O racismo e eu
SEBASTIÃO BUGALHO SOL 22.07.17 Nunca conheci os meus avós. Oiço histórias, as mesmas, com o mesmo carinho, desde pequeno. Viveram e serviram Portugal no estrangeiro. Quando o meu pai nasceu em Marrocos, foi para uma escola pública. Em respeito aos colegas, não comia nem bebia à frente deles no Ramadão. Esse reconhecimento da diversidade foi-me passado por ele, pela minha avó de ascendência indiana, pela minha tia de ascendência japonesa; por uma família cuja normalidade era a diferença. Ao longo da juventude, os choques da realidade com esse meu normal sucederam-se. A ideia de o racismo ser uma verdade adormecida, mais que evidente, é gigantesca. Olhares de lado em restaurantes que nos obrigavam a mudar de mesa, perguntarem se quem me levava à escola «era o motorista» por ser afrodescendente, colegas a caminho da faculdade de medicina que «deixariam os pretos morrer na sala de operações». Desde que escrevo opinião publicamente que recusei...