Carta ao meu avô
ADOLFO MESQUITA NUNES 19.12.16 VISÃO É estranho, mas não preciso de pensar muito para saber por onde começar esta carta. Sei exatamente o que quero dizer primeiro, agora que chegaram os últimos dias. Talvez porque a luz do dia – um daqueles dias com muito sol e muito frio, os meus dias favoritos na Covilhã –, permita distinguir bem o começo e o fim da estatura do meu avô: um compromisso firme com os outros. Pode parecer incomum que comece pelos outros e não por nós, eu e ele, a família e ele. Mas a verdade é que os outros foram sempre do meu avô. Tão dele que cheguei a invejá-los, sem entender. E o meu avô era isso, um homem comprometido com os outros. Não com a sua cidade, mas com os outros, não com as suas ideias, mas com os outros, não com os seus projetos, mas com os outros. Foi assim que eu aprendi a ver o meu herói e sei que tenho de partilhá-lo com muitos. Quem verdadeiramente ama os outros conhece-lhes o nome e aperta-lhes a mão. E o meu avô sabia-...