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Síndrome de Lisboa

MARIA JOÃO MARQUES     OBSERVADOR    20.09.17 O carro é um meio de transporte legítimo, os proprietários pagam impostos, pelo que têm direito a usá-lo quando assim lhes for mais confortável e conveniente, sem serem demonizados pelo edil lisboeta. Por estes dias há nos psicólogos e psiquiatras lisboetas novos pacientes com sintomatologia peculiar. Uma buzina de carro fá-los reviver os momentos funestos e frequentes em que, guiando em Lisboa fora da hora de ponta, de repente entram numa rua onde ficaram armadilhados em trânsito parado durante três quartos de hora da sua vida. Durante a noite acordam com suores frios e pesadelos. Vêem-se trancados dentro do carro, numa fila que não termina, com os filhos a chorarem porque vão chegar atrasados às aulas e o relógio a informá-los que estão atrasados para a reunião e que vão perder o negócio. Tal como há pessoas hipertensas e com problemas na dentição (por rangerem os dentes durante a noite) resultantes de Trump Dera...

Já tenho saudades das greves no Metro

José Manuel Fernandes Observador 2/10/2016 No Metro de Lisboa todo o dinheiro que há serve para repor antigos privilégios dos seus trabalhadores, não para reparar as carruagens que se avariam ou para evitar a degradação da qualidade do serviço É verdade. E não é por o Verão ter sido mais quente e o calor estar a entrar por Outubro adentro, fazendo com que seja ainda mais difícil respirar em carruagens apinhadas. Tenho saudades das greves do Metro porque a sua ausência é o melhor sinal de que o serviço público se está a degradar. Ao mesmo tempo, o algodão não engana: estando os sindicatos calados e sossegados, é porque estão a atingir os seus objectivos, e estes, numa empresa pública dependente do dinheiro dos contribuintes, são inevitavelmente contraditórios com o interesse dos utentes e de todos os que pagam impostos. Os sinais estão aí, como de resto o  Observador  e outros órgãos de informação ( aqui ,  aqui ,  aqui  e  aqui , por exemplo)...

Uma vergonha chamada Metro de Lisboa

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 29/09/2016 Desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Se alguém tivesse dúvidas de como este país roça por vezes os limites da indigência política, económica, sindical e mediática, o actual estado do Metro de Lisboa estava aí para o provar. Embora eu corra o risco de desiludir todos aqueles que estão convencidos de que sou um beto de Cascais com motorista e caddie, a verdade é que passo a vida a andar de metro. E desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Nós já conhecíamos as escadas rolantes que não rolam. Experimentámos carruagens a abarrotar. Vimos os comboios da Linha Verde diminuírem de quatro para três composições ao mesmo tempo que o turismo explodia em Lisboa. Deparámo-nos com obras na estação do Areeiro dignas de Santa Engrácia. Aguentámos intermináveis problemas técnicos na Linha Azul ...

Assim se fazem as cousas

JoaoMiranda  | Blasfémias | 26 MARÇO, 2016 Abril de 2015:  PS exige que processo de privatização da TAP pare imediatamente “O problema da TAP está no processo de privatização e no Governo. É preciso parar o processo de privatização e é preciso mudar de Governo. O Governo não tem legitimidade política para o que está a fazer”, sustentou o deputado do PS, antes de acusar o atual executivo de ser “obcecado” com as privatizações em fase final de mandato, de ser “pouco transparente” e de não ter espírito de diálogo nem com os partidos da oposição nem com as estruturas sindicais Agosto de 2015:  PS promete inquérito à concessão por ajuste directo dos transportes do Porto Agosto de 2015:  PS avança com comissão de inquérito se Governo não travar ajuste directo de STCP e Metro do Porto Fevereiro de 2016:  Governo chega a acordo com Pedrosa [Barraqueiro] e Neeleman sobre a TAP Fevereiro de 2016:  Governo deixa entrar chineses no capital da ...

Serviços públicos e desigualdade social

Luís Cabral, RR online 29 Jan, 2016 Os serviços públicos não são gratuitos, são pagos pelos contribuintes que pensam que eles são gratuitos. Numa das cartas do seu diário de campanha, António Costa escrevia que "defendemos serviços públicos eficientes e de qualidade, que diminuam as desigualdades e reforcem a solidariedade entre os portugueses". Duvido que haja quem discorde de cada uma das partes da frase de Costa, que parafraseio da seguinte forma: (1) Os serviços públicos devem ser eficientes e de qualidade; (2) É importante diminuir as desigualdades e reforçar a solidariedade entre os portugueses. O ponto de discórdia é relacionado mas diferente: será (1) a melhor forma de chegar a (2)? Por outras palavras, será a oferta de serviços públicos (pagos pelo contribuinte) a melhor forma de combater a desigualdade? Uma das minhas "cruzadas" políticas é chamar a atenção para o fenómeno da ilusão fiscal. Os serviços públicos gratuitos parecem uma ideia óp...

A notícia que interessava: a que não foi feita

Helena Matos Observador 13/12/2015 O que está a acontecer em Portugal é simplesmente a tomada do poder pelas corporações que vivem do Estado. Não acreditam? Então tentem descobrir por que foi desconvocada a greve do Metro de Lisboa. Alguém sabe por que não houve greve do Metro em Lisboa? Durante dias andámos às voltas com a contestação dos maquinistas do Metro de Lisboa “a um conjunto de alterações que representam um ataque aos direitos dos trabalhadores e a degradação da qualidade do serviço prestado aos utentes“. Mas quais eram essas alterações? E em que consistia essa degradação? Nunca soubemos. A sindicalista Anabela Carvalheira da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans) e funcionária do Metro de Lisboa, nada disse e também ninguém lhe perguntou. Depois a greve foi desconvocada. Novamente Anabela Carvalheira nos deu os respectivos esclarecimentos em cifra, agora poética: “Chegámos a um entendimento. Somos todos pessoas sérias. Da mesma forma ...

O que há de novo, meu velho

Miguel Angel Belloso DN 2015.11.13  Passei uma semana inteira em Miami. Metade em trabalho, metade em lazer. É uma cidade esplêndida, com uma praia memorável e uns hotéis art déco acolhedores e simpáticos onde se pode encontrar diversão a qualquer hora do dia. Mas é uma cidade incómoda para nos movimentarmos de um lado para outro. Os transportes públicos, compostos por autocarros e comboios funcionam deficientemente. Não há metro, dadas as circunstâncias de se encontrar num terreno pantanoso rodeado pelo mar. Se tivermos pressa temos de nos movimentar de táxi... ou de Uber! Eu nunca tinha usado a Uber - está proibida em Espanha -, mas posso assegurar-vos que a minha experiência é que o serviço de motoristas particulares funciona com uma grande diligência e precisão, a um preço mais acessível que um táxi convencional. Os carros são muito melhores, estão mais limpos e são mais espaçosos. As pessoas que os conduzem são extremamente simpáticas, ao contrário da maioria dos profissio...