contra uma das torres do World Trade Center, em Manhattan. ...