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Cristianismo e Jogos Olímpicos

P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 27/8/2016 Se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?! No Público de 19 de Agosto passado, o historiador Rui Tavares, que também é fundador do Livre, escreveu: “o que acabou com os Jogos Olímpicos antigos foi a chegada ao poder do cristianismo. Teodósio, o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano (Constantino foi o primeiro a converter-se ao cristianismo, mas já perto da sua morte), emitiu uma série de decretos abolindo todo o tipo de cultos aos deuses pagãos, e foi assim que os Jogos Olímpicos, que eram tanto uma festa religiosa quanto desportiva, se extinguiram por mais de mil e quatrocentos anos. Teodósio era orgulhosamente intolerante contra os rituais, as imagens e a sensualidade do paganismo”. É curioso que este historiador, embora reconheça que Constant...

Ser cristão não serve para nada?

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 20/08/2016 Ser cristão não serve para nada? Há uma semana  escrevi um texto sobre a ida de Marcelo Rebelo de Sousa à Madeira  onde escrevi duas coisas que irritaram uma impressionante quantidade de leitores e de amigos. A primeira coisa foi ter elogiado o comportamento do presidente da República relacionando-o com o facto de ele ser cristão. Ou seja, atrevi-me a considerar que Marcelo demonstrara no Funchal uma capacidade e um talento para consolar quem sofria que tinha uma ligação com a fé que professava. A segunda coisa foi ter dito que a empatia se encontrava retratada nos Evangelhos como em mais lado nenhum. Inúmeros leitores agnósticos e ateus ficaram ofendidos com as minhas palavras. Essa ofensa tem um duplo efeito sobre mim: chateia-me e entristece-me, porque me parece pura e simplesmente absurda. Vamos por partes. Em primeiro lugar, a questão dos Evangelhos. Eu não conheço todos os livros sapienciais do planeta, mas dentro daquilo...

Marcelo, o bom samaritano

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 13/08/2016 Numa época em que ser cristão parece tão fora de moda, vale a pena recordar o que isso significa. Neste caso, basta apontar para Marcelo na Madeira e dizer: é aquilo. Quando soube que Marcelo decidira partir para a Madeira a grande velocidade, ainda os incêndios lavravam no centro do Funchal, pareceu-me uma péssima ideia. Marcelo não faz parte do grupo de intervenção da GNR e não consta que tenha treino de sapador. Numa ocasião dessas, o mais provável é ir só atrapalhar, e a prudência aconselharia a que aguardasse 24 ou 48 horas. O presidente do Governo Regional tem mais que fazer do que dedicar-se aos salamaleques e ao tour de cortesia, como tem o presidente da Câmara do Funchal, o chefe dos bombeiros ou os homens da protecção civil. Se o Presidente da República chega é preciso estar lá, cumprimentar, levar aos sítios, arranjar um helicóptero que voe de Porto Santo até à Madeira, por causa dos ventos. Um Presidente exige sempre protocolo...

O erro da Europa é pensar o Islão com o modelo do cristianismo

Le Figaro , 20160720 ENTREVISTA - Filósofo, especialista da filosofia medieval árabe, membro do Instituto, Rémi Brague explica as fontes teológicas nas quais o Estado Islâmico vai poisa e admira-se que se continue a apreender a religião muçulmana através do prisma do cristianismo. LE FIGARO. - Mohamed Lahouaiej Bouhel, a crer nos que lhes são próximos, não tinha o perfil de um jiahdista. O ministro do Interior falou de um “radicalismo expresso”. O que lhe inspira esta reflexão? Não está mal como perplexidade. No caso do matador nicense, nós não temos ainda totalmente claras as suas motivações. E, qualquer que seja o ritmo ao qual se opera, a “radicalização” não é uma noção clara. Faltaria em primeiro lugar pormo-nos de acordo sobre as suas “raízes”, às quais a palavra remete. Porque é que regressar às raízes deverá conduzir ao crime? A vida do indivíduo (bon-vivant, bebedor de álcool, dançarino de salsa) testemunham o seu afastamento do islão. Os homens do 11 de Setembro era...

O Brexit visto da Arménia

Aura Miguel RR online 24 jun, 2016 O habitual clima cordial e semi-sonolento dos vaticanistas foi substituído por uma sombria apreensão sobre o futuro da Europa. De madrugada, como sempre acontece, entrámos no avião papal, desta vez, com destino à Arménia. Mas o habitual clima cordial e semi-sonolento dos vaticanistas foi, nesta sexta-feira, substituído por uma sombria apreensão sobre o futuro da Europa (e não só, pois alguns colegas dos EUA também temem que, no seu país, “a escolha do povo” possa recair em Donald Trump). Esta desorientação do “primeiro mundo” (em que tudo parece agora desmoronar, como num baralho de cartas) contrasta com a profunda identidade do povo arménio, apesar da – ou talvez devido – sua conturbada história de contínuas perseguições, indiferenças e de um genocídio que, há 100 anos, causou 1,5 milhão de mortos. Há quase dois mil anos que os arménios se assumem cristãos, ao ponto de o actual Presidente da República, Serzh Sargsyan, dizer ao Papa que a...

Mitos vs. factos históricos

POVO  21.6.16  O ponto de partida para uma Europa multicultural é uma Europa que não tenha vergonha do seu passado. "A Cristandade poderia ter ficado razoavelmente alarmada se não tivesse sido atacada. Mas, e é um facto histórico, foi atacada. O Cruzado teria sido suficientemente justificado por suspeitar do Muçulmano, mesmo que o Muçulmano fosse meramente um novo estranho; mas, e é um facto histórico, era já um velho inimigo. O crítico da Cruzada fala como se estivesse a referir a uma tribo inofensiva ou a um templo no interior do Tibete, o qual nunca foi descoberto até ser invadido.  Parecem esquecer inteiramente que muito antes dos Cruzados sonharem em cavalgar sobre Jerusalém, os Muçulmanos tinham quase cavalgado até Paris. Parecem esquecer-se que se os Cruzados quase conquistaram a Palestina, isso foi apenas uma resposta aos Muçulmanos que quase conquistaram a Europa" G. K. Chesterton in "The new Jerusalem"

Em defesa da velha ideia de Universidade

João Carlos Espada Observador 2/5/2016 O que faz uma grande universidade no século XXI é basicamente o mesmo que fez as grandes universidades no passado, desde a sua génese, na Grécia Antiga, à sua consagração, na Idade Média Cristã. “O que faz uma grande universidade no século XXI?” Este foi o tema de um debate estimulante — mas também preocupante — que teve lugar em Oxford, no domingo da semana passada (24 de Abril) A iniciativa pertenceu à IARU (International Alliance of Research Universities) e reuniu responsáveis da Universidade Nacional da Austrália (vice-chanceler), da Universidade Nacional de Singapura (presidente), Universidade de Pequim (presidente), Universidade da Cidade do Cabo (vice-chanceler), Universidade de Copenhaga (reitor) e da Universidade de Oxford (vice-chanceler).  O aspecto mais estimulante foi também o mais preocupante. Sob a vigorosa liderança da nova vice-chanceler de Oxford, Louise Richardson, os participantes foram gentilmente levados a sub...

O estranho silêncio sobre a perseguição aos cristãos

João Carlos Espada Observador 4/4/2016 Muitos pensam que, se o Ocidente permanecer afastado das disputas religiosas, o anjo da morte não irá escolher-nos. Mas a experiência dos judeus antes e durante a II Guerra mostra que isso não resulta “Os cristãos estão a ser perseguidos em cerca de 50 países, entre eles a Coreia do Norte, a Síria, Somália e Sudão. (…) A limpeza étnica de cristãos é um dos grandes crimes da nossa época e estou chocado por ter havido tão pouco protesto internacional sério.” Este alerta foi lançado no Telegraph de Londres, na passada terça-feira, pelo Rabi Jonathan Sacks. Na mesma edição, o diário britânico dedicou-lhe um editorial. No sábado, na sua coluna na revista The Spectator, Charles Moore (biógrafo autorizado de Margaret Thatcher) voltou ao tema: “Seria de esperar que o assassinato de cristãos gerasse particular horror em países de herança cristã. No entanto, quase o oposto parece ser verdade. (…) Os políticos ocidentais raramente protestam co...

Páscoa

Inês Teotónio Pereira DN 20160326 Dizia-me um padre que a nossa grande e mais importante missão como pais é educar os nossos filhos como cristãos. Coisa que, apesar de católicos, a esmagadora maioria dos pais relativiza. Comigo à cabeça. Educar um filho a ser cristão exige mais dedicação do que prepará-lo para entrar no MIT ou nos jogos Olímpicos - não há explicações ou treinadores que nos valham. Educar implica dar o exemplo, ter firmeza, muito amor, estabelecer regras, etc.; são 24 horas sobre sete dias até ao dia em que finamos. E a lista de propósitos não tem fim: é preciso que os nossos filhos sejam honestos e corajosos, trabalhadores e responsáveis, generosos e íntegros; que não tenham privações, que sejam cultos, viajados e que dominem mais de uma língua; que consigam conciliar tudo isto sendo ao mesmo tempo competitivos e ambiciosos. Homens e mulheres de sucesso, sérios, modernos e que saibam comer à mesa, resumindo. Ora, no meio desta maratona, vem o padre e diz isto: e...

Testemunho da Irmã Maria Guadalupe em Alepo, Síria

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Entretanto, o Observador publicou este artigo que vale a pena pelas frases que mais impressionaram o jornalista. Entretanto, o video tem uma versão com legendas em português. Ouvir para crer: testemunho de Guadalupe, a Irmã missionária que vive na Síria Observador 25/2/2016 A Irmã Maria de Guadalupe escolheu ir para a Síria para descansar depois de 12 anos em missão. Está lá há quatro anos. Tantos quantos tem a guerra na Síra. E agora dá um testemunho real e impressionante. A Irmã Guadalupe tornou-se missionária, e a sua primeira missão tinha como destino o Médio Oriente, mais concretamente Belém, na zona palestiniana. Como cristã a felicidade não podia ser maior: “A Terra Santa!”. No entanto, foi depois transferida para o Egito, onde passou 12 anos. Durante esse tempo viajou pelos vários país da região. Houve um que a impressionou pela paz, tranquilidade e harmonia em que se vivia: a Síria. Depois de o cansaço e o desgaste pelo trabalho que fazia no Egito te...

Carta aos amigos do Bloco de Esquerda

Caros amigos, Sim, amigos. Bem sei que ainda vamos no início, mas explico já esta primeira parte: considero amigos aqueles a quem quero o bem. E, sinceramente, quero-vos bem. Não ponho a hipótese de, como eu, vocês não procurarem a vossa felicidade; não ponho a hipótese de vocês não quererem o bem para os vossos filhos, exactamente como eu quero o bem para os meus. Naquilo que é o essencial da vida, nós somos iguais, irmãos, os mesmos. Temos o mesmo coração, o mesmo mais profundo desejo pulsa-nos exactamente com a mesma intensidade. Além disto, vocês ajudam-me, como cristão, a tentar e a querer ser melhor todos os dias, porque a vossa postura, as vossas ideias – completamente opostas às minhas, na maioria das vezes – ajudam-me a querer afirmar mais seriamente as minhas, a querer viver mais abertamente as minhas. Se eu considero, experimento e verifico que viver de certa forma me deixa profundamente feliz, inteiramente realizado, então ver, através dos vossos cartazes,...

Os refugiados e a fé cristã

Pe. Duarte da Cunha Voz da Verdade, 2016.02.14 A Guerra, e sobretudo quando a esta estão associadas perseguições por motivos religiosos ou étnicos, e a pobreza, especialmente quando acontece em países onde a vida política é muito instável, fazem sempre crescer o número de pessoas que devem fugir e procurar um lugar para sobreviver e dar alguma esperança às suas famílias. O número de refugiados é hoje, de facto, enorme em todo o mundo. Só no Médio Oriente: Jordânia, Líbano e Turquia acolhem milhões em campos, onde, com a ajuda internacional, tentam dar um mínimo, mas geralmente em condições terríveis. E se há muitos a sofrer, os cristãos sãos dos que sofrem ainda mais. Não podemos esquecer que as minorias religiosas ou étnicas, que desde sempre viveram nas cidades de onde agora são expulsos por causa da religião, têm muita dificuldade em ser acolhidos nesses campos. Perseguidos pelos perseguidores e pelos outros perseguidos, estes nossos irmãos são dos que mais sofrem. E não po...