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O burquíni explica o Brexit

Sebastião Bugalho ionline, 20160826 O maior crítico a este atentado contra a diversidade não foi um movimento femininista. Foi um jornal conservador Quem foi o maior crítico à proibição do burquíni em França? Não, meu caro leitor, na comunidade internacional, não foram os movimentos feministas. E não, meu caro leitor, na sociedade política, não foi a esquerda gaulesa, que até tem, pasme-se, uma ministra para os direitos da mulher.  O maior crítico a este atentado contra a diversidade foi um jornal conservador, a publicação de direita mais lida do Reino Unido, o “Telegraph”. Nele foi escrito que os verdadeiros “inimigos da liberdade” são os polícias. Nele foi escrito que os decretos dos autarcas que proíbem o burquíni são ilegais.  O meu caro leitor perguntará legitimamente: por que diabo temos a direita britânica a defender mulheres muçulmanas quando até a esquerda francesa perdeu a paciência? Um primeiro palpite apontaria para os recentes atentados em França....

Este mundo não é nada como tínhamos imaginado

José Manuel Fernandes Observador 28/7/2016 O multiculturalismo falhou porque ignorou a centralidade dos nossos valores. O laicismo também falhou pois ignorou que a modernidade não é só filha do Iluminismo, é também da tradição do cristianismo. Não foi assim que imaginámos que ia acontecer. Não imaginámos que a globalização, que muitos diziam que ia empobrecer os pobres, causasse afinal problemas nos países ricos. E por isso não vimos chegar Donald Trump, como antes não compreendêramos o significado do voto popular em Marine Le Pen ou em Nigel Farage. Não imaginámos que aqueles que foram sendo acolhidos na Europa como imigrantes se voltassem tão violentamente contra os valores dessa mesma Europa. Não imaginámos que uma, duas gerações depois de chegarem continuassem não apenas a não estar integrados, como a recusar a integração. Não imaginámos que, depois da revolução portuguesa de 1974, das transições democráticas na América Latina, desse maravilhoso ano de 1989 em que ...

Religião e futebol

Eduardo Cintra Torres | Correio da manhã | 10.07.2016  O desprezo pelo catolicismo é uma herança do jacobinismo.  Muitas pessoas desdenham da religiosidade de Fernando Santos. Católico praticante, não esconde a sua fé, mas também não a alardeia. É a sua. O desprezo pelo catolicismo é uma herança do jacobinismo e da influência maçónica no país desde há um século. Tem imenso poder mediático e político. Muitos que exprimem, conscientes ou não, este desprezo são os mesmos que elevam o futebol ao estatuto de quase-religião. Por exemplo, têm fé, esperança e caridade pela Selecção, mas não lhes passa pela cabeça estarem a mimetizar as três virtudes teologais do catolicismo. Há muitas outras manifestações da "religião profana" do futebol. Esta quase-religião é respeitável, mas denuncia em si mesma a irracionalidade dos ataques à religião verdadeira dos outros.

Daniel Oliveira e a mesquita

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 02/06/2016 A vigilância laica que a esquerda dedica ao catolicismo transforma-se em paixão multicultural quando o assunto é o islamismo. Há uma semana escrevi nesta página um texto intitulado Uma mesquita na Mouraria que deu origem a alguma polémica. No Expresso Diário, Daniel Oliveira acusou-me de ser apenas laico no que toca a mesquitas. Trata-se de uma pura inversão do meu argumento inicial – eu critiquei a esquerda jacobina por mostrar uma surpreendente disponibilidade para aceitar que a Câmara de Lisboa ofereça uma mesquita novinha em folha à comunidade islâmica. O artigo do Daniel demonstra isso mesmo, e não altero uma linha em relação ao que escrevi: sim, a vigilância laica que a esquerda dedica ao catolicismo transforma-se em paixão multicultural quando o assunto é o islamismo. Vejamos as nossas principais discordâncias, ponto por ponto. Daniel Oliveira começa por dizer que as expropriações de um proprietário são “banais quando há obras nu...

Uma mesquita na Mouraria

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 26/05/2016 - 07:49 A laicidade não diz respeito apenas ao catolicismo, pois não? A primeira notícia que li sobre o assunto saiu no PÚBLICO do passado dia 18, mas a desatenção é minha: em Outubro de 2015 já vários jornais haviam dado conta da intenção da Câmara de Lisboa em construir uma nova mesquita na Mouraria. Deixem-me sublinhar logo à cabeça, que é para não pensarem que receio a infiltração do Daesh na Baixa de Lisboa, que nada me move contra mesquitas. Aliás, se há sítio onde faz sentido construí-las é na Mouraria, como o próprio nome indica. A minha questão é muito mais comezinha, e não tem nada a ver com o papão do terrorismo islâmico. Ela resume-se a duas breves palavras e um ponto de interrogação: quem paga? A notícia do PÚBLICO centrava-se em António Barroso, proprietário de dois edifícios que a câmara decidiu expropriar e demolir para a construção da mesquita e requalificação da Praça da Mouraria. António Barroso quer mais dinheiro pel...

Laicidade e laicismo

Anselmo Borges DN 20160409 1 O Papa Francisco, na visita ao Brasil, deixou uma mensagem fundamental sobre a laicidade: "A convivência pacífica entre as diferentes religiões vê-se beneficiada pela laicidade do Estado, que, sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do factor religioso na sociedade." A laicidade do Estado, isto é, a sua neutralidade confessional, é essencial para garantir a liberdade religiosa de todos: ter esta ou aquela religião, não ter nenhuma, mudar de religião. Aliás, a laicidade é exigida pela própria religião. Porque confundir religião e política significa ofender a transcendência de Deus, e também porque só homens e mulheres livres podem professar de modo verdadeiramente humano uma religião. Mas, para compreender o alcance da afirmação de Francisco, impõe-se a necessária distinção entre laicidade e laicismo. Uma distinção que, refere o teólogo José María Castillo, é reconhecida pelo Dicionário de Lí...

E pluribus unum

OJE | 10/01/14 | Rui Tabarra e Castro No passado domingo, dia 5 de janeiro, morreu Eusébio. Tinha 71 anos. Figura maior do desporto nacional considerada, à escala planetária, um dos melhores futebolistas de todos os tempos, foi ao serviço de Portugal e do glorioso Sport Lisboa e Benfica, que alcançou os seus maiores feitos. Os portugueses, independentemente das suas preferências clubísticas, prestaram-lhe a devida homenagem e as celebrações fúnebres contaram com a presença de diversos titulares de órgãos do Estado. No dia do seu funeral, admito que, por vontade da família e dos seus mais queridos, foi celebrada eucaristia católica. As exéquias fúnebres, porém, em que participaram milhares de pessoas de todos os clubes, de diferentes nacionalidades e com distintos credos, levaram a que alguns, sem noção do ridículo, tivessem invocado o facto de Portugal ser um Estado laico, questionando desta forma a participação de dignatários do Estado nas celebrações religiosas e, bem assim, a su...

Argentina: casam-se só pela Igreja para protestar contra a lei civil

Discordam do divórcio e do matrimônio homossexual BUENOS AIRES, quarta-feira 8 de fevereiro de 2012 ( ZENIT.org ) -. A primeira edição do ano da revista pró-vida Argentina, "Família e Vida", apresenta como nota principal o testemunho de Alexis e Hortensia, um matrimônio jovem e "rebelde". Eles queriam se casar, mas a atual lei do matrimônio no seu país, que permite o divórcio desde 1987 e as uniões de pessoas do mesmo sexo desde 2010, não os representava. Então eles se casaram, mas não no civil. "Depois da sanção da lei do "matrimônio homossexual", nos surgiu um grande problema de consciência. Nós, como católicos acreditamos no matrimônio entre um homem e uma mulher, indissolúvel e aberto à vida. Acontece que a lei civil é contrária a tudo isso", manifesta o jovem matrimônio que se casou pela igreja há alguns meses. "Não seria coerente ir ao cartório e casar-nos por uma lei que não acreditamos, e o que é pior, que é contrária ao qu...

Da era de Cristo à era comum

Pedro Vaz Patto A Voz da Verdade, 2011-11-06 Programas escolares australianos já adoptaram a nova terminologia e mais recentemente foi a BBC quem aderiu à proposta. Trata-se de identificar os anos, já não como anteriores ou posteriores ao nascimento de Cristo (A.C. e D.C.), mas com referência àquilo a que se quer chamar a “era comum”. O tempo histórico continua a dividir-se da mesma maneira, mas pretende-se apagar e esquecer a origem histórica desta tradição. Seria o pluralismo religioso das nossas sociedades a justificá-lo, embora nenhum representante de relevo de religiões não cristãs alguma vez tenha sugerido esta ideia. Mas a tradição não surgiu por acaso e não se explica só por motivos estritamente religiosos. A reviravolta cultural e civilizacional trazida pelo cristianismo justifica essa tradição. O historiador Jaroslav Pelikan salientou que a alteração do calendário é um indício de que «ninguém pode escapar ao facto de que Jesus de Nazaré alterou para sempre a históri...