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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

O 'mau feitio' do P. joão Seabra

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 OBSERVADOR   06.06.2022 À conta das suas invectivas contra os fariseus, ou à expulsão, a golpes de azorrague, dos vendilhões do templo, devemos supor que Jesus Cristo tinha mau feitio?! . Na sexta-feira passada, 3 de Junho, já tinha escrito e enviado a minha crónica semanal quando, inesperadamente, recebi a notícia do falecimento do Cónego João Seabra. Acrescentei, à dor pela sua partida, as minhas preces pela sua alma, na esperança de que já lhe tenha sido concedido o prémio prometido aos servos bons e fiéis. . Como acontece quando morre uma figura pública, surgiram em catadupa os comentários sobre o insigne cónego da Sé Patriarcal. Todos, creio, elogiosos, da sua pessoa e do seu imenso trabalho pastoral, mas em alguns não faltou uma infeliz referência ao seu alegado mau feitio. É muito despropositada uma tal referência num momento destes, mas é também uma mentira e uma injustiça, que requer reparação. . Não vou entrar na corrida dos que, agora, presumem amizade com o P...

A Magia do Natal

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P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA     VOZ DA VERDADE   15.12.2019 Não há publicidade natalícia que não fale de ‘magia’. A palavra não tem nada de ofensivo, mas tende a transportar o nascimento de Cristo para um reino lendário, que é o cenário mitológico das coisas ‘mágicas’. Do mesmo modo como os contos infantis estão cheios de princesas boazinhas e bruxas más, feitiços e amores impossíveis, maçãs envenenadas e varinhas mágicas, belas adormecidas e galãs cavaleiros, dragões fantasmagóricos e duendes saltitões, assim também o nascimento de Jesus mais não seria de que uma lenda piedosamente alimentada pelos cristãos, mas sem qualquer relação com a realidade histórica. É verdade que a imaginação popular acrescentou algumas personagens ao relato bíblico do nascimento de Jesus de Nazaré. Imaginou a presença, por certo muito razoável, da vaca e do burro: a primeira, como inquilina habitual daquele estábulo; e o jumento, como provável meio de transporte ...

23 de Janeiro | 21h | Verdade, Tolerância e Relativismo Moral

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A douta ignorância dos sábios

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P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA   OBSERVADOR   05.01.2019 Abundam os improvisados comentários teológicos, cozinhados à pressão na Bimby da opinião pública. Já faltou mais para um Prós e Contras sobre a virgindade de Maria … Entre as solenidades do tempo natalício, conta-se a epifania, que se celebra neste domingo e que recorda a adoração de Jesus por uns magos que, vindos do Oriente, foram conduzidos por uma misteriosa estrela até Belém, onde encontraram Jesus, Maria e José (Mt 2, 1-12). Os magos são a expressão da universalidade da missão de Cristo, Rei dos Judeus, como eles próprios o reconhecem e assim dizem a Herodes, que sente por isso em perigo o seu trono e toma a decisão de mandar matar todos os recém-nascidos em Belém (Mt 1, 16-18). Enquanto astrónomos, são também os representantes da ciência, chamada a prestar homenagem àquele que é, como ele próprio dirá de si mesmo, a verdade (Jo 14, 6). Logo desde o início, a fé cristã não se situ...

Os jovens e os fracassos pastorais de Jesus Cristo

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Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA     OBSERVADOR    17.11.2018 Os jovens não pedem à Igreja modernidade, mas autenticidade. Não esperam um discurso facilitador, mas uma proposta desafiadora. A propósito do sínodo sobre a juventude, muito se falou sobre a necessidade da Igreja adaptar o seu discurso aos jovens, sob pena de perder para a fé as novas gerações. São recorrentes os apelos para que a Igreja seja menos exigente e mais de acordo com o que os jovens pensam e fazem. Diz-se que só assim a juventude se poderá sentir protagonista da missão eclesial, que tanta necessidade tem do seu vigor e entusiasmo. Alguns, mais ousados, até advogam uma maior abertura em relação a certos comportamentos muito comuns entre a gente jovem, mas que não encaixam no rígido espartilho da moral católica. Por exemplo, a Igreja continua a insistir em que o casamento é para toda a vida, ou que tem que estar aberto à geração, ou ainda que não podem ser permitidas as rel...

Asia Bibi: ela sim!

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P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA  10.11.2018   OBSERVADOR  Portugal não pode ser insensível a este drama humanitário: mais do que uma questão religiosa, é um caso de justiça e de respeito pelos mais elementares direitos humanos. Primeiro, foi a boa notícia: no dia 31 de Outubro passado, o Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão absolveu Asia Bibi, que tinha sido condenada à morte em 2010, por uma alegada blasfémia que, como agora se provou, nunca proferiu. Depois de nove anos encarcerada, aguardando a execução, Asia Bibi, que tinha recorrido dessa decisão judicial, foi finalmente declarada inocente pelo Supremo Tribunal de Justiça. Mas, depois, foi a desilusão: quando se esperava a libertação de Asia Bibi, soube-se que não só não tinha sido excarcerada como o governo paquistanês, numa tentativa de acalmar os exaltados ânimos dos radicais islâmicos, comprometera-se a não deixar que Asia Bibi e a sua família deixassem o país, única hipótese de garantir...

O deputado e o cardeal

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Pe. GONÇALO PORTO CARRERO DE ALMADA   24.02.2018  OBSERVADOR Em Portugal, não é precisa nenhuma coragem para se ‘assumir’. Mas é necessário muito valor para alguém se afirmar católico, sobretudo se for fiel ao magistério e à tradição da Igreja. Por razões diametralmente opostas, duas personalidades foram agora objecto de campanhas mediáticas contraditórias: enquanto um deputado foi louvado em tudo o que é sítio; o Cardeal Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, foi brutalmente enxovalhado, como talvez há muito já ninguém era tão maltratado publicamente. Adolfo Mesquita Nunes é um jovem e promissor deputado, cujas intervenções públicas são, por regra, muito pertinentes. Graças à sua boa preparação e grande capacidade de argumentação, leva sempre a melhor nos seus confrontos com a bloquista Mortágua. Apesar de apreciar o seu trabalho, não li a sua entrevista de vida, pelo que só tardiamente me dei conta de que se tin...

Xutos e Pontapés na Igreja e no Estado

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  Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA        OBSERVADOR           16.12.2017 Não podendo o Parlamento honrar todos os cidadãos falecidos, é razoável que reserve as suas homenagens para os portugueses que mais se distinguiram pelo seu saber e serviço à comunidade. Há já muito tempo que não via algo tão insólito como o Parlamento aprovar por unanimidade – que, poucos dias antes, foi negada à memória de Belmiro de Azevedo – um voto de pesar pelo Zé Pedro, músico da banda Xutos & Pontapés. Belmiro de Azevedo foi um empresário como poucos no nosso país. Criou um grupo económico que dá emprego a milhares de trabalhadores e sustenta outras tantas famílias. Esteve também na origem de um jornal de referência, que é certamente uma mais-valia cultural. Nunca pedi nem obtive qualquer favor do Eng.º Belmiro de Azevedo, que não conheci pessoalmente. Também não tive nenhuma relação com qualquer seu familiar nem, que eu saiba, com n...

O medo e a coragem

Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA    OBSERVADOR    2.09.17 Faz sentido, aqui e agora, temer os assassinos que, em nome da sua religião, semeiam o terror por toda a Europa e não só. Muito se tem falado recentemente do medo e da coragem. Barcelona, numa massiva reacção ao atentado em que morreram mais de uma dúzia de pessoas, entre as quais duas portuguesas, fez gala em dizer ao mundo que não tem medo. Entre nós, um membro do governo assumiu publicamente a sua homossexualidade e, como costuma acontecer nestes casos, logo surgiram vozes a enaltecer a sua coragem. Eu tenho medo, graças a Deus. Não de que o céu me caia em cima da cabeça, como os irredutíveis gauleses, mas de ser morto ou ferido num atentado terrorista ou, pior ainda, que isso aconteça a pessoas da minha família, ou minhas amigas. Tenho medo pelas pessoas do meu país e de todos os países, pelos pobres e necessitados e pelos ricos e abastados, pelas crianças, pelos jovens, pelos adultos e pelos...

Santo António não era ‘santinho’ nenhum…

Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA       OBSERVADOR     17.06.17 Santo António de Lisboa, de Pádua e do mundo inteiro, foi um grande santo e um grande sábio, que de ‘santinho’ não tinha nada, pois foi um dos homens mais cultos do seu tempo. Uma coisa são os santos populares, outra muito diferente é o que os populares acham dos santos… Expressões quase homónimas podem ter, na verdade, significados muito diferentes: por exemplo, não convém confundir as obras-primas do mestre, com as primas do mestre-de-obras! Os santos populares – como o nosso Santo António – são grandes vultos da história universal, cuja memória a Igreja liturgicamente celebra; mas a sua versão popular por vezes não vai muito além do bailarico, das sardinhas, das fogueiras, da sangria, das quadras brejeiras e dos manjericos. Embora sejam louváveis os festejos populares, os santos são para tomar a sério e bom seria que assim fossem também as respectivas comemorações que, por vezes...

Fátima (1): Aparições ou visões?

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA   OBSERVADOR   29.04.17 Na Cova da Iria os pastorinhos tiveram visões e não aparições, mas o valor não é menor porque, como notou Bento XVI, visões têm uma força de presença tal que equivalem à manifestação externa sensível. Ainda não foi o centenário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima e já abundam as alegadas ‘desmitificações’ do fenómeno ocorrido na Cova da Iria, agora reduzido a uma mera narrativa, que cada qual reinterpreta a seu bel-prazer. Os factos ocorreram de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, tendo por protagonistas três crianças: os irmãos Francisco e Jacinta Marto, que o Papa Francisco vai muito felizmente canonizar no próximo dia 13, e a prima deles, Lúcia dos Santos, que foi a relatora das aparições. Para alguns, tudo não passou de um embuste político-religioso, para que foram aliciadas umas criancinhas analfabetas que, a troco de sabe-se lá o quê, se prestaram a ser videntes de mirabolantes aparições ...