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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Sebastião Reis Bugalho

O racismo e eu

SEBASTIÃO BUGALHO   SOL   22.07.17 Nunca conheci os meus avós. Oiço histórias, as mesmas, com o mesmo carinho, desde pequeno. Viveram e serviram Portugal no estrangeiro. Quando o meu pai nasceu em Marrocos, foi para uma escola pública. Em respeito aos colegas, não comia nem bebia à frente deles no Ramadão.  Esse reconhecimento da diversidade foi-me passado por ele, pela minha avó de ascendência indiana, pela minha tia de ascendência japonesa; por uma família cuja normalidade era a diferença.  Ao longo da juventude, os choques da realidade com esse meu normal sucederam-se. A ideia de o racismo ser uma verdade adormecida, mais que evidente, é gigantesca.  Olhares de lado em restaurantes que nos obrigavam a mudar de mesa, perguntarem se quem me levava à escola «era o motorista» por ser afrodescendente, colegas a caminho da faculdade de medicina que «deixariam os pretos morrer na sala de operações».  Desde que escrevo opinião publicamente que recusei...

Bem-vindos ao Terceiro Mundo

Sebastião Reis Bugalho ionline 20161007 O governo quer distribuir preservativos em escolas do ensino básico quando as escolas pedem às crianças para trazerem o papel higiénico de casa porque não há dinheiro? Prioridades... Um deputado socialista dizia recentemente: “aquilo que Mário Soares fez, ao trazer a democracia ocidental contra os ímpetos de revolucionários comunistas depois do 25 de abril, foi impedir que este país se transformasse numa Albânia”. O deputado é capaz de ter razão, o que diz muito sobre as opções recentes de António Costa ao leme deste país. Portugal está cada vez mais próximo de tornar-se num país do terceiro mundo, similar à tal Albânia dos anos 70. Exemplos? Para satisfazer os desejos megalómanos do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, estão a ser abatidas árvores com décadas de vida na praça do Saldanha. São estas as obras que, por exemplo, retiraram a faixa BUS à Avenida da República, atrofiando o trânsito e o regular funcionamento dos tran...

O burquíni explica o Brexit

Sebastião Bugalho ionline, 20160826 O maior crítico a este atentado contra a diversidade não foi um movimento femininista. Foi um jornal conservador Quem foi o maior crítico à proibição do burquíni em França? Não, meu caro leitor, na comunidade internacional, não foram os movimentos feministas. E não, meu caro leitor, na sociedade política, não foi a esquerda gaulesa, que até tem, pasme-se, uma ministra para os direitos da mulher.  O maior crítico a este atentado contra a diversidade foi um jornal conservador, a publicação de direita mais lida do Reino Unido, o “Telegraph”. Nele foi escrito que os verdadeiros “inimigos da liberdade” são os polícias. Nele foi escrito que os decretos dos autarcas que proíbem o burquíni são ilegais.  O meu caro leitor perguntará legitimamente: por que diabo temos a direita britânica a defender mulheres muçulmanas quando até a esquerda francesa perdeu a paciência? Um primeiro palpite apontaria para os recentes atentados em França....

Francisco Rodrigues dos Santos. “Queremos uma juventude do povo! Não temos de ter medo de dizê-lo”

SEBASTIÃO BUGALHO ionline 25/08/2016 Autarca em Carnide depois de uma adolescência no Colégio Militar, Francisco Rodrigues dos Santos não tem papas na língua. É conservador, não quer mais Europa e gostava de ver Portas em Belém. Recentemente escreveu na sua página de Facebook: “Foi preciso apagarem a chama olímpica para ficarmos a saber que participou nos Jogos do Rio de Janeiro um país chamado União Europeia, o qual se distinguiu por ter ganho o maior número de medalhas. O meu venceu apenas uma de bronze. E eu continuo a ser português e a prescindir das outras todas.” É um eurocético? Sou um “eurocontido”. Desde a altura em que o CDS era assumidamente eurocético que o partido se encontra um pouco esvaziado de discurso europeu. Acho que é importante, numa altura em que a Europa está a sofrer algumas convulsões internas, os partidos portugueses terem um debate gradual e informado sobre a integração europeia. É, portanto, um soberanista? Sou um soberanista confesso, mas ...

Caríssima Assunção Cristas

Sebastião Bugalho | i-online 2016.01.13 Esta é a carta aberta de um independente. Como cidadão, aprecio parte do CDS. Num país em que é pecado ser de direita, - basta ver a Constituição ou qualquer dos programas partidários - simpatizar com um partido chefiado por um homem como Paulo Portas é natural. O facto de a Juventude Popular ser a jota mais autónoma do seu partido faz com que lhe tenha uma maior tolerância. Como crente, a sua leitura dos costumes também me é favorável. Condeno a persistência de alguns carreristas e o abafar total do eurocepticismo. Tenho pena pela força da partidocracia e pela falta de pontes com a sociedade civil.  Penso que concordamos que o CDS-PP não se trata de um partido pequeno. Foi fundador do arco de governação, não de movimentos de protesto ou de plataformas extremistas. Trata-se do assumido partido do centro-direita português; não de um proto-liberal disfarçado de social-democrata ou de um proto-comunista mascarado de Bloco. Soltei...

A amiga imaginária de Isabel Moreira

Sebastião Reis Bugalho ionline 2016.01.08 A única coisa que não pode ser fascista é a amiga imaginária da deputada. Pena que a amiga – a esquerda “plural” – e os fascistas tenham tanto em comum. Odeiam a democracia O prof. Centeno tem um amigo imaginário, algo romântico e há pouco tempo adquirido: o seu programa económico. A dra. Isabel Moreira também possui uma amiga imaginária. Em dezembro escrevia no “Público”: “Celebrarmos juntos (...) é também uma manifestação de (...) defender os valores democráticos, a Constituição da República e os direitos de uma vida digna para todos os portugueses e, até, uma visão europeísta mas simultaneamente crítica.” O artigo intitulava-se “Juntos, na esquerda plural”. Isso não existe. A imposição de igualdade contribui para a formatação social e para a uniformização económica. A concessão de oportunidades contribui para a meritocracia e para a prosperidade. É a diferença entre um comunista e um social-democrata - aqui, a parte “democrat...

A contra-revolução portuguesa de 2015

Sebastião Reis Bugalho | ionline 2015.12.31 António Costa não é revolucionário nenhum porque não vai trazer nada de novo; a Troika não é novidade em Portugal. O verdadeiro revolucionário foi Pedro Passos Coelho. A proximidade temporal da nossa República ao Estado Novo faz com que esta tenha um pendor mais à esquerda. O sistema eleitoral parece parado no tempo, causando constante turbulência governativa. A parcialidade da Constituição é gritante. A etimologia dos partidos políticos mostra isto mesmo. A direita tem que se disfarçar de centro-católica. Os conservadores chamam-se democratas-cristãos, os liberais chamam-se sociais-democratas e os sociais-democratas chamam-se socialistas. O facto de apenas o Partido Comunista coincidir com o seu nome prova o ponto. A bússola ideológica está atrasada e desequilibrada. Este fenómeno não é exatamente saudável para a Democracia, nem abona a favor do pluralismo. Vários progressistas torceram o nariz quando escrevi que defender acerrimam...