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O Colégio Militar

LUIS CAMPOS E CUNHA Público 13/11/2009 Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona. E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre Colégio Militar. Devo declarar que não frequentei o Colégio, embora com pena minha, porque o meu Pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no Colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro. Não tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram. A...

Comboios rigorosamente vigiados

João Pedro Marques DN 20160404 Não havia turmas mistas nas escolas e liceus que frequentei, nos anos 50 e 60, ou só as havia na fase final do ensino liceal e em casos muito particulares. Era muitas vezes assim, nesse tempo, e não apenas no âmbito escolar. Masculino e feminino costumavam ser sinónimos de mundos separados. Felizmente, a partir dos anos 70, o Portugal censório e puritano onde as mulheres não usavam biquíni foi-se abrindo a outras formas de ver e as coisas, nesse plano, mudaram substancial- mente. O horizonte das meninas e das mulheres tornou-se mais amplo, mais justo, e nas últimas décadas masculino e feminino passaram a coexistir e socializar nos mesmos espaços, salvo algumas exceções que têm que ver com o pudor e a nudez. Mas, tirando essas exceções, as mulheres frequentam com total à-vontade quase todos os espaços dantes reservados aos homens, da parada do quartel às bancadas do estádio de futebol. Ainda há "santuários" masculinos, como a taberna, por ...

Nacionalismo de exclusão

PEDRO VAZ PATTO Público 30/03/2015  A rede Justiça e Paz Europa propõe que, em resposta ao "nacionalismo de exclusão", se reforce a consciência de valores europeus comuns. O tema escolhido para a ação comum deste ano da rede de comissões Justiça e Paz europeias – os perigos do "nacionalismo de exclusão" – poderá ser considerado algo desfasado da realidade portuguesa. Na verdade, não sugiram até agora entre nós partidos com expressão eleitoral significativa que se enquadrem nessa tendência política. Mas não é assim, e cada vez mais, noutros países, como se notou nas últimas eleições para o Parlamento Europeu e nas recentes eleições departamentais francesas. Nesta perspetiva, o tema torna-se particularmente atual e oportuno O documento relativo a essa ação comum dessa rede de organismos da Igreja católica (acessível em www.ecclesia.pt/cnjp ) não condena o natural, são e legítimo amor pela Nação, como extensão do natural amor pela família e pela comunidade...

Os condescendentes

Helena Matos | OBSERVADOR | 24/8/2014 Findo o serviço militar obrigatório, escaqueirada a escola pública em nome da pedagogia, sobram os estádios e os centros comerciais onde os jovens se cruzam independentemente da origem social e étnica Centenas de jovens afluíram ao Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, numa acção convocada através do facebook. O objetivo seria manifestarem-se contra o racismo. Geraram-se confrontos entre grupos rivais de jovens. Algumas lojas fecharam com receio de desacatos. A PSP foi chamada. Dois jovens foram acusados de resistência e coação a agente de autoridade. Duas raparigas foram acusadas de posse de arma branca utilizada durante o roubo de um telemóvel e uns óculos a uma menor. Um rapaz de 15 anos sofreu ferimentos provocados por uma chave de fendas. Cinco agentes ficaram feridos. Tendo em conta a juventude dos intervenientes, a presença da polícia (que, note-se, acabou com cinco agentes feridos) deve ser agradecida por todos...