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A mostrar mensagens com a etiqueta Arte: Poesia

Natal

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Ninguém o viu nascer. Mas todos acreditam Que nasceu. É um menino e é Deus. Na Páscoa vai morrer, já homem, Porque entretanto cresceu E recebeu A missão singular De carregar a cruz da nossa redenção. Agora, nos cueiros da imaginação, Sorri apenas A quem vem, Enquanto a Mãe, Também Imaginada, Com ele ao colo, Se enternece E enternece Os corações, Cúmplice do milagre, que acontece Todos os anos e em todas as nações. Miguel Torga

The Captain, Leonard Cohen

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Letra Now the Captain called me to his bed  He fumbled for my hand  "Take these silver bars, " he said  "I'm giving you command."  "Command of what, there's no one here  There's only you and me  All the rest are dead or in retreat  Or with the enemy."  "Complain, complain, that's all you've done  Ever since we lost  If it's not the Crucifixion  Then it's the Holocaust."  "May Christ have mercy on your soul  For making such a joke  Amid these hearts that burn like coal  And the flesh that rose like smoke." "I know that you have suffered, lad,  But suffer this awhile:  Whatever makes a soldier sad  Will make a killer smile."  "I'm leaving, Captain, I must go  There's blood upon your hand  But tell me, Captain, if you know  Of a decent place to stand." "There is no decent place to stand  In a massacre;  But if a woman take your hand  Go and stand with her."...

A única alegria neste mundo é a de começar

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A Única Alegria Neste Mundo é a de Começar http://www.citador.pt/textos/a-unica-alegria-neste-mundo-e-a-de-comecar-cesare-pavese Cesare Pavese A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante. Quando esta sensação desaparece - prisão, doença, hábito, estupidez - deseja-se morrer.  É por isso que quando uma situação dolorosa se reproduz de modo idêntico -  parece  idêntica - nada apaga o horror que tal coisa nos provoca. O princípio acima enunciado não é, portanto, próprio de um  viveur . Porque há mais hábito na experiência a todo o custo (cfr, o antipático «viajar a todo o custo») do que na charneira normal aceite com o sentido do dever e vivida com entusiasmo e inteligência. Estou convencido de que há mais hábito nas aventuras do que num bom casamento.  Porque o próprio da aventura é conservar uma reserva mental de defesa; é por isso que não existem boas aventuras. Só é boa aventura aquela e...

Morreu Fernando Guedes, um dos fundadores da Editorial Verbo

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Público 29/08/2016 - 16:05 O editor que lançou a Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura ou a célebre colecção Livros RTP, morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 87 anos. Um dos últimos grandes senhores da edição portuguesa, Fernando Guedes, fundador da Verbo, e também poeta e ensaísta, morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 87 anos. O seu funeral sai esta terça-feira de manhã, às 10h00, da Igreja da Nossa Senhora do Carmo para o cemitério do Lumiar, em Lisboa. Criada com o apoio de um sócio capitalista, Sebastião Alves, em 1958, mas dirigida desde o início, e durante meio século, por Fernando Guedes, a Verbo lançou a gigantesca Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, publicou os cem livros da Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP, um sucesso editorial de dimensões épicas nas vésperas do 25 de Abril, e trouxe para Portugal os livros de Anita ou os álbuns de Tintin, sem esquecer os livros de cozinha de Maria de Lurdes Modesto, que venderam centenas de milhares de exempl...

Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo   E o seu capitalismo das palavras Pois é preciso saber que a palavra é sagrada Que de longe muito longe um povo a trouxe E nela pôs sua alma confiada De longe muito longe desde o início O homem soube de si pela palavra E nomeou a pedra a flor a água E tudo emergiu porque ele disse Com fúria e raiva acuso o demagogo Que se promove à sombra da palavra E da palavra faz poder e jogo E transforma as palavras em moeda Como se fez com o trigo e com a terra Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"  

Fazer anos

Com que então caiu na asneira De fazer na quinta-feira Vinte e seis anos! Que tolo! Ainda se os desfizesse… Mas fazê-los não parece De quem tem muito miolo! Não sei quem foi que me disse Que fez a mesma tolice Aqui o ano passado… Agora, o que vem, aposto, Como lhe tomou o gosto, Que faz o mesmo. Coitado! Não faça tal, porque os anos Que nos trazem? Desenganos Que fazem a gente velho. Faça outra coisa, que, em suma, Não fazer coisa nenhuma Também lhe não aconselho. Mas anos… Não caia nessa! Olhe que a gente começa Às vezes por brincadeira, Mas depois se se habitua, Já não tem vontade sua, E fá-los queira ou não queira! (João de Deus, in Campo de Flores)

De quem é esta imagem?»

Alma, busca-te em Mim E a Mim busca-Me em ti. Tão fielmente pôde o Amor Alma, em Mim, te retratar Como nenhum sábio pintor Tua imagem figurar. Foste, por amor, criada Formosa, bela e assim Dentro do meu ser pintada. Se te perderes, minha amada, Alma, procura-te em Mim. Porque Eu sei que te acharás Em meu peito retratada, Tão ao vivo figurada Que ao ver-te folgarás Por te veres tão bem pintada. E se acaso não souberes Em que lugar Me perdi, Não andes dali para aqui Porque se encontrar Me quiseres A Mim Me acharás em ti! Em ti, que és meu aposento És minha casa e morada, Aí busco a cada momento Em que do teu pensamento Encontro a porta fechada. Só em ti há que buscar-Me, Que de ti nunca fugi; Nada mais do que chamar-Me E logo irei, sem tardar-Me, E a Mim Me acharás em ti! Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja Poesias, nº 8: «Alma, buscar-te-ás em Mim»

Nossa Senhora

Tenho ao cimo da escada, de maneira Que logo entrando os olhos me dão nela, Uma Nossa Senhora de Madeira Arrancada a um Calvário de capela. Põe as mãos com fervor e angústia. O manto Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto; E uma expressão de febre e espanto Quase lhe afeia o fino rosto. Mãe das Dores, seus olhos enevoados Olham chorosos, fixos, muito além... E eu, ao passar, detenho os passos apressados Peço-lhe: - A sua bênção, Mãe! Sim, fazemo-nos boa companhia, E não me assusta a sua dor; quase me apraz. O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia! Só isso bastaria a me dar paz. “Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo, Mas à minh’alma, então, chega de longe a sua voz Que eu bem entendo: “Eu sei! Teus filhos somos nós”. José Régio (1901-1969)

MÃE

"Olha, meu Filho! quando à aragem fria D'algum torvo crepúsculo, encontrares Uma árvore velhinha, em modo e em ares De abandono e outonal melancolia: Não passes junto d'ela nesse dia E nessa hora de bençãos, sem parares; Não vás, sem longamente a contemplares: Vida cansada, trémula e sombria! Já foi nova e floriu entre esplendores: Talvez, em derredor, dos seus amores Inda haja filhos que lhe queiram bem... Ama-a, respeita-a, ampara-a na velhice: Sorri-lhe com bondade e com meiguice: -- Lembra-te, ao vê-la, a tua própria Mãe!" António Corrêa de OLIVEIRA (1879-1960)

Romaria das Festas de Santa Eufémia

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Em dia de romaria Desfila o meu vilarejo Ainda o galo canta o dia  Já vai na rua o cortejo O meu pai já está de saída Vai juntar-se aquele povo  Tem velhas contas com a vida A saldar com vinho novo Por mais duro o serviço Que a terra peça da gente Eu não sei por que feitiço Temos sempre novo alento A minha mãe, acompanhada De promessas por pagar Vai voltar de alma lavada  E joelhos a sangrar A minha irmã quis ir sozinha Saiu mais cedo de casa Vai voltar de manhãzinha Com o coração em brasa Por mais duro o serviço Que a terra peça da gente Eu não sei por que feitiço Temos sempre novo alento A noite desce o seu pano No alto deste valado O sagrado e o profano Vão dançando lado a lado Não sou de grandes folias Não encontrei alma gémea Há-de haver mais romarias Das festas de Santa de Eufémia

Valsa Redonda

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Miguel Araújo Será só matéria em rotação? É mistério, mera maldição? Desentristecer a custa e abrir mão Duro vai ficando o coração de quem não quer Dar-se à dor de ser quem é É da terra a sombra de ser só Adiada sina de ser pó? Ir desaprendendo a custo e abrir mão Duro vai ficando o coração de quem não quer Dar-se à dor de ser maior Contemplar o céu Não tem fim Enfrento o reverso Dou-me ao universo Rumo ao fundo em mim Será só o sangue em pulsação? Ou é do céu a sina da mão? Dar às asas e cortar com a raiz Duro vai ficando o coração de quem não quis Dar-se à dor de ser feliz

Quando se gosta de alguém

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Quando se gosta de alguém Sente-se dentro da gente Ainda não percebi bem Ao certo o que é que se sente Quando se gosta de alguém É de nós que não gostamos Perde-se o sono por quem Perdidos de amor andamos Quando alguém gosta de alguém Anda assim como ando eu Que não ando nada bem Com este mal que me deu Quando se gosta de alguém É como estar-se doente Quanto mais amor se tem Pior a gente se sente Quando se gosta de alguém Como eu gosto de quem gosto O desgosto que se tem É desgosto que dá gosto  Amália Rodrigues (letra) Carlos Gonçalves (música)

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece Nas ruas cheias de rumor; Minha alma vã desaparece Na muita pressa e pouco amor. Hoje é Natal. Comprei um anjo, Dos que anunciam no jornal; Mas houve um etéreo desarranjo E o efeito em casa saiu mal. Valeu-me um príncipe esfarrapado A quem dão coroas no meio disto, Um moço doente, desanimado... Só esse pobre me pareceu Cristo. Vitorino Nemésio (1901-1978)

A vida é breve

Baste a quem baste o que lhe basta O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta; Ter é tardar. A Mensagem Fernando Pessoa (1888-1935)

Oração do Mendigo:

Tudo no Teu Amor! Eu sou tudo no Teu Amor. Por isso me lanço suspenso confiante e nu. Zala 21.12.57 - 07.08.14

Mais e menos

No amor, regras que contem, Há uma só que não é vã: Amar hoje mais do que ontem Mas bem menos que amanhã E eu num fado que isso guarde Também acrescentaria Amo-te mais cada tarde Do que amei nascendo o dia E cada vez muito mais Do que antes, mas tais requintes São muito menos, ver vais Do que nos dias seguintes Com resultados tão plenos Como somar dois e dois: Muito mais e muito menos Conforme "antes" e "depois" No amor, regras que contem Há uma só que não é vã: Amar hoje mais do que ontem Mas bem menos que amanhã Vasco G. Moura

Soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção   que escrevo para ti. quando eu morrer  fica junto de mim, não queiras ver  as aves pardas do anoitecer  a revoar na minha solidão.  quando eu morrer segura a minha mão,  põe os olhos nos meus se puder ser,  se inda neles a luz esmorecer,  e diz do nosso amor como se não  tivesse de acabar, sempre a doer,  sempre a doer de tanta perfeição  que ao deixar de bater-me o coração  fique por nós o teu inda a bater,  quando eu morrer segura a minha mão.  Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

CRUCIFIXO

«Minha mãe, quem é aquele Pregado naquela cruz? - Aquele, filho, é Jesus... É a santa imagem dele! «E quem é Jesus? – É Deus! «E quem é Deus? – Quem nos cria, Quem nos manda a luz do dia E fez a terra e os céus; E veio ensinar à gente Que todos somos irmãos, E devemos dar as mãos Uns aos outros irmãmente: Todo amor, todo bondade! «E morreu? – Para mostrar Que a gente pela Verdade Se deve deixar matar. João de Deus (1830-1896)