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Sobre a crise dos jornais (2)

JOSÉ PACHECO PEREIRA Publico 09/01/2016 As regras do “novo” jornalismo que abandona a mediação pela “leitura” da rede e a pretensa “participação” nela, acabam por substituir uma actividade crucial na democracia por um reforço da demagogia. No primeiro artigo que aqui escrevi falei de dois aspectos da crise dos jornais e do jornalismo: a decadência de uma cultura das notícias nas redacções em detrimento de um jornalismo opinativo e a aceitação acrítica das “redes sociais” e do chamado “jornalismo do cidadão” como fonte de notícias sem mediação, ou como um agora electrónico em que se possam ver “tendências”. Se a crise das notícias, o terreno sólido do jornalismo, ainda pode ser explicada pela depauperação das redacções, pela escassez de meios e de tempo, pela utilização de trabalho de estagiários e outras formas de trabalho barato, em detrimento de redacções sólidas e experimentadas, abaladas pelo afastamento de muitos dos seus jornalistas seniores, tidos como mais caros, a aceit...

Sobre a crise dos jornais (1)

JOSÉ PACHECO PEREIRA Público 02/01/2016 - 07:14 Os jornalistas têm um grande masoquismo, para não lhe chamar outra coisa, ao dar estatuto noticioso às “redes sociais”, sem a mediação e edição jornalística. Uma das vantagens de viver numa aldeia é ter uma visão muito clara de que comunicação social cá chega, porque chega, quem a lê e quem a não lê. Aqui e neste artigo, comunicação social são os jornais, deixo de lado a televisão (cujo consumo também pode ser percebido em público nos cafés) e a rádio, que é muito mais privada e quase só automobilística. Voltemos aos jornais, para pensar um pouco a crise que atravessam. A primeira constatação é que há jornais que não participam nessa crise e, em grande parte, lhe escapam. Na minha aldeia só chega o Correio da Manhã, trazido para os cafés, e lido avidamente pelos mais velhos, chegando a haver uma fila de espera para a sua leitura. E basta observar para perceber que a parte que é lida com mais tempo e dedicação é a parte noticios...

A crise da imprensa escrita

Sobre uma espécie de obituário delirante que ALC comete no Público , Jorge Costa, O insurgente, 2015.12.29 Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia) , Alexandra Lucas Coelho, 2015.12.27

Sobre uma espécie de obituário delirante que ALC comete no Público

O Insurgente  Posted on Dezembro 29, 2015 by Jorge Costa Sim, o Público chegou a ser importante. Sim, o Público entrou numa degenerescência sem fim à vista e, sim, a Alexandra Lucas Coelho, com o seu jornalismo de causas, ou melhor, da sua causa, foi uma das principais razões para eu deixar de comprar e ler o Público, que se tornou num produto manhoso, sem mais. A causa da Alexandra Lucas Coelho, a causa a que me refiro, foi a que a tornou conhecida: a difamação permanente de Israel, que no caso dela parece confundir-se com um ódio profundo, irracional. Há limites para tudo, só não há, parece, para a manipulação jornalística a que o Público parece ter-se consagrado em exclusivo e a Alexandra Lucas Coelho praticou anos a fio com tanto enlevo. Mas isso pertence ao passado, como ao passado parece pertencer o Público. Ainda li alguns parágrafos desta lengalenga . Não achei que valesse a pena continuar, quando cheguei a esta passagem: «Projectos como este jornal podem, devem, act...

Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia)

Alexandra Lucas Coelho Público, 2015.12.27 1. A revista do PÚBLICO, onde esta coluna sai aos domingos, acaba hoje. A administração antecipa um prejuízo na ordem de três milhões de euros em 2015, segundo notícias na imprensa. O número será confirmado após o fecho de contas, e não consta do comunicado aos trabalhadores, a 10 de Dezembro, anunciando “redução de custos”. Com variações, a revista existe desde a fundação do jornal, há 25 anos (a partir da semana que vem, reportagens, entrevistas e perfis mais extensos serão integrados no jornal de domingo, bem como esta coluna). Além da extinção da revista, a administração comunicou aos trabalhadores um “plano de rescisões voluntárias” em condições “mais favoráveis do que as previstas na lei”. Os “interessados podem manifestar-se” até 6 de Janeiro, a administração “avaliará”, reservando-se o direito de “declinar” algumas, e quer concluir o processo no dia 15. O comunicado, divulgado pela Agência Lusa, não indica quanto se pretende po...