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O liberalismo que nos convém

Miguel Angel Belloso DN 2016.07.29 A revista espanhola Actualidad Económica, da qual sou diretor, dedica a sua última capa à besta negra da esquerda: o liberalismo. Pareceu-nos que depois das eleições, que felizmente detiveram a ameaça do populismo e de uma viragem do país à esquerda - embora ainda vá demorar até que se forme um governo e tudo isto se possa alterar até lá -, era o momento de reivindicar a ideologia mais denegrida mas que mais progresso e bem-estar proporcionou à humanidade. Também porque pensamos que se, apesar das dificuldades parlamentares com que vai tropeçar o eventual governo de Rajoy, o liberalismo for a orientação das novas políticas, Espanha e, sem dúvida, Portugal, continuariam a ter uma oportunidade para crescer e prosperar. Se o (neo)liberalismo é o ideário que domina as nossas vidas, como salientam os seus detratores, a humanidade só pode estar-lhe agradecida. Não apenas as centenas de milhões de asiáticos, latino-americanos e africanos que saíram ...

Espanha não virou à esquerda

Miguel Angel Belloso DN20160628 Quero crer que os espanhóis que votaram no domingo passado, e que deram à direita a oportunidade de continuar a governar tiveram muito em conta o inevitável empobrecimento a que conduzem as teses populistas que foram determinantes no brexit ou as que na altura levaram Tsipras ao governo da Grécia. Não o esperava, porque a democracia é esquiva e nem sempre garante que os resultados produzam o bem-estar geral e o bem comum, como aconteceu nos casos da Grécia e do Reino Unido. Mas, desta vez, a Espanha teve sorte. Na lotaria que é sempre a democracia, os meus compatriotas demonstraram mais senso comum do que é costume. O que tínhamos de decidir no domingo passado era se queremos manter o país no rumo que o conduza a continuar a ganhar competitividade, que é a base do progresso, ou se, pelo contrário, queremos aplicar os recursos públicos na redistribuição e na despesa social indiscriminada, incentivar a falta de produtividade, a inação dos nossos jov...

A um passo do suicídio coletivo

Miguel Angel Belloso DN 20160624 Em outubro de 2014 fizemos uma entrevista a Pablo Iglesias, o líder do partido radical Podemos, homólogo do Bloco de Esquerda, que foi capa da Actualidad Económica e que ainda pode ser vista no YouTube. Entre as suas muitas ideias peregrinas estava não só a de aumentar o salário mínimo, o que conduz diretamente ao desemprego, como também a de estabelecer um ordenado máximo. Limitar a remuneração das pessoas, o que não passa pela cabeça de ninguém com senso comum, apresentou-se-me como uma proposta disparatada, mas o inefável Iglesias surpreendeu-nos com o exemplo da Suíça, onde, segundo dizia então, os cidadãos não podiam ganhar mais de 12 vezes o salário mínimo legal. Nós ficámos estupefactos, mas quando a seguir investigámos o assunto reparámos que o Sr. Iglesias nos tinha mentido, como é o seu estilo, e mais ainda nestes momentos de campanha eleitoral em que decidiu vestir o seu pensamento destrutivo com uma pele de cordeiro. Com efeito, na ...

A mentalidade socialista e a honra dos nossos filhos

Miguel Angel Belloso DN 20160610 Às vezes o meu país provoca alguma aversão. Não o seu povo, que tem o instinto natural de prosperar, mas antes os políticos que aspiram a liderá-lo e que o tomam como inútil e incapaz de seguir em frente graças ao seu esforço e tenacidade. Na semana passada o diário El Mundo, que é o segundo jornal em audiência de Espanha e que faz parte da empresa em que trabalho, convocou-nos para um encontro público com Pedro Sánchez, o líder do PSOE, com base nas próximas eleições de 26 de junho. E ali tivemos oportunidade de conhecer as suas propostas e de comprovar, mais uma vez, a mentalidade socialista, o gene que o partido tem inscrito desde a sua fundação. Este senhor teve agora a ideia de incluir no seu programa eleitoral a criação de mais de 200 000 postos de trabalho no setor público, que equivalem ao número de pessoas que na sua opinião estão desprotegidas, que não podem progredir por si mesmas porque não têm formação, nem são capazes de gerar valor...

A força das ideias

Miguel Angel Belloso DN 20160521 Deparámo-nos com a primeira surpresa na corrida para as próximas eleições em Espanha, a 26 de junho. O Podemos, o partido antissistema de Pablo Iglesias, assinou um pacto com a Esquerda Unida, a coligação basicamente composta por comunistas - antigos e modernos - para concorrerem juntos. Chegaram a um consenso. Todo o tempo perdido para a formação de um governo em Espanha permitiu que se tivesse uma ideia mais cabal de Iglesias, um personagem vaidoso e cheio de si que foi expulsando pouco a pouco uma parte dos seus seguidores. E, como as sondagens prognosticam que perderá apoios, um acordo com a Esquerda Unida, que tem um património eleitoral de mais de um milhão de votos, dá-lhe a oportunidade de conseguir os assentos parlamentares que poderiam esfumar-se se fosse sozinho. A Esquerda Unida também poderá conseguir mais representação política e, além do mais, poderá obter o financiamento público de que os comunistas necessitam para liquidar uma av...

Os cúmplices do mal

Miguel Angel Belloso DN 2016.04.08 A maioria das estações de televisão privadas do meu país são de esquerda. E muitas delas são francamente sectárias. Preocupam-se em esmiuçar tudo o que vai mal no país, que atribuem às políticas neoliberais aplicadas pelo governo de Rajoy. Instigam os instintos mais primários das pessoas, que são a inveja e o ressentimento e persuadem os cidadãos de que a solução de todos os seus problemas está nas mãos do Estado, que deve promover uma maior despesa pública, ampliar os direitos sociais, fortalecer os sistemas de proteção e aumentar os impostMos a todos aqueles que ganham muito dinheiro, não tendo qualquer importância que este se deva à perícia e ao sacrifício postos no empenho. As televisões do meu país exageraram a corrupção até ao extremo de terem conseguido instalar no imaginário público a ideia de que todos os políticos são uns ladrões cujo genuíno objetivo é roubar os cidadãos. Nem é preciso dizer que os danos causados por estes meios de c...

Os bons somos nós

Miguel Angel Belloso DN 2015.11.20 Na passada segunda-feira, a Câmara de Córdova, uma das principais cidades da Andaluzia, organizou um minuto de silêncio em honra das vítimas da matança de Paris. Mas, pouco depois, sem solução de continuidade, a vereadora do Podemos - a esquerda radical espanhola - na câmara convocou outro minuto adicional pelas vítimas dos bombardeamentos franceses na Síria. Não ficou sozinha. Foi secundada pelos vereadores do Partido Socialista e pelos da Esquerda Unida - os comunistas de toda a vida -, que com tal manifestação quiseram salientar não só que não há distinção entre a violência que uns e outros praticam, como também que estávamos a pedir o que aconteceu em Paris; que é uma resposta lógica aos nossos atos prévios, da mesma maneira que os atentados de 11 de março de 2004 em Madrid foram a reação justa à colaboração espanhola na invasão do Iraque. O próprio Pablo Iglesias, o secretário-geral do Podemos, renunciou a juntar-se ao pacto antijihadista...

O que há de novo, meu velho

Miguel Angel Belloso DN 2015.11.13  Passei uma semana inteira em Miami. Metade em trabalho, metade em lazer. É uma cidade esplêndida, com uma praia memorável e uns hotéis art déco acolhedores e simpáticos onde se pode encontrar diversão a qualquer hora do dia. Mas é uma cidade incómoda para nos movimentarmos de um lado para outro. Os transportes públicos, compostos por autocarros e comboios funcionam deficientemente. Não há metro, dadas as circunstâncias de se encontrar num terreno pantanoso rodeado pelo mar. Se tivermos pressa temos de nos movimentar de táxi... ou de Uber! Eu nunca tinha usado a Uber - está proibida em Espanha -, mas posso assegurar-vos que a minha experiência é que o serviço de motoristas particulares funciona com uma grande diligência e precisão, a um preço mais acessível que um táxi convencional. Os carros são muito melhores, estão mais limpos e são mais espaçosos. As pessoas que os conduzem são extremamente simpáticas, ao contrário da maioria dos profissio...