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Os rankings e a melhoria contínua

Rodrigo Queiroz e Melo Público, 09/11/2013 A melhor forma de melhorar a qualidade das aprendizagens é melhorar a qualidade do ensino (education book, McKinsey). Ter todos os alunos na escola foi, até há poucos anos, o principal desafio que se colocou a Portugal. Ainda hoje sofremos do facto de sermos um dos países da OCDE com a população ativa menos qualificada, facto que tem repercussões raramente estudadas ou consideradas quando discutimos a situação social do país. O sistema de saúde, os comportamentos no trânsito, a participação cívica, tudo são relações sociais em que uma população com baixas qualificações tem maiores dificuldades e vive em maior tensão do que uma população com mais qualificações. Hoje, todos os alunos estão na escola. Portugal superou o desafio da quantidade. Mas isso por si só não basta. Agora, temos de conseguir que essa escolarização seja conseguida e de qualidade. E é aqui que entram os rankings. Estas listas ordenadas de resultados dos alunos das ...

Só há responsabilidade onde há liberdade

Público 2011-12-27 Rodrigo Queiroz e Melo O Ministério da Educação colocou em consulta pública uma proposta de revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário para entrar em vigor já no próximo ano lectivo, mas anunciou que se trata de um primeiro passo de uma reforma mais profunda que tem ainda de ser estudada e preparada. Os desafios estritamente pedagógicos que se colocam a esta estrutura são muitos e eminentemente técnicos. Mas há duas questões estruturais que têm de ser tratadas e que estão a montante da discussão técnica: o financiamento e a autonomia da estrutura curricular. Não vale a pena fingir que as opções são neutras do ponto de vista financeiro. No contexto da crise que vivemos, esta questão é inultrapassável. Sendo o maior custo de uma escola os salários dos docentes, a única forma de reduzir substancialmente os custos do sistema é diminuir o número de horas curriculares. Nesta matéria, a discussão importante é saber qual a fatia do Orçamento do Es...

O custo da falta de liberdade de educação

Público, 2010.09.12 Rodrigo Queiroz e Melo Se em cada município dez alunos ingressarem, ou se mantiverem, no ensino privado, poupamos cerca de 10 milhões De acordo com dados recentemente divulgados pela OCDE, cada aluno no sistema público de ensino custa por ano ao Estado português cerca de 5 mil euros no ensino básico e 5695 euros no ensino secundário. Antes de analisar estes números e as suas implicações, importa manifestar alguma estranheza pelo facto de ter de ser a OCDE a divulgar esta informação, que deveria já ser conhecida dos portugueses e estar disponível (com ainda mais detalhe e desagregação) nos sites das entidades públicas portuguesas com responsabilidades no campo da educação. Estes são dados importantes, que nos permitem, em contexto de crise financeira e de discussão sobre o fim das deduções fiscais das despesas de educação, simular o impacto financeiro da transferência de alunos do ensino privado para o ensino público com base no argumento de que a família n...