Para lá do Marão…
MANUEL CARVALHO Público 08/05/2016 Por estes dias, o complexo político-empresarial anda especialmente excitado com a abertura do Túnel do Marão. O brilho do betão, o estalar dos foguetes e o ânimo da romaria continuam a deixá-los em êxtase. O momento, cheio de simbolismo, inspira-lhes pompa e circunstância. A ancestral ideia do isolamento que sustentava a identidade transmontana acaba de vez este fim-de-semana. A facilidade e o conforto do túnel vão fazer esquecer o pesadelo de viagens intermináveis na cauda de camiões, o perigo da chuva, do gelo ou o nevoeiro que tornava as passagens do Marão no Inverno em autênticas aventuras. Sim, o túnel vai aproximar o interior ao litoral, vai tornar o Norte mais pequeno e Trás-os-Montes e Alto Douro mais ligados ao mundo. Mas apesar desta evidência, o tom glorificador com que o complexo político-empresarial celebra o momento não deixa de ser uma impostura. Uma impostura igual à esmola que se dá a um pobre depois de o expropriar. O túnel é útil...