Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Eleições americanas

O discurso histórico de Mike Pence na "Marcha pela Vida"

Imagem
JOÃO SILVEIRA         SENZAPAGARE.BLOGSPOT.PT       27.01.17 Pela primeira vez na História, um vice-presidente dos Estados Unidos da América esteve presente e falou à multidão na "March for Life". O discurso de Mike Pence foi muito forte, pela positiva, e poderá representar um momento-chave na luta contra o aborto naquele país e no mundo. Desejo a todos as boas vindas a Washington DC para a 44ª marcha anual pela vida. É um dia bom. É o melhor dia que já vi para a marcha pela vida em vários sentidos. Sinto-me profundamente honrado em encontrar-me perante vós hoje.  Sinto-me profundamente honrado por ser o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos na história a ter o privilégio de participar neste evento histórico . Há mais de 240 anos, os pais fundadores da nossa nação escreveram palavras que ecoaram através dos tempos. Eles declararam como verdades auto-evidentes o facto de todos nós sermos dotados pelo nosso Criador de certos direitos ...

América, Churchill e a "corrente de ouro"

JOÃO CARLOS ESPADA    23.01.17   OBSERVADOR Se a democracia americana tem sido capaz de assimilar tantas mudanças inesperadas, isso deve-se a um quadro de tradições estáveis — a Churchilliana “corrente de ouro” — que permite mudar sem destruir. Já tudo terá sido dito sobre a semana política que (felizmente já) passou. De certa forma, ela exprimiu alguns dos mais entediantes traços das modas culturais que nos rodeiam: o culto das celebridades e da vulgaridade daquilo que dizem energicamente; o culto da mudança radical e da inovação, da celebração do futuro em ruptura com o que alcançámos no passado; o culto do entusiasmo e da exaltação, por contraste com a serenidade, a cortesia e as boas maneiras. Isto, creio, é o que pode ser dito educadamente sobre o discurso de tomada de posse do Presidente Donald Trump. E é também o que pode ser dito educadamente sobre os discursos das celebridades (e das massas) que desfilaram contra ele em Washington (e não só) no sábad...

Democratas anti-democratas

ALEXANDRE HOMEM CRISTO   OBSERVADOR   23.01.17 O ódio a Trump é novo terreno fértil para plantar velhas ideias anti-democráticas. Sim, já muita gente leva a sério os perigos de Trump. Mas ainda pouca gente acordou para os perigos dos seus inimigos. Começou com a incapacidade de Hillary Clinton em felicitar Donald Trump na noite eleitoral. Prosseguiu com a disseminação (da mentira) de que quem votou em Donald Trump foi a América redneck, desdentada e pouco qualificada. Alastrou-se através da concepção de uma sociedade dividida entre aqueles que votam “bem” e aqueles que votam “mal” – como se a escolha de um representante político não fosse um acto de cidadania livre. Evoluiu com o responsabilizar da Rússia de Putin pela intromissão na campanha eleitoral, conduzindo Trump à vitória. Agravou-se com tomadas de posição de políticos que, desgostando de Trump, contestaram a sua legitimidade –  como fez o congressista John Lewis , uma figura histórica da democracia america...

O seu filtro está a estragar a democracia

Imagem
WIRED   18.11.16 I’m convinced that Clinton was the better option, but I haven’t seen enough content on my Facebook feed that seriously challenged my beliefs. I often find myself going out of my way to read sites like Fox News, which never appeared on my newsfeed even though it gets more than 65 million monthly visits and millions of social shares. Our digital social existence has turned into a huge echo chamber, where we mostly discuss similar views with like-minded peers and miserably fail to penetrate other social bubbles that are often misled by fear and xenophobia. This is especially damaging because peer views and referrals are the strongest, most convincing form of marketing. As a Muslim, an African Arab, and an immigrant, I will probably be among those most impacted by Trump’s presidency, but I refuse to believe that half of America is racist. I think that many Trump voters would have re-thought their vote if they had heard the views of close friends who would be...

Eles falaram. Mas insistem em não os ouvir

JOSÉ MANUEL FERNANDES   OBSERVADOR  14.11.16 Trump venceu e vêm aí novas tempestades, agora na Europa. Assim, que tal deixar de insultar e menosprezar os seus eleitores e começar a tentar perceber as (muitas) razões de quem vota nos populistas? Lixo branco. “White trash”. Aqui chegámos. De uma forma ou outra, quem votou em Donald Trump não presta. São velhos. Incultos. Pobres. Vivem longe do cosmopolitismo dos centros urbanos. E, claro, são racistas. Machistas. Xenófobos. E por aí adiante. Uma parte do que escrevi atrás foi escrito em letra de forma nos mais consagrados órgãos de informação, dito por doutorados de ciências políticas no  prime time  dos mais sisudos canais de televisão. A outra parte foi acrescentada nas redes sociais e nas caixas de comentários pelo exército de militantes do costume (aliás as redes sociais, que Obama tão “brilhantemente” usara, passaram agora a ser as responsáveis pela vitória de Trump, apesar de serem mais utilizadas pelos no...

A vitória de Trump: o aborto

JORGE FERRAZ  WWW.DEUSLOVULT.ORG  09.11.16 Alguns dos meus amigos, verdadeiramente eufóricos com a vitória de Trump, parecem convencidos de que ele será o melhor presidente dos Estados Unidos desde Reagan. Eu, profundo ignorante a respeito da política americana, não tenho condições de compartilhar do mesmo entusiasmo deles; no entanto, sobre a vitória do bilionário republicano há duas ou três coisas que eu julgo poder dizer. Muitos trataram essas eleições como se elas fossem uma disputa entre o Diabo e Satanás; houve até quem as comparasse com uma eleição disputada, no Brasil, entre Dilma e Crivella. Aquela história de que “a boa notícia de hoje é que Hillary perdeu; a má, que Trump ganhou” foi repetida milhões de vezes desde as primeiras horas da madrugada. Sem compartilhar nem da euforia de alguns nem do alarmismo histérico de outros, penso que eu próprio, se americano fosse, não pensaria duas vezes antes de votar no candidato do Partido Re...

A democracia capturada

Mª JOÃO AVILLEZ  OBSERVADOR  10.11.2016 O homem assusta? Claro. Mas convenhamos que se lidou com ele da pior maneira. Preferiu-se, durante 2 anos, triturar Donald Trump com insultos em vez de atender a quem olhava para ele para ser atendido. 1.  E pronto. Cá estamos. Onde? Não se sabe, ninguém sabe. A meio caminho entre o conhecido e o desconhecido, gasto o primeiro, por estrear o segundo. Mas ao menos, há isto: somos testemunhas – e parte – de um momento fortíssimo na vida das sociedades. Em directo e ao vivo, temos os pés periclitantemente assentes num mundo que ameaça implosão e o olhar colocado noutro, em gestação e ainda sem nome de baptismo. O segundo mundo ganhou este round ao primeiro, mas em vez de se insultar Trump é mais racional refazer o puzzle, juntando algumas peças ainda desarrumadas e tentando percepcionar outras: que o centro politico se rarefez, que a democracia se deixou aprisionar pelos seus próprios extremos, que os expulsos do sistema, os que...

Porque é que os pobres votam Trump?

RUI RAMOS  OBSERVADOR  11.11.16 Para a esquerda politicamente correcta, os trabalhadores e os pobres do Ocidente são hoje piores do que os “ricos”, uns “maus selvagens” culpados pelo Brexit e por Trump. Primeiro foi o Brexit, agora Trump. De cada vez, vemos os vigilantes da correcção política recorrer ao mesmo truque: inventar uma classe que no país em causa represente, segundo eles, um estado primitivo da humanidade, e atribuir a essa classe toda a responsabilidade pelo resultado. Quer no Reino Unido, quer nos EUA, esse papel coube aos “brancos pobres” e às “classes trabalhadoras”. Teriam sido eles, habitando paragens abandonadas pelo progresso (o norte de Inglaterra ou o “rust belt” americano), que votaram Brexit ou que elegeram Trump. Mas porquê esta fixação nos “brancos pobres”, quando sabemos que, por exemplo, a maioria dos brancos qualificados também votou em Trump, assim como 3 em cada 10 “latinos”? É um aspecto interessante desta história. As “classes trabalhado...

Louvado seja Deus

Imagem
O meu pai achava muita graça quando o provável perdedor saía a ganhar. Tivemos uma experiência destas há precisamente 4 meses, quando a selecção portuguesa ganhou à França em casa, na final do Campeonato da Europa no dia 10 de Julho. Os franceses eram mais fortes, mais qualificados, jogavam num contexto mais favorável num estádio e envolvente de grande familiaridade. Mesmo assim, viram necessária uma jogada suja para aniquilar o maior  asset  do adversário para garantir o resultado. E mesmo asim, foram os 'pobres'  portugueses, que levam a sua vida como  'porteiras, mulheres as dias, mecânicos...' que acabaram por festejar uma vitória imprevisível, mas justa. O choque foi de tal ordem que correu pelas redes sociais um movimento a reivindicar a repetição do jogo e de desafio às regras da FIFA. Mas as regras são e sempre foram assim. Na final, quem ganha o jogo, ganha o campeonato. Esta comparação não me parece desadequada, porque nos dias de hoje, a política par...

Do "fuck it" ao "What the fuck"

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO    10.11.16 Hillary Clinton não foi a maior derrotada na madrugada de quarta-feira. À frente dela estão as empresas de sondagens. E à frente das empresas de sondagens estão os jornais, as televisões (a certa altura, até a Fox News se afastou de Trump), e basicamente todos nós, que trabalhamos na comunicação social. Uma lição para o falecido Emídio Rangel: sim, Donald Trump transformou-se numa figura nacional através da televisão; sim, a televisão deu-lhe muita atenção no início da corrida, quando parecia não ser mais do que o  comic relief  republicano; mas não, a televisão não consegue vender presidentes da República como quem vende sabonetes. Trump foi destruído, gozado, arrasado, por tudo o que é revista e jornal; foi transformado numa caricatura patética por Alec Baldwin no  Saturday Night Live  e humilhado nos melhores  talkshows . Entre as 200 principais publicações americanas, apenas seis apoiaram Trump. A...

Testemunho de San Jose, CA

DAMIAN, SAN JOSE CA      http://www.pagetwo.us Caros amigos, sei que os resultados da noite passada causaram uma avalanche de emoções nas nossas comunidades, desde choque e repulsa a alegria e alívio, e quantas mais pelo meio. Independentemente do lado por que estavam a torcer, e mesmo que fosse por nenhum, é claro que estamos numa mudança de época como o Papa Francisco a chamou.  A política certamente influencia o nosso contexto e temos que nos envolver nela. É um incentivo para dialogar uns com os outros, e para tentar trazer mudança positiva na sociedade. Mas a nossa esperança não pode ser a de que um ou outro grupo ganhe poder na história. Podemos ter esperança porque cada um de nós se torna parte da história da salvação, o que é ultimamente resumido na palavra "Misericórdia". Há 2000 anos, a Palestina era uma pequena colónia de um gigante Império Romano. Para os analista desse tempo, as fortunas políticas do Império pareciam os factos mais important...