P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 3/9/2016 Em Portugal, há uma ancestral cultura de irresponsabilidade política, talvez porque se pensa que as eleições são suficientes para punir quem não merece ser reeleito. Não, não é gralha: eu sei que o nome da lendária figura bíblica, seduzida e derrotada por Dalila, é Sansão e que sanção, segundo o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, não é nenhum nome próprio, mas uma “medida repressiva infligida por uma autoridade para condenar um acto”. Mas também sei que Portugal, quando esteve na iminência de ser exemplarmente castigado pelas autoridades europeias, viveu uma das mais trágicas comédias da sua história contemporânea. A tempestade já passou e, felizmente, tudo não foi além de um grande susto, mas o espectro dessa ameaça perdura na lembrança de todos, bem como nos cartazes que ainda expressam a indignação patriótica pela eventualidade do castigo, que só in extremis a diplomacia portuguesa conseguiu evitar. Ultra...