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A Festa

Ângela Silva RR on-line 12-04-2012 10:43 “Se gostamos muito de ver candeeiros de Siza Vieira na Fundação Serralves, por que não vê-los nas escolas?", disse a ministra da Educação de Sócrates no Parlamento. Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação de José Sócrates, foi ao Parlamento dizer que o programa da Parque Escolar foi uma festa para o país. Uma festa, disse a ex-ministra, para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia.   O que Maria de Lurdes Rodrigues não disse foi o resto, ou seja, que a festa foi um pesadelo para os falidos cofres do Estado e que agora quem paga este pesadelo somos todos nós. Os custos das obras feitas pela Parque Escolar, em inúmeras escolas do país, subiram 218%, face ao inicialmente previsto. Isto quem o diz é o insuspeito Tribunal de Contas.   Para tal derrapagem, devem ter contribuído loucuras como a que permitiu, por exemplo, que numa das escolas o projecto incluís...

Avanço histórico

19-01-2012 8:29 Ângela Silva Vistas, uma por uma, as medidas do acordo de concertação social, ontem aprovado, são muito duras para os trabalhadores. Mas a UGT assinou. O acordo é histórico por isso: em estado de emergência, o país percebe que crescer e segurar emprego passa por medidas assim. Patrões, sindicatos e Governo estão de parabéns. Parece que só a CGTP e o PS não perceberam. O porta-voz do PS para as questões do trabalho usou a mesma linguagem que o líder da CGTP: este acordo é mau, é um retrocesso. Mais trabalho, menos folgas, menos indemnizações, menos subsídios, mais flexibilidade, menos segurança. A olho nu, não há, de facto, uma boa notícia a não ser para os patrões. Carvalho da Silva fala mesmo de um retrocesso civilizacional e promete que a conflitualidade na rua vai ser dura. Ao contrário, João Proença, o sindicalista do PS, percebeu que o momento não é para politiquices e teve a coragem de assinar um acordo que agrada, sobretudo, aos patrões. Por muito que o diga...

Interesse público

Ângela Silva RR on-line 05-01-2012 8:39 O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, recusou-se a confirmar se pertence ou não à Maçonaria. Até hoje, nenhum político fez diferente. O que tem variado é o léxico escolhido por vários políticos para fugirem à questão. Montenegro foi imaginativo: “Os senhores jornalistas conhecem muito melhor a Maçonaria do que eu’’... Este alto responsável do partido que governa o país deu, assim, a entender que não tem nada a ver com lojas maçónicas, mas sem nunca desmentir pertencer a uma. Por sinal, a mesma a que pertence o ex-responsável das secretas, que passou informações para um grupo empresarial privado. A deputada do PSD que quis escrever num relatório oficial que há ligações perigosas entre os serviços secretos, a Maçonaria e os vários centros de poder chegou ao Parlamento há pouco tempo. Teresa Leal Coelho foi livre, mas ingénua. E, embora ela jure que ninguém lhe censurou a liberdade com que escreveu o que apurou, a verdade é que o te...

Uma vez cai quem quer

Ângela Silva, RR on-line 19-05-2011 06:28 Faz agora quase dois anos, Manuela Ferreira Leite estava a aquecer os motores para uma campanha eleitoral que teve como mote a palavra Verdade. Tudo o que ela disse ao país entrou-nos, este ano, porta dentro, com estrondo e sem piedade. Estávamos à beira da falência, era preciso parar as grandes obras, travar a mania das grandezas, fazer reformas estruturais e apoiar as empresas. "Loucura fatalista", disse José Sócrates, o comunicador exímio que Manuela não quis combater com as mesmas armas, recusando agências de comunicação e truques mediáticos. Dois anos depois, ironicamente, Pedro Passos Coelho debate-se com um drama similar: como combater o comunicador imbatível, que esconde o que não convém, mostra o que lhe dá jeito e não olha a meios para atingir os fins? Se as sondagens estão certas, o país, esteja ou não farto de Sócrates, tem a tentação de lhe ceder mais uma vez. Passos, se tivesse unhas para esta viola, bem podia lançar...

Estar à altura

Ângela Silva RR on-line 05-05-2011 08:44 Pedro Passos Coelho foi ontem à RTP dizer que não. Que se for José Sócrates e o actual Governo a executarem o programa de ajuda externa, daqui a seis meses vamos precisar de nova reestruturação. A troika vai estar vigilante e quem quer que governe não vai ter espaço para pôr o pé em ramo verde. Mas o líder do PSD tem razão: quem vendeu este programa como uma boa nova, é porque continua a negá-lo. E esse não é um bom princípio para quem terá que o cumprir. A classe média e os funcionários públicos vão perceber: vêm aí mais impostos, menos salário, menos progressão nas carreiras, menos subsídio de desemprego, muito menos ADSE. E menos Estado, essa é a boa notícia. Mas vai doer. Um Primeiro-ministro que começa por esconder o que aí vem, não está preparado nem à altura do desafio. E não é certo que resista à tentação de continuar a esbanjar. Claro que ganhar as próximas eleições não é fácil, pelo simples facto de que não é fácil ganhar com prome...

O país de Marcelo

RR on-line, 14-01-2010 08:06 Ângela Silva Seis anos depois de ter sido despedido da TVI, depois de um ministro de Santana Lopes o considerar incómodo, Marcelo Rebelo de Sousa vai ser corrido da RTP. Ironicamente, o seu programa dominical teve em Dezembro passado das melhores audiências de sempre, mas a televisão pública está "doida" por se livrar dele. A liberdade das suas análises semanais dá dores de cabeça aos vários poderes e a RTP não aguentou a pressão. Desculpa-se com a saída do socialista António Vitorino, que há um ano pediu para acabar o seu programa de comentário político, contraponto ao de Marcelo. E, diz o director de informação do canal público, sem contraponto, a pluralidade ficava em causa. Logo, Vitorino arrasta Marcelo Rebelo de Sousa e a RTP suspira de alívio. Pergunta a fazer: porque é que a estação não substitui António Vitorino por outro socialista? Assim, mantinha a pluralidade. E mantinha Marcelo. Diz a RTP que não consegue substituir Vitorino porque...

O divórcio de Cavaco

RR on-line, 20081023 Ângela Silva A promulgação da nova lei do divórcio é um excelente exemplo de como a política se torna absurda para o comum dos mortais. Cada vez admira menos que as pessoas estejam fartas de políticos. Casos desoladores não faltam e a promulgação da nova lei do divórcio é um excelente exemplo de como a política se torna absurda para o comum dos mortais. Vejamos: Cavaco Silva é Presidente da República e tem, entre os seus poderes, o de vetar leis que ache más para o país. Cavaco discordou da nova lei proposta pelos socialistas por ser facilitadora do divórcio. Porquê? Porque ao eliminar o conceito de culpa permite que um dos cônjuges desfaça de 'motu proprio' um contrato celebrado a dois. Com vantagens vastíssimas: quem quer romper só tem que repartir os bens adquiridos, mesmo que tenha casado em comunhão de bens. O divórcio fica mais convidativo e mais fácil. Cavaco é absolutamente contra.O que diz o Presidente? Que a lei ‘’conduzirá a situações de prof...

Haja saúde!

Ângela Silva RR on-line, 080703 Este país já viu de tudo. Depois de um ministro da Saúde que aconselhou o povo a não ir aos SAP, temos agora uma ministra da Saúde que diz que se tiver algo grave nunca irá a um hospital privado. É a esquizofrenia política no seu melhor. Uma das vantagens para o Governo da enorme crise económica que avassala o país é que as atenções desviam-se um pouco dos temas mais sectoriais. As pessoas falam do preço da gasolina, do aumento dos bens essenciais, do crédito mais caro, da vidinha que não melhora, e por uns tempos fala-se menos da educação, do ambiente, da saúde.Não fosse isso, e José Sócrates estaria com as orelhas a arder. É que há não muito tempo, quando Correia de Campos ainda era o ministro da Saúde, fez um dia uma confissão politicamente incorrecta: “se estivesse doente nunca iria a um SAP”. A frase chocou meio mundo mas tinha um objectivo: o ministro preparava o fecho de vários serviços de atendimento permanentes e apostava mais na medicina pri...