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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Frustrações

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Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA  19.01.2018 As pessoas, em geral, sentem-se frustradas por duas razões. A primeira é por não conseguirem atingir o fim que se tinham proposto. Tentaram, esforçaram-se, esmifraram-se, mas não chegaram lá. Isto causa decepção e desilusão – sinónimos de frustração. A segunda é por conseguirem atingir o fim que se tinham proposto. Tentaram, lutaram, perderam, venceram, mas, no final, chegaram lá. Alcançaram o objectivo cheios de alegria e esperança. Então, porque surge a frustração? Porque, ao atingirem esse fim, compreendem que ele não vale tanto quanto esperavam. Ou, pelo menos, não possui aquele valor absoluto com o qual tinham sonhado. É uma decepção diferente – mas não deixa de o ser! Exemplos deste segundo tipo de desilusão: no dia em que acabar o meu curso, aí sim, serei plenamente feliz. No dia em que me casar. No dia em que tiver um aumento de salário. No dia em que receber um prémio especial. Porque é que nunca seremos plenamente ...

A força do silêncio

Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA       09.09.17 Acabei de ler há poucos dias um livro fantástico. Daqueles que, no final, levam uma pessoa a sentir-se diferente, enriquecida, com um novo raio de luz que permite interpretar melhor esta nossa fugaz existência nesta terra. Chama-se “A força do silêncio” e foi escrito pelo Cardeal Robert Sarah. É um livro que recomendo vivamente. Sobretudo, por um motivo muito concreto: porque sem silêncio não há repouso, nem serenidade, nem vida interior. E o homem  actual  necessita destas realidades como do pão para a boca. Como é possível escrever quase trezentas páginas sobre o silêncio?! Ainda por cima, sem ser pesado, com uma escrita amena e aprazível. Penso que isto só se consegue porque as palavras foram meditadas e ponderadas com quietude e sossego. Assim, e por esse motivo, não cansam. Muito pelo contrário: iluminam! E o  objectivo  do livro é plenamente alcançado: fazer meditar em que necessitamos muito ma...

Egocentrismo

Pe. Rodrigo Lynce de Faria    11.07.17 Qualquer pessoa franca sabe que necessita de melhorar constantemente o seu carácter. É uma tarefa árdua. Requer um conhecimento próprio objectivo — “ciência” que é a mais complicada de aprender. Além disso, é necessário ter abundante paciência e um profundo espírito desportivo, uma vez que melhorar o nosso carácter tem um “prazo de validade” que se identifica com a nossa vida. Só no fim da existência, se soubermos corresponder com generosidade à acção da graça de Deus em nós, seremos aquilo que estamos chamados a ser: “perfeitos”. Numa linguagem cristã diz-se “santos”. Somente nessa ocasião teremos um carácter plenamente humano, à imagem do modelo por excelência que é Jesus Cristo. Sabendo tudo isto, surge naturalmente a pergunta: qual é o modo mais eficaz de aperfeiçoar o nosso carácter? Existem várias respostas, todas elas muito válidas. No entanto, gostaria de sublinhar uma que me parece fundamental: ninguém melhora o seu ...

Felicidade

       Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA    12-06-17 Todos nós desejamos ser felizes. É algo normal, espontâneo e evidente. E também o é a noção de que a felicidade depende, em parte, do nosso esforço e empenho. No entanto, convém acrescentar que existe um perigo real de nos obcecarmos com o desejo de “ser felizes”. Isso não é nunca positivo, porque, ao ser uma atitude exagerada, nos faz precisamente perder aquilo que buscamos com tanta determinação. Se procurarmos com demasiada decisão a serenidade, a paz e até a própria felicidade, podemos não as alcançar nunca. Isso porque todos estes bens — que qualquer um de nós deseja — não são fins em si mesmos. São efeitos de uma vida vivida em plenitude. Para se ser feliz, não é solução repetir-se constantemente a si próprio: “Tenho de ser feliz”. Tenho, isso sim, de encontrar um motivo que me faça feliz, que me ajude a manter a serenidade diante das inevitáveis contrariedades. E esse motivo encontra-se pa...

Lar, doce Lar!

Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA   25.05.17 Está a dizer-nos que um lar é fundamental para que uma família possa subsistir? Não será exagerada tal afirmação? Então, não há muitas pessoas hoje em dia que vivem bem sem terem propriamente um lar? A pergunta surgiu no final de uma conferência sobre a família. É verdade, estou convencido disto. Sem um lar lá em casa, uma família não consegue ir para a frente. A vida mais propriamente humana é a do nosso espírito. Não é a única que temos — mas é a mais essencial. Por isso, os animais não necessitam de um lar para viver — nós, sim! Uma família constrói-se ao redor do lar. O lar é o âmbito de reunião da família por excelência. O lar é, como diz o dicionário, “o lugar onde se acende o lume na cozinha”. Calor que reconforta. Mesa ao redor da qual nos sentamos todos. Convívio agradável e distendido que liberta de tantas tensões que a vida traz. Características fundamentais de uma verdadeira família que nos vêm à memória quando r...

Uma pessoa madura

Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA    19.03.2017 Com o passar do tempo, todas as pessoas envelhecem. Mas, se repararmos bem, nem todas amadurecem. Parece que, ao contrário do que acontece com o bom vinho, o tempo não nos melhora automaticamente. Não nos amadurece. Precisamos de um outro “ingrediente”. Mas, afinal, que elixir misterioso é esse? Talvez seja a pergunta pelo sentido da vida. Para alguém viver de um modo realmente humano não basta que deixe o tempo passar. É preciso que procure o sentido da sua única e irrepetível existência. Não demos a vida a nós próprios — mesmo que muitas vezes actuemos como se isto fosse assim. A vida é um verdadeiro “empréstimo” que nos foi feito e do qual Alguém um dia nos pedirá contas. Atenção ao pormenor: esse Alguém não existe porque nós O criámos. Foi Ele que nos criou. Ainda por cima, sem nos perguntar!  Estamos chamados a entender a vida como uma missão que nos foi confiada. E também estamos chamados, a partir do núcleo ma...

Conselhos para os noivos

Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA       12.01.16    Na sua recente exortação apostólica “A alegria do Amor” o Papa Francisco dá vários conselhos muito úteis e concretos para aqueles que se vão casar. Sem querer elencar todos eles — recomendo a leitura serena do documento — aqui ficam dois muito concretos e a sugestão de um livro. “Não pôr no centro das preocupações do casamento os convites para a cerimónia, os vestidos e o assim chamado  copo de água ”. Francisco pede aos noivos que tenham a coragem de não se centrarem em pormenores que consomem dinheiro e energias fazendo esquecer o essencial: a preparação espiritual para tão grande acontecimento. Se os noivos se centram no que é secundário, acabam por chegar esgotados ao dia do casamento. Francisco sugere empregar as melhores energias para pôr os alicerces do “edifício matrimonial”: o amor mútuo, a generosidade, a capacidade de perdoar e pedir perdão. E também a certeza de que não estão nunca sozinhos: a ...

Humildade diante do presépio

Pe. RODRIGO LINCE DE FARIA   22.12.16 Nesta Noite Santa, sobre o povo que andava nas trevas, resplandeceu uma grande Luz. Sobre cada um de nós, especialmente no fundo da nossa alma, brilha essa Luz ímpar que marca o tempo da História: o nascimento do nosso Deus! Não há lugar para dúvidas. Deixemo-las para os cépticos que, como diz o Papa Francisco, por interrogarem somente com a razão — esquecendo a pequenez de cada ser humano — nunca chegam à Verdade com letra maiúscula.  Nesta Noite não há lugar para a indiferença nem para a apatia. Se acreditamos de verdade que Deus Se fez Homem e veio à Terra para nos salvar, tudo o resto — preocupaçõezinhas, egoísmozinhos, orgulho ferido — adquire um sentido muito relativo. Se vivemos bem o Natal — não só de um modo exterior-superficial — voltamos a redescobrir a nossa grandeza e a nossa pequenez.  Grandeza porque somos de verdade filhos de Deus. Ele veio à Terra para nos recordar que valemos muito. Não somos produtos do a...

Cultivar a reflexão na era digital

Pe. Rodrigo Lynce de Faria Se até há uns anos atrás a dificuldade de muitas pessoas era a falta de informação, hoje em dia o problema é o seu excesso. Vivemos saturados de notícias por todos os lados. Podemos ter oitenta canais de televisão, mas isso não nos dá a capacidade de ver de modo ponderado mais do que um por vez. Nem parece ser verdade que o  zapping  constante torne as pessoas mais bem informadas. A televisão é o reino dos sentimentos, não, em geral, do convite ao pensamento perspicaz. A abundância de canais de informação também não nos permitem tirar a conclusão de que devemos dedicar mais tempo às novas tecnologias para estarmos verdadeiramente informados. Isso significa que necessitamos cultivar com empenho uma atitude que, se sempre foi essencial, hoje em dia é imprescindível para não cair no perigo do pensamento único e politicamente correcto: a reflexão.  Foi o pensamento débil que deu à luz o pensamento único. E o pensamento débil germi...

Um bom professor

Um bom professor Dar aulas não é o mesmo que expor uma matéria de um modo mais ou menos ordenado. Se fosse somente isso, era suficiente a leitura de bons livros. Dar aulas é procurar activamente a aprendizagem dos alunos.  Para consegui-lo, um bom professor tem de estar disposto a esforçar-se a sério. Cuidar pormenores, ter o desejo constante de melhorar, encarar as aulas como aquilo que verdadeiramente são: uma obra de arte! Por isso, nem sempre aquele que sabe muito é um bom professor. Quem não sabe nada, nunca o poderá ser — por muito que divirta os alunos! No entanto, saber muito não basta para ser um docente eficaz.  Um bom professor deve estar motivado pela matéria e ser  motor  da motivação dos seus alunos. Tem de gostar dos alunos e gostar de dar aulas. Amar a sua nobre profissão e fomentar o desejo constante de ajudar os estudantes com os conhecimentos que transmite.  Ao preparar as aulas, a aprendizagem dos alunos é o ...

Educar para o mundo digital

É absolutamente inegável que o ambiente digital forma parte da vida quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. Também é evidente que esta nova cultura de comunicação possui muitos benefícios. E que contribuiu para o desenvolvimento de inúmeras capacidades até um nível que era simplesmente inimaginável no passado. As novas tecnologias não são um simples acessório para muitíssimas pessoas: são uma autêntica extensão da vida do dia-a-dia. Por este motivo, é indispensável que os pais percebam que educar nas novas tecnologias é essencial nos dias de hoje. Não é nenhuma opção. É uma obrigação ― e das grandes! Porque o mundo digital ― quer queiram quer não ― influirá muitíssimo na vida e na felicidade dos seus filhos. O ideal é que o uso das novas tecnologias redunde numa melhora integral da pessoa. É preciso ajudar os filhos a usarem estes meios com liberdade, responsabilidade e temperança. Seria absurdo, por exemplo, que os filhos não dormissem as...

A Caminho de Cracóvia

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Este é o lema que o Papa Francisco escolheu para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Cracóvia no próximo mês de Julho. E, baseando-se nesta frase evangélica, escreveu uma mensagem muito actual e inspirativa para os jovens dos cinco continentes. Vale a pena ler a mensagem com calma e meditá-la com profundidade, porque é uma magnífica “luz” para entender muitas das angústias e perplexidades dos nossos dias. Com a escolha deste lema, a JMJ entronca perfeitamente no Ano Jubilar da Misericórdia que a Igreja Universal está a viver. Torna-se, como nos diz o Papa, um verdadeiro jubileu para os jovens dos mais diferentes países e culturas unidos pela mesma fé. Olhando para as anteriores JMJ’s, não cabe a menor dúvida de que este megaevento ― quer apareça nos meios de comunicação, quer não ― será um momento alto deste Ano 2016. Mas, afinal, o que é um Ano Jubilar? Parafraseando o próprio Papa, é um te...

Educa tu os teus filhos

«Educa tu os teus filhos! Não deixes tal missão na mão do Estado, da escola, nem mesmo da Igreja. Não te sentes capaz? Aconteça o que acontecer, não desanimes. Deus está contigo. Tu podes e deves educar os teus filhos porque os amas como ninguém. Basta um pouco de boa vontade. E a capacidade de aprender com os inevitáveis “fracassos”». São palavras de um pai de família. Aos pais ― primeiros, principais e insubstituíveis educadores ― pede-se-lhes duas atitudes fundamentais: boa vontade e saber aprender com os próprios erros. Para fomentar estas disposições devem manter sempre o coração jovem. Um cristão, se vive de fé, sabe que tem diante de si uma eternidade. Não lhe será difícil manter o coração jovem, desde que não perca de vista o destino de para onde caminha. Porque é que muitos pais desanimam na tarefa educativa? Talvez porque olham para esta missão com uma visão excessivamente humana, esquecendo a sua dimensão eterna. Assim, perdem a perspectiva fundamental da educa...

A verdade sobre nós próprios

A verdade sobre nós próprios Qualquer criança intui que está neste mundo por algum motivo. Diante da clássica pergunta: «Que queres ser quando fores grande?», não lhe passa pela cabeça responder: «Nada». Se o fizer, como diz H. Azevedo, é conveniente pôr-lhe o termómetro. O mais natural é que a criança pressinta que está chamada a representar o seu papel no teatro desta vida. Um cristão sabe que não há nenhum papel mais maravilhoso para “representar” do que aquele que Deus tem previsto para ele. A este “papel” chamamos vocação. A vocação não é outra coisa que o encontro com a verdade sobre nós próprios. É uma verdade que dá sentido à nossa vida. É uma verdade que responde à pergunta mais radical: porque é que eu existo? A vocação, além disso, é uma verdade que interpela directamente o sentido que possui a liberdade. Sou livre para quê? Tanto faz escolher uma coisa como outra? Será que sou livre apenas para escolher a pasta de dentes num supermercado? Se a liberda...

Natal: manifestação da misericórdia de Deus

Natal: manifestação da misericórdia de Deus «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Esta afirmação do profeta Isaías abre a liturgia da Palavra da noite de Natal. É assim que se apresenta ao mundo o nascimento do Salvador: uma luz que ilumina as trevas e que enche de esperança aqueles que a contemplam. O Natal é luz. É uma irrupção da luz de Deus neste nosso mundo cheio de trevas. Trevas exteriores: violências, guerras, ódios, irmãos que não se perdoam, não se falam, não convivem, não se aceitam mutuamente. E trevas interiores: ressentimentos, mágoas, abandono da oração, da confissão, da missa dominical, da formação cristã, das obras de misericórdia, da preocupação pelos que temos ao nosso lado. Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a olhar para o “sinal” do Natal ― «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12) ― como uma das manifestações mais maravilhosas da misericórdia de Deus para connosco. Precisamos voltar a c...

A autoridade dos pais

Pe. Rodrigo Lynce de Faria A educação não pode prescindir nunca da autoridade. Mas a autoridade não pode prescindir nunca do bom exemplo e da confiança, que tornam aceitável o seu exercício. A autoridade dos pais na educação dos seus filhos possui um fundamento natural. Surge espontaneamente. Mais do que procurar conquistá-la, os pais devem ter a preocupação de mantê-la e de exercitá-la bem. Como alguém disse, a autoridade possui uma estreita relação com a verdade porque a representa. Assim entendida, a autoridade não é nunca arbitrariedade, mas sim um verdadeiro serviço. É interessante notar que esta noção de autoridade como ...