Ainda há dinheiro para salários
André Azevedo Alves Observador 1/10/2016 O país caminha a passos largos para ter um Estado que paga salários aos seus funcionários mas não presta serviços porque não há dinheiro para mais nada. Deve ser isto o “virar a página da austeridade” Uma vez alcançado o poder, a “geringonça” não perdeu tempo a implementar as suas principais prioridades em termos de reversão de políticas anteriores. Uma das mais relevantes – e com maior impacto nas contas públicas – foi a de reverter cortes anteriores promovendo uma subida substancial dos salários dos funcionários públicos com remunerações mais elevadas, medida que foi associada à reposição das 35 horas semanais. Importa recordar que isto foi feito não obstante a situação precária da consolidação orçamental e sem que fossem apresentadas poupanças estruturais alternativas no Estado. Foi uma decisão politicamente compreensível: face à necessidade de satisfazer as principais clientelas e bases de apoio dos integrantes da “geringonça” o c...