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A notícia mais importante sobre a Igreja

Isabel Figueiredo Canotilho Facebook, 2014.12.22 Uma das minhas obrigações semanais é ler o que se escreve sobre a Igreja. E escreve-se muito. Às vezes pergunto-me porquê.  Percebo a inquietação que pode provocar esta fidelidade, com mais de dois mil anos, a um homem, que nasceu pobre e morreu crucificado. Percebo o impacto do Papa Francisco. Percebo a surpresa de ver reunidos milhares e milhares de jovens, dispostos a dormir no chão para ouvirem falar de eternidade, de amor, de verdade, de esperança. Percebo a incompreens ão de vidas isoladas em mosteiros, de vidas gastas em bairros de lata, de vidas que preferem morrer a renegar a sua fé.  Mas apesar de tudo isto, às vezes, pergunto-me porquê?  Porque continuar a escrever sobre os sapatos vermelhos ou pretos do Papa?Porque continuar a tentar distinguir igrejas conservadoras de igrejas progressistas?  Porquê esta necessidade de estar sempre na expectativa de encontrar facções contrárias, lutas internas, divis...

Aproxima-se o Natal

Isabel Figueiredo, 2014.11.25, Facebook /  (Opinião  Radio SIM ) Fui fazer algumas compras à hora de almoço. Enquanto pagava, vi estampado no saco que me entregaram, um presépio. Em cores suaves, lá estava Jesus, Maria, José, os Reis Magos, os Pastores, a estrela… não resisti a comentar: "que bonito este saco de natal com o presépio…." E o rapaz que estava a atender, respondeu-me: "mas o natal também é a família, a paz, a alegria…" e eu insisti : "sim, mas tudo  começa no presépio, no nascimento de Jesus"…  Seguiu-se novo comentário e nova resposta da minha parte. Talvez por me achar demasiado insistente mostrou-me o outro lado do saco, que tinha impresso um pinguim vestido de natal!  Confesso que fiquei calada, dei as boas tardes e sai da loja. "Não vale a pena remar contra esta maré…" foi o que pensei naqueles primeiros passos, já pela rua fora.  Mas não pode ser assim.  Deixámos que o Natal fosse ocupado por tudo e por todos. Pela beleza ...

Oração da Manhã

Isabel Figueiredo Canotilho 1 de junho de 2013 Levantei os olhos do ecrã, quando o meu colega bateu à porta, para dois dedos de conversa… mais importante do que falarmos sobre o trabalho, tinha uma novidade para me dar: a sua filha tinha sido baptizada. Depois de três anos de catequese, tinha chegado finalmente o dia tão desejado. E estava feliz? "Sim, muito feliz. Estávamos todos". Sempre defendi que o Baptismo é uma hora que tarda desde que se nasce e que há tempo para escolhas amadurecidas pela vida – receber o Crisma ou casar pela Igreja. Mas na verdade, uma criança pedir para ser baptizada, numa mistura de inocência e de firmeza, é algo que me confronta com a minha fé, algo que me impele a procurar ser-Te mais fiel, mais decidida a dar testemunho das "razões da minha esperança". Eu Te peço, Jesus, por esta filha, pelos seus pais e padrinhos. Eu Te peço por todas as crianças que esperam pelo dia do seu Baptismo. Por todos os Pais que pedem o Baptismo para os s...

A necessidade de discernir

Isabel Figueiredo Canotilho, Facebook, 2013-01-15 Tal como milhares de portugueses, também eu estava tranquila à frente do sofá, quando fui surpreendida pela notícia do direito à vida de um cão, que matou uma criança. Quem fez a peça teve o cuidado de ir à procura de outras situações semelhantes e podemos acompanhar a descrição pormenorizada dos ataques, dos traumas das vitimas, dos traumas dos atacantes, porque alguém lhes cortou as orelhas… Entre a vontade de desligar a televisão e a exigência interior de ver até onde se consegue chegar, nesta voracidade de ser competente a dar noticias, deixei-me ficar quieta. Quando a peça terminou, tive dificuldade em fazer qualquer comentário. Mas até hoje, o único pensamento que me ocorre, quando volto a esta noticia é talvez, de uma excessiva simplicidade: se eu tratar animais como pessoas, como poderei ficar surpreendida por tantas pessoas serem tratadas como animais? Dois dias depois, lendo noticias na net, descobri um pequeno título – ...

Foram anos a ouvir uma mentira

Isabel Figueiredo 4 de Outubro Facebook “Foram anos a ouvir uma mentira”. Esta frase é uma tirada publicitária de uma novela actual. Mas aplica-se dolorosamente à vida real. E continuo a pensar no mundo da publicidade, tão agarrado aos nossos dias… Dou comigo a lembrar-me de tantas campanhas: se beber não conduza; se não quer enfrentar a obesidade, tenha uma alimentação saudável. E as nossas tentativas de educar os mais novos – se não estudares, se não dormires o suficiente, se só comeres doces, se, se, se. Defendemos publicamente e em privado, a certeza de que um comportamento determina uma situação. Olhando com grande simplicidade para o passado recente e sem qualquer pretensão de ser exacta e exaustiva, vejo muitos comportamentos públicos e privados. Vejo auto-estradas vazias, estádios de futebol abandonados; lembro-me de escolas com sofisticados sistemas de ar condicionado e grandes piscinas em pequenas freguesias. Recordo o orgulho com que alguns afirmavam ter conseguido eng...