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Bem-vindos ao Terceiro Mundo

Sebastião Reis Bugalho ionline 20161007 O governo quer distribuir preservativos em escolas do ensino básico quando as escolas pedem às crianças para trazerem o papel higiénico de casa porque não há dinheiro? Prioridades... Um deputado socialista dizia recentemente: “aquilo que Mário Soares fez, ao trazer a democracia ocidental contra os ímpetos de revolucionários comunistas depois do 25 de abril, foi impedir que este país se transformasse numa Albânia”. O deputado é capaz de ter razão, o que diz muito sobre as opções recentes de António Costa ao leme deste país. Portugal está cada vez mais próximo de tornar-se num país do terceiro mundo, similar à tal Albânia dos anos 70. Exemplos? Para satisfazer os desejos megalómanos do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, estão a ser abatidas árvores com décadas de vida na praça do Saldanha. São estas as obras que, por exemplo, retiraram a faixa BUS à Avenida da República, atrofiando o trânsito e o regular funcionamento dos tran...

A armadilha

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Helena Matos Observador 26/9/2016 Como é possível que, vivendo nós aprisionados nas sucessivas ondas de indignação-condenação promovidas pelos radicais, não vejamos os moderados a ser capazes de trazer os seus assuntos para o debate? 30 de Outubro de 1793. A guilhotina espera-os. Tudo aquilo que nos últimos anos os aproximou e separou está-lhes consumado nos rostos. É como se ainda acreditassem que a sua verve os tornará imortais. Que no fim se lhes fará justiça. Que talvez o povo compreenda… Não sabem ainda que o silêncio e a indiferença serão a sua companhia no percurso que dentro em poucas horas os levará da prisão até ao cadafalso.  “O último jantar dos Girondinos” – é esta a designação por que se conhece este quadro – retrata com alguma liberdade a última refeição de um grupo de deputados que, também com alguma liberdade, podemos definir como moderados, durante a Revolução Francesa. A Revolução Francesa é o tempo a que temos de voltar sempre (ou pelo menos eu volto...

Parem para pensar

Raquel Abecasis RR online 19 jul, 2016 Será que é progresso e modernidade criar uma sociedade em que a felicidade de alguns é feita à custa da infelicidade de outros? Um grupo de cidadãos, tão dignos como os que com grande alarido entregaram na Assembleia da República, uma petição para legislar sobre a morte assistida/eutanásia, entregaram nas últimas horas no Parlamento uma petição com mais de 4.200 assinaturas para que os deputados discutam e votem a realização de um referendo sobre as barrigas de aluguer/maternidade de substituição. A ideia é obrigar a uma discussão pública sobre a matéria. Dirão alguns: lá vêm eles outra vez tentar impedir a liberdade e o progresso. São os chavões do costume para complexar quem tem complexos de defender uma sociedade com pés e cabeça. Mas vale a pena encarar de frente a questão da liberdade e do progresso. Que tipo de liberdade tem uma mulher que não pode arrepender-se a meio do caminho de uma decisão que envolve o seu corpo, o seu...

Catarina Martins e os temas fracturantes

Francisco Ferreira da Silva Diário Económico 30 Jun 2016  A esquerda mais radical e o Bloco de Esquerda em particular têm estado a patrocinar o debate e, sempre que possível, a aprovar legislação sobre matérias que dividem a sociedade. A adopção de crianças por casais homossexuais, as barrigas de aluguer, mudança de sexo a partir dos 16 anos, casas de banho unissexo, eutanásia, mudança de designação do Cartão de Cidadão, fim do ‘offshore’ da Madeira e, mais recentemente, a intenção de convocar um referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia, todos foram temas para a líder do Bloco de Esquerda produzir declarações carregadas de dramatismo. O diploma legal das chamadas “barrigas de aluguer”, aprovado por uma maioria parlamentar que incluiu deputados do PSD, mas com os votos contra do PCP, foi objecto do primeiro veto do novo Presidente da República. Marcelo fundamentou o veto em pareceres do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que chamam a a...

A um passo do suicídio coletivo

Miguel Angel Belloso DN 20160624 Em outubro de 2014 fizemos uma entrevista a Pablo Iglesias, o líder do partido radical Podemos, homólogo do Bloco de Esquerda, que foi capa da Actualidad Económica e que ainda pode ser vista no YouTube. Entre as suas muitas ideias peregrinas estava não só a de aumentar o salário mínimo, o que conduz diretamente ao desemprego, como também a de estabelecer um ordenado máximo. Limitar a remuneração das pessoas, o que não passa pela cabeça de ninguém com senso comum, apresentou-se-me como uma proposta disparatada, mas o inefável Iglesias surpreendeu-nos com o exemplo da Suíça, onde, segundo dizia então, os cidadãos não podiam ganhar mais de 12 vezes o salário mínimo legal. Nós ficámos estupefactos, mas quando a seguir investigámos o assunto reparámos que o Sr. Iglesias nos tinha mentido, como é o seu estilo, e mais ainda nestes momentos de campanha eleitoral em que decidiu vestir o seu pensamento destrutivo com uma pele de cordeiro. Com efeito, na ...

A modernidade destrutiva e as crianças-objecto

Económico  | 19 Mai 2016 Raul de Almeida Há no mundo ocidental uma revolução em curso, um golpe social; uma perseguição ideológica que visa acantonar num rótulo de conservadorismo radical ou preconceito todos os que não seguem a cartilha dos revolucionários da modernidade destrutiva. Apoderou-se da sociedade portuguesa um novo e perigoso conceito, o da modernidade destrutiva. De repente, há gente a mais a pensar que a modernidade assenta na criação de novos paradigmas que destruam os paradigmas anteriores. A modernidade desta gente não é, portanto, evolução; é ruptura, ou fractura, como gostam de lhe chamar. Voltamos à inspiração jacobina da Revolução Francesa, ao princípio da permanente desconstrução social, de não deixar pedra sobre pedra. Em Portugal esta agenda tem sido cumprida com zelo, previsibilidade e surpreendente sucesso. O facto de vivermos num estado de emergência desde 2011, e com notórias dificuldades desde sempre, explica que a maior parte da população se c...

A oposição e as causas fracturantes

P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 21/5/2016, 0:16 Os democratas com ideais humanistas podem confiar nos partidos do centro quando o que agora é governo se aliou à extrema-esquerda, e o líder da oposição foi cúmplice na aprovação de leis antinaturais? No passado dia 13 de Maio, o parlamento, para festejar o 99º aniversário da primeira aparição mariana em Fátima, aprovou dois projectos de lei provocatoriamente anticristãos: o que autoriza a gestação de substituição, vulgo ‘barrigas de aluguer’; e o que permite, a todas as mulheres, o acesso à procriação medicamente assistida. Só se se acreditar nas agoirentas premonições que os supersticiosos associam à data, se logra explicar a dupla maldição que, naquela sexta-feira 13, se abateu sobre Portugal. As principais vítimas são, como sempre, as crianças que, a partir de agora, poderão ser concebidas numa ‘barriga de aluguer’, ou obrigadas a coabitar só com a mãe – outra mulher nunca será sua mãe, porque mãe há só uma...

Come torradas, pá, come torradas. E porta-te bem, para levares um beijinho.

Helena Matos Observador 15/5/2016 Esta espécie de revolução a retalho em que os radicais nos mantêm depois de terem desistido de a fazer por grosso, permite-lhes condicionar a sociedade muito para lá do poder que o voto lhes dá. São as torradeiras! Há que regular as torradeiras. A Europa, a tal que está em deriva populista de direita a norte e radical de esquerda a sul, a Europa da crise das dívidas, do sistema financeiro e dos refugiados, a Europa que chama política de defesa a esperar que os EUA a venham ajudar – acharíamos normal, termos de garantir a segurança da fronteira do México com os EUA? Provavelmente não mas achamos natural que os EUA tratem da defesa das nossas fronteiras no Mediterrâneo ou na Ucrânia – descobriu que há que intervir rapidamente para regular as torradeiras. Nem sei como chegámos ao segundo milénio dC sem esse instrumento vital! Enfim, não se pode dizer que estejamos mal acompanhados nesta esquizofrenia porque se aos anteriores presidentes dos EUA...

Entre dois terrorismos

P. Vasco Pinto de Magalhães Observador 14/5/2016 Esta esquerda doente, que não tem os pés na terra nem a atenção nos mais frágeis, ergue a bandeira de um modernismo burguês, pseudo-intelectual, mas de cultura rápida e sem história nem dialética. A Europa está entalada entre dois terrorismos. Está entre dois fogos, que parecem de sinal contrário mas que se excitam um ao outro. Ciclicamente, na história do Ocidente, esses ataques marcam tempos de crise sociocultural e política. Que ataques são esses? Há um terrorismo que vem de fora e actualmente aparece sob a bandeira do “Estado Islâmico”. Surge como força ideológica (“religiosa”) violenta pretendendo dominar (e eliminar) uma europa que acusa de estar doente, vendida à democracia, sem valores, opressora e imoral, tradicionalmente seguidora de uma cultura religiosa adulterada, a cristã. O Ocidente é um mundo de infiéis – mas ricos! – que os puros, os verdadeiros islâmicos, não podem suportar, em nome da sua crença num islão or...

Do pa(n)lermismo

RENATO EPIFÂNIO Público 07/05/2016 Fazer tábua rasa das diferenças qualitativas é sempre meio caminho andado para o desnorte. Não há provavelmente nenhum partido político que nunca tenha defendido uma medida palerma. Entre nós, o caso mais recente é, decerto, o do Bloco de Esquerda, com a proposta de mudar o nome do “Cartão de Cidadão” para “Cartão da Cidadania” – com o “argumento” (não se riam, por favor) de que “Cartão de Cidadão” é uma expressão sexista. Só não se percebe porque se mantém o “cartão” – não seria melhor “cartoa” ou até “cartolina”? Pela nossa parte, da próxima vez que tivermos que pedir uma “Certidão”, iremos requerer, em vez disso, um “Certificado”, de modo a não ficarmos com qualquer trauma discriminatório. Com a entrada em cena do Partido dos Animais e da Natureza (PAN), temos contudo que alargar o conceito da palermice política, a ponto de criarmos um neologismo: “panlermice”. Isto porque quando o PAN vem uma vez mais questionar a diferença entre humano...

Pressão para alargar prazo para aborto

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Expresso, 2016.04.30 ILGA quer que um dia homens possam recorrer a barrigas de aluguer. JS estuda legalização da prostituição A legalização do aborto foi aprovada em 2007 Alargar o período em que se pode interromper uma gravidez. Esta é uma das causas fraturantes com que a maioria de esquerda parlamentar terá de se confrontar em breve. O tema é trazido pela Associação para o Planeamento da Família (APF) que pretende que se passe das 10 para as 12 semanas a partir da última menstruação, equivalendo, na prática, a 14 semanas de gestação. “Muitas mulheres encontram algumas barreiras, até no próprio sistema, e as 10 semanas, que são na realidade 9,4 a contar do momento da conceção, tornam-se um período curto”, diz ao Expresso Duarte Vilar, diretor executivo da APF. Esta ideia resulta de um debate interno, feito o ano passado e que ganhou esperança com a maioria de esquerda resultante das legislativas de 4 de outubro. “Temos pessoas de esquerda e de direita na Associação...

PCP chumba mudança de nome do Cartão de Cidadão

JN 2016.04.21 O PCP anunciou, esta quinta-feira, que é contra a mudança de nome do Cartão de Cidadão. O Bloco de Esquerda tinha proposto que o Cartão de Cidadão passasse a ser o Cartão de Cidadania. Mas para os comunistas, há um "conjunto vasto de problemas" com o cartão de identidade que são "mais importantes para resolver". O deputado Jorge Machado refere o custo para cada utilizador e o facto de não ser vitalício para cidadãos com mais de 70 anos. Jorge Machado disse também esta questão "é uma matéria claramente não prioritária" e não se trata de um problema de "género mas de gramática".

Estranho, não é?

Helena Matos Blasfémias 21 ABRIL, 2016 Hoje “ O Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal. ” Mas à excepção da Rádio Renascença o assunto passa incógnito.Essa conformada desatenção é o melhor sinal do fatalismo resignado com que se reage perante as mais destravadas propostas dos radicais. PS e BE resolveram aprovar a questão de forma discreta e as redacções reagem em conformidade. Pode lá haver um assunto fracturante a ser discutido se Catarina Martins não aparecer a anunciá-lo e Mariana Mortágua a explicá-lo? Ora, ora deixemo-nos de tolices: em Portugal discute-se aquilo que o BE quer e o PS manda. O pais acha isto natural.