Os lutos
MIGUEL ESTEVES CARDODO PÚBLICO 18.06.17 É a altura de ouvirmos quem precisa, de ouvirmos quem não consegue falar, de ouvirmos a angústia de quem só é capaz de chorar. A tragédia de Pedrógão Grande é avassaladora. Humilha-nos com imensidão. A dor cala-nos. Não é altura de tirar conclusões. Não é a altura de pensar em voz alta. É a altura de ouvir, de querer ajudar, de respeitar quem morreu, quem luta pela vida, quem está a sofrer. O luto é nacional por ser sentido por todos mas, como todos os lutos, só quem sabe quem perdeu é que o pode compreender. É a altura de ouvirmos quem precisa, de ouvirmos quem não consegue falar, de ouvirmos a angústia de quem só é capaz de chorar. Cada pessoa que morreu era o centro de várias vidas que nunca mais serão as mesmas. Custa pensar nestas perdas, uma a uma e vez após vez, porque somos incapazes de imaginar tal desespero. Mas é em todas estas perdas que temos de pensar: quem era, quem eras, quem eram e a ...