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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Miguel Torga

Natal

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Ninguém o viu nascer. Mas todos acreditam Que nasceu. É um menino e é Deus. Na Páscoa vai morrer, já homem, Porque entretanto cresceu E recebeu A missão singular De carregar a cruz da nossa redenção. Agora, nos cueiros da imaginação, Sorri apenas A quem vem, Enquanto a Mãe, Também Imaginada, Com ele ao colo, Se enternece E enternece Os corações, Cúmplice do milagre, que acontece Todos os anos e em todas as nações. Miguel Torga

Amizade

Que belo é ter um amigo! Ontem eram ideias contra ideias. Hoje é este fraterno abraço a afirmar que acima das ideias estão os homens. Um sol tépido a iluminar a paisagem de paz onde esse abraço se deu, forte e repousante. Que belo e que natural é ter um amigo! Miguel Torga Diário (1935)

Claridade

Clareou. Vieram pombas e sol, e, de mistura com Sonho, pousou tudo num telhado… (Eu, destas grades, a ver, desconfiado.) Depois, uma rapariga loira, (era loira) num mirante, estendeu roupa num cordel: Roupa branca, remendada, que se via que era de gente lavada, e só por isso aquecia… Miguel Torga,  Lisboa, Cadeia do Aljube, 1 de Fevereiro (1940), in Diário – I, 4ª edição revista, Coimbra 1957