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A mostrar mensagens com a etiqueta Família: filhos

Mimar e ser mimado

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INÊS TEOTÓNIO PEREIRA    DN    28.04.2018 Quem é mimado sabe mimar, disse-me a Teresa educadora dos meus filhos. A frase não me sai da cabeça. Nunca dei assim tanta importância ao mimo, como se fosse condição para mimar ser mimado, mas pensando bem, ou apenas pensando sobre o assunto, é isso mesmo. É como quem ama: só sabe amar quem foi amado; ou dar: só sabe dar quem recebe. E por aí fora. Com o mimo é a mesma coisa. A minha mãe embrulhava-me na toalha quando me tirava do banho e apertava-me com força no abraço mais maravilhoso que alguma vez senti. Não sei que idade tinha, mas tinha idade para caber no colo da minha mãe como se tivesse nascido só para caber ali. Também tenho uma irmã que me fazia cócegas às escondidas da minha mãe quando eu estava na cama quase a dormir. Ela ia ao meu quarto só para me fazer rir. "Não excitem a criança que ela não dorme", mandava a minha mãe, e eu ficava com dores de barriga de tanto rir e não dormia. Os meus irmãos diziam qu...

Um negócio de Deus

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INÊS TEOTÓNIO PEREIRA   DN   24.10.2018 Descobri que os filhos são um negócio de Deus e não um assunto dos homens. Não encontro outra explicação. A um dos meus filhos digo-lhe que ele é um presente que Deus me deu e conto-lhe como foi: "Deus disse-me assim: toma lá este para te ajudar com os outros, é um brinde." Se não foi parecia: ele nasceu com caracóis louros e rechonchudo e nos livros que eu tenho de anjos, os anjos têm todos caracóis louros. Se vissem o sorriso dele cada vez que lhe digo isto. "O pior é que foste o quinto, já está tudo feito." Ele ri-se e às vezes cora. Ao mais novo dizemos que nos veio desarrumar a sala: "Foi um vendaval que Deus nos mandou para se divertir." E ele também se ri mas sem vergonha nenhuma. Uma vez escondeu-se num centro comercial e a Terra parou de girar, foram 15 minutos no inferno. "Estava a brincar", explicou ele quando um senhor o puxou debaixo de umas roupas, e estava mesmo. A quantidade de veze...

Os pais estão sozinhos

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INÊS TEOTÓNIO PEREIRA   DN   28.01.2018 Basta abrir o Facebook para se perceber que os pais não fazem ideia do que fazer com uma criança nos braços. Basta aderir a um qualquer grupo de mães para se ficar angustiado com as dúvidas que as assaltam e não as deixam dormir, com os medos que lhes toldam o raciocínio. Basta conversar com um pediatra para saber que os pais precisam mais de conselhos, apoio moral e alguém que lhes transmita confiança do que de conselhos médicos e científicos. Basta olhar para o lado para constatar que os pais precisam da comunidade, de ter família, de tios e de vizinhas que lhes digam como se faz, o que significa a borbulha que apareceu no rabo na criança e de alguém a quem tratam pelo nome que lhes garanta que aquilo que não mata engorda. Precisam de exemplos, resumindo. Os pais estão sozinhos e na sua solidão duvidam da própria sombra. O problema da natalidade chegou às novas gerações de pais: os novos pais são também filhos únicos, ...

Um homem de família

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A estrear esta semana

Carta à minha filha

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MIGUEL ARAÚJO    VISÃO    02.11.2017 Vivemos num tempo em que se fica com a ideia que temos que escolher aquilo que é melhor para nós, aquilo que mais nos agrada. Mas isso é o grande engano dos nossos dias D.R. Minha filhinha, Estás a dias de sair da barriga da tua mãe e ainda nem sequer tens nome. Ias ser Salomé, o tempo todo ias ser Salomé, porque era o nome da tua bisavó, avó da mãe, que a mãe adorava, mas agora parece que já não vais ser. A mãe lembrou-se de telefonar à tia avó, única irmã da tua bisavó Salomé, e pelos vistos a tua bisavó detestava o nome. Além disso, o nome tinha sido escolhido por uma madrinha que afinal acabou por se revelar uma bruxa, parece. Por isso não, já não vais ser Salomé. A mãe e eu andamos para aqui à volta com nomes (a mãe é um bocado indecisa, é uma coisa de família, tu já vais perceber.) Mas havemos de te arranjar um nome bonito. (Eu trato-te por tu, espero que não te importes, deste meu lado da família é pessoa...

Carta de um pai a youtubers, tentanto não ser maçador

NUNO MARKL     FACEBOOK       31.08.2017 Em primeiro lugar, parabéns. Parabéns pelo vosso sucesso, pelo vosso empenho e dedicação, pela maneira como desbravaram fronteiras e abriram novos caminhos para aquilo a que, ainda há pouco tempo, se chamava só televisão. E sim, invejo-vos. Vocês têm uma ferramenta criativa extraordinária com a qual eu só podia sonhar, quando tinha a vossa idade. O meu YouTube chamava-se Sony-Camcorder-a-gravar-coisas-numa-cassete-que-depois-enviamos-para-pessoas-como-o-Herman-a-ver-se-ele-responde-alguma-coisa. Tive, de facto, a sorte de acabar a escrever para o Herman em programas como Herman Enciclopédia, mas ele nunca chegou a ver as cassetes que, anos antes, lhe tinha enviado. Precisei de gastar alguns anos da minha vida a dar uma volta maior - um curso de jornalismo, um estágio como jornalista a tentar convencer os chefes que eu poderia era dizer coisas espirituosas em vez de ir a conferências de imprensa, o dia em qu...

Ronaldo: Comprar 'filhos' não é moral

HENRIQUE RAPOSO      RR ONLINE     07.07.17 Milionários como Elton John e Cristiano Ronaldo compraram os seus filhos no mercado das barrigas de aluguer. Esta é uma prática imoral, aliás, é um retrocesso civilizacional, porque devolve o ser humano à categoria de bem transacionável, retira ao ser humano o seu carácter sagrado, inviolável e não comercializável, transforma a vida humana em algo equivalente ao carro de luxo. Isto devia ser dito de forma clara por um coro indignado de milhões, mas não se ouve nada, nem um pio, nem uma hashtag, só alguns colunas de opinião dispersas. Não se percebe o silêncio. E não se percebe a forma como o debate tem sido introduzido na sociedade. Fala-se dos "afectos" da pessoa que quer muito ser pai; diz-se que essa pessoa tem "o direito a ser pai". Não, não tem. Ser pai ou mãe não é um direito, muito menos um direito natural. O que é de certeza um direito natural de todos os seres humanos é a garantia de que não podemos ...

Desculpe, mas agora tenho que desligar

LAURINDA ALVES    OBSERVADOR   07.02.17 Se o tema é o respeito que devemos aos filhos, então desliguemos o telemóvel ao chegar a casa. Ou até acabemos a chamada pedindo compreensão ao interlocutor, justamente por estarmos a entrar em casa. Pais, professores e educadores vivem cada vez mais no dilema de saber como ser exemplo construtivo e exercer a sua influência com autoridade e eficácia. Como ajudar a crescer, como fortalecer o caracter, como reforçar valores e competências, como fazer para que crianças e jovens se tornem adultos confiantes, seguros, realizados e felizes. Mais: capazes de fazer outros felizes e ajudar outros a crescer, influenciando-os também de forma positiva. Sabemos que humanamente todos temos uma inclinação natural para repetir os modelos educativos que tivemos na infância e juventude e, daí, haver tantos adultos que apesar de terem sido filhos maltratados, se tornam pais maltratantes. Felizmente tudo isto se conjuga pela positiva ...

Isto é o amor: uma maravilhosa injustiça

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TESTEMUNHO  DE ENRICO PETRILLO NO JUBILEU DOS DOENTES   12.11.16 Chamo-me Enrico, sou o pai de Francesco e de outros dois filhos que estão no céu e que nasceram antes dele, Maria e Davide.  A minha mulher Chiara, está no céu junto deles. Sou, por isso, viúvo há quatro anos. O Francesco tinha completado há pouco um ano. No entanto a minha história é belíssima. Porque a doença e a morte não tiveram a última palavra. Não tiveram o poder de nos fazer crer que o que estava a acontecer fosse uma desgraça. Vivemos a experiência do calvário com o Senhor. Fomos consolados por um Deus que esteve sempre connosco. S entimo-nos sempre amados. O Senhor deu-nos dois filhos especiais para acompanhar à porta do paraíso. E vimo-los adormecer e passar dos nossos braços para o colo do Pai. Pensámos: Onde está a desgraça? Nasceram prontos!  Tínhamos a santa certeza no coração que fosse uma graça, tudo o que estava a acontecer.  Vislumbrámos o Senhor na lógi...

O que o filho de Leonard Cohen tem a agradecer ao pai

DN         13.11.26 Adam Cohen escreveu neste domingo na sua página de Facebook, depois de, segundo o próprio, ter "acabado de enterrar" o pai, o músico e poeta que morreu na quinta-feira aos 82 anos "A minha irmã [Lorca] e eu acabámos de enterrar o meu pai em Montreal. Apenas com a família próxima e alguns amigos de longa data presentes, ele foi descido até à terra num caixão de pinho sem adornos, ao lado da sua mãe e do seu pai. Exatamente como ele pediu", escreveu Adam Cohen, um dos dois filhos de Leonard Cohen, este domingo  na sua página de Facebook . Adam trabalhou com o pai, o poeta e músico canadiano que morreu nesta quinta-feira, aos 82 anos, no seu último álbum,  You Want it Darker , editado em outubro. O que começava por informar os fãs de Cohen acerca das suas exéquias, revelar-se-ia quase uma carta de agradecimento ao pai, que no final agradece a todos os que o seguiram até à sua morte: "Enquanto escrevo isto penso na sua co...

Os filhos dos outros e os nossos

Inês Teotónio Pereira DN20160924 Os pais de hoje chateiam imenso os filhos. Tanto amor é defeito, dizia a minha avozinha. E é. Nós passamos os nossos dias obcecados com os dias dos miúdos. Não lhes damos descanso. Onde estão, o que fazem, o que estudam, com quem se dão, se estão agasalhados, se estão felizes, se têm amigos, o que pensam. E vivemos paranoicos com o futuro deles. Aos 15 anos já deviam saber o que querem da vida. Uma ideia, mais ou menos. Mas não. Os miúdos não têm interesses, meu Deus. Não leem, só gostam de consolas e do YouTube. Acham que wi-fi é gratuito e que o leite nasce do frigorífico. Caminhamos para o fim do mundo e eles são os protagonistas. É o fim. Não dormimos. Além disso não são autónomos (pudera). Depois, olhamos para os filhos dos outros e ficamos deprimidos. Há sempre os filhos dos outros. Aqueles filhos que os nossos pais nos apontavam como a luz do farol. Aqueles filhos dos outros que estão sempre felizes, que têm um futuro brilhante pela frente...

Pedido de Socorro

Inês Teotónio Pereira DN 20160917 Tudo começa quando chegam as listas de material escolar. Dá-me nervoso miudinho como se estivesse a dias de fazer uma operação de coração aberto. O sono é solto e os sonhos são pesadelos sobre compassos, canetas e separadores de plástico que me perseguem por florestas a arder em cenários de hipermercados. E eu, com os pés em brasa e a cabeça a andar à roda, não encontro os pincéis de tamanho dois e quatro. Só tenho um e de tamanho seis. Há milhares de tamanho seis. Acordo a suar ao som das gargalhadas da menina da caixa a dizer que tenho de lá voltar no dia seguinte porque já não há cadernos de argolas com capa mole, só há com capa dura. "Não servem. Ahahahah!" Ri-se ela. O sonho muda todos os anos, mas é sempre um pesadelo. Há quem tire férias para preparar o regresso às aulas. Férias para encontrar guaches de seis cores específicas, tinta acrílica ou portfólios com 20 capas, em vez de férias para ir à praia. Férias para percorrer 2...

Ser feliz é dar-se!

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Sofia Costa Guedes, Facebook , 20160911 Hoje, Domingo, quando estava a fazer a minha caminhada habitual, mesmo à beira do Atlântico, reparei num cena que me interpelou profundamente e quase me deu a resposta para o sentido da vida! Estavam um pai e os seus dois filhos à pesca. Percebi que o pai ensinava com muita calma e paciência, dando atenção ora a um ora o outro. Depois afastava-se um pouco e observava enquanto preparava um outra  coisa. O dia está lindo, e o mar parece que respira, com as ondas a crescerem ao aproximarem-se da terra onde se vão desfazer. É neste ir e vir, neste crescer e morrer que a vida acontece. Desde sempre ouvi a frase “ mais do que lhe dar o peixe, é ensina-lo a pescar”. E sempre achei uma frase bonita, com sentido. Mas hoje que vi ao vivo esta afirmação, fui ainda mais longe... Percebi que o sentido da vida, é o que passamos aos outros, o que ensinamos, ou o que nos é ensinado. Não em termos intelectuais, mas a sabedoria da vida corrente, aquela...

Quando as crianças são cola

Inês Teotónio Pereira DN 20160910 Há poucas coisas que nos liguem tanto às pessoas quanto as crianças. Alguém que cuide, que brinque, que goste de um dos meus filhos entra de rompante na minha vida como um dos meus melhores amigos. É uma espécie de amor à primeira vista. Não se quer saber de mais nada - chega e sobra que goste dos meus filhos para passar a ser uma das pessoas mais importantes da minha vida. Nós gostamos de quem gosta de nós, mas apaixonamo-nos por quem gosta dos nossos filhos. Tal como no amor à primeira vista, a razão não entra na equação. É tudo emoção. Nós pais somos fáceis. Apaixonamo-nos facilmente. No meu caso basta que a dona Juvenália atravesse a rua com um pacote de bolachinhas "daquelas que ele gosta" para eu dar ao "seu" Manel para me sentir mais leve e feliz. Como se o mundo estivesse finalmente em ordem e a dona Juvenália a protagonista principal. O mesmo com a Riquita que, de Angola, me pergunta regularmente pelo "meu bebão...

Neste ano é que é

Inês Teotónio Pereira DN 20160903 Início de ano letivo, início de ano - digam os Maias ou o Papa Gregório o que disserem. Por isso, é esta a altura de compromissos. Aqui vão eles. Neste ano vamos jantar à mesa todos os dias e não na cozinha por turnos. Não vou gritar por causa dos trabalhos de casa, vou ver os cadernos dos mais novos com regularidade e dedicar pelo menos meio-dia ao fim de semana a ajudá-los nos trabalhos de casa. Vou ser paciente, calma, dedicada e sorridente. Vou ser firme mas não autoritária ou impaciente. Vou ver os treinos de futebol e as outras atividades com mais regularidade e vou ler histórias ao mais novo todas as noites. Não me vou atrasar uma única vez e vou deixar sempre tudo pronto de véspera - mesa do pequeno-almoço, roupa, etc. Neste ano não vou dizer "agora não", "já vou" ou "depois já vimos" com tanta frequência. Vou manter a determinação de não arranjar um cão e arranjar determinação para deixar de comprar cereais...

Um filho

Inês Teotónio Pereira DN20160827  É um clássico: uma pessoa sai à rua com seis crianças e tem a sensação de que está a desfilar num cortejo do circo. Uma família com seis filhos e um elefante com duas trombas despertam as mesmas emoções de espanto e até admiração. Pois, tenho a dizer que depois de passar uma semana com apenas um filho enquanto os outros estão distribuídos pelo país, acho esta admiração por famílias numerosas descabida. O que custa é aturar um filho, e não seis. Com seis filhos somos uma espécie de comandante de um batalhão: dá-se ordens e depois podemos ir ler um livro. A máquina funciona sozinha, eles brincam uns com os outros, ajudam-se uns aos outros e chateiam-se uns aos outros. Com um, temos de ser nós a brincar, a ajudar e, como não há mais ninguém, é a nós que a criança chateia. Ao fim de uma semana a criança está farta de me aturar e eu farta de andar de gatas, de fazer castelos na areia, mudar fraldas e já sonho com o Bombeiro Sam e a Patrulha Pata. Te...

Férias socialistas

Inês Teotónio Pereira DN 20160806 Em minha casa, durante as férias, é a rebaldaria total. Não há forma de ser de  outra maneira: as regras vão de férias para eu poder estar de férias. Não há horas para nada, não se come sopa, anda tudo descalço, as crianças só tomam banho quando lhes apetece ou quando o cabelo fica hirto de tanto sal, a televisão só se apaga quando o último cai para o lado, as refeições são à base de enlatados e eu desconheço qual seja o nível de desarrumação dos quartos, visto que nos últimos dias só tenho entrado no meu. É o caos. E a verdade é que no caos governa-se melhor. Por exemplo, como em vez de sopa dou gelados aos meus filhos as birras são muito menos frequentes e o governo do lar é mais suave. Nas férias eu sou a pessoa mais popular desta casa. Primeiro, porque gasto dinheiro em coisas parvas com a criançada e depois porque não chateio ninguém, dou muito poucos castigos e raramente grito. Calhasse eu ir a votos em agosto e não precisava de acor...

Jovens com opinião

Inês Teotónio Pereira DN 20170730 Alguns dos meus filhos estão a ficar gente: têm opiniões. Estão a entrar naquela idade em que já não perguntam, debitam o que lhes vai na alma. Não sabem muita coisa sobre quase nada por falta de tempo, mas falam de tudo. Têm opinião sobre terrorismo, religião, esquerda e direita, sobre profissões, música, o que está bem e mal em casa, no país ou no Médio Oriente. E têm a certeza absoluta. São opinativos fundamentalistas. Funcionam com base no "porque sim" ou porque viram no YouTube. E não há teoria, realidade ou factos que os afastem da sua verdade. Pais e mães mais experientes já me tinham avisado de que esta fase iria chegar e que, segundo eles, "era muita giro". Pois não é. Passar por isto é o mesmo que ouvir os profissionais do comentário na televisão e não poder mudar de canal. É irritante. É o mesmo que jantar com a SIC Notícias em bloco. Com todos ao mesmo tempo e todos os dias. E o pior é que não os podemos insulta...

Quem protege os nossos filhos?

Inês Teotónio Pereira DN20160716  É principalmente pelos filhos que se fazem guerras, que se elegem líderes, que se formam exércitos, que existe soberania. Já nem é por nós. É por eles e para eles. Tudo isto só faz sentido por eles: para lhes entregar um mundo melhor do que aquele que recebemos, para garantir que tenham, pelo menos, uma vida tão segura e não pior do que a nossa. Pois tenho arrepios na espinha quando penso nisso. Eu tento tudo para protege-los e formá-los o melhor que posso e sei, mas não chega. Não bastamos nós, que gostamos deles, para conseguir salvá-los. É preciso uma aldeia inteira, um país inteiro, o mundo inteiro para proteger os nossos filhos. Os pais que levaram os filhos a ver o fogo-de-artifício não chegaram para os proteger. Era impossível. E é essa imprevisibilidade e impotência que arrepia. Durante semanas vamos chorar os mortos, dar graças a Deus por termos escapado desta e talvez participemos em mais uma manifestação de solidariedade pelas vítima...

Filhos grandes

Inês Teotónio Pereira DN, 20160605 Uma coisa é ter filhos pequenos. É fácil. Sabemos o que temos de fazer e se não sabemos perguntamos a alguém. A tarefa é antes de mais logística, envolve conversa e brincadeira. Não há dramas. Apenas algumas angústias pelo tempo que devíamos ter e não temos e pela atenção que devíamos prestar e não prestamos. Somos bombardeados com perguntas, pedidos; eles enfiam-se na nossa na cama, exigem mimo e choram de saudades. A nossa função é responder a tudo dentro do possível. Mas a solicitação é quase sempre deles. Na verdade somos o sujeito passivo da relação. Faz-se bem: a prática melhora a performance. E é quando estamos quase perfeitos, quando já sabemos de cor porque é que as estrelas não caem e quando eles percebem que a mãe vai mas já volta - é quando estamos apuradinhos, vá - que eles crescem. E é então que deixam de querer o nosso tempo, querem boleia; também não querem atenção, querem dinheiro. E os papéis invertem-se: quem quer brincar som...