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A razão de Passos

João Gonçalves | Jornal de Notícias | 20160822 Os partidos que hoje apoiam o Governo viveram praticamente os últimos anos na rua, a berrar, nas televisões e nos jornais a apontar o dedo e a "denunciar", nas redes sociais, com os seus voluntários ou avençados, a surpreender por detrás de cada membro do Executivo de Passos um candidato a "fascista" ou um malandro puro. Havia reportagens sobre a "geração mais bem preparada de sempre" que, aos 500 mil, tiveram de "emigrar" em virtude da maldade intrínseca da Direita. Mostravam-se filas matinais nos centros de emprego, "plenários" dos explorados trabalhadores dos transportes públicos municipais, apareciam "precários" como cogumelos em entrevistas e nas ditas redes. Relinchava-se por pelourinhos e demissões. O país era uma miséria institucionalizada pela Direita e aos bonzinhos das Esquerdas competia a tarefa patriótica de alterar tudo isso, primeiro pela habilidade comunicac...

Os amorais

João Gonçalves JN 20160808 Costa move-se sempre no limiar do delito político. Começou por derrubar Seguro depois de este ter dado duas vitórias ao partido. A seguir, recuperou algum pessoal do "socratismo", desprezando ostensivamente Sócrates, quando percebeu que a "teoria do poucochinho" se ia virar contra si. O poucochinho das legislativas levou-o a arranjar comparsas que lhe dessem o que faltava. Começou, aliás, a tratar disso mal leu o destino na opinião pública. Arranjou uma maioria parlamentar, esquadrinhada em três ou quatro papeletas bilaterais, que lhe permitiu um Governo minoritário, um programa, um Orçamento falacioso e outras bizarrias que vão saindo no "Diário da República". Os comparsas do Bloco e do PC não se preocupam excessivamente com detalhes. O que ainda há menos de um ano seria alvo de intensa berraria e "luta", agora faz-se de conta que não existe. Para estes beneméritos, não há aumento directo ou encapotado de impost...

KEN/SÓCRATES

João Gonçalves 2011-05-06 Portugal dos Pequeninos Ontem pus-me a ver Sócrates no programa da RTP2, do Fernando Alvim, intitulado "5 para a "meia-noite". Aquilo parece que é em directo. Ontem - o Fernando anunciou-o previamente - tinha sido gravado umas horas antes. Aquilo parece que tem perguntas aos convidados. Houve uma, gravada e estúpida, e uns bonecos computorizados a dizer disparates. Sócrates, impecável com uma camisa preta sem gravata, casaco preto e calças de ganga, evidenciou a sua insustentável leveza. Foi buscar Pessoa para falar do amor ("o amor de sua mãe", querendo ele dizer "o menino de sua mãe"), Berlusconi para falar dos fatos (uma repetição da gracinha de 2009 nos gato fedorento : atenção, central, é preciso inovar o "humor" do homem), o PS para falar dos amigos, a dobragem para falar de filmes (maravilhoso lapso freudiano) quando queria dizer legendagem, em suma, um boneco de plástico que articulava duas ou três frases s...