Sobre a crise dos jornais (2)
JOSÉ PACHECO PEREIRA Publico 09/01/2016 As regras do “novo” jornalismo que abandona a mediação pela “leitura” da rede e a pretensa “participação” nela, acabam por substituir uma actividade crucial na democracia por um reforço da demagogia. No primeiro artigo que aqui escrevi falei de dois aspectos da crise dos jornais e do jornalismo: a decadência de uma cultura das notícias nas redacções em detrimento de um jornalismo opinativo e a aceitação acrítica das “redes sociais” e do chamado “jornalismo do cidadão” como fonte de notícias sem mediação, ou como um agora electrónico em que se possam ver “tendências”. Se a crise das notícias, o terreno sólido do jornalismo, ainda pode ser explicada pela depauperação das redacções, pela escassez de meios e de tempo, pela utilização de trabalho de estagiários e outras formas de trabalho barato, em detrimento de redacções sólidas e experimentadas, abaladas pelo afastamento de muitos dos seus jornalistas seniores, tidos como mais caros, a aceit...